Duas palavras

Duas palavras

Estimados leitores:

Novamente temos a satisfação de apresentar-vos mais uma obra mediúnica do estudioso e sábio espírito Ramatís, através da psicografia do conhecido médium Hercílio Maes, de Curitiba. Trata-se de um prodigioso estudo e análise de tudo o que se pode conceber na esfera do feitiço ou da velha “bruxaria”. Não se trata de obra enfermiça, lúgubre ou prenhe de superstições; é trabalho sensato e esclarecido, capaz de satisfazer tanto o homem comum, como o cientista mais exigente.

Analisando, esclarecendo e advertindo, Ramatís faz uma incursão destemerosa no complexo cipoal do feitiço, e o autopsia corajosamente à luz do dia, liberto de cangas religiosas e descondicionado de estatutos e preceitos doutrinistas. Paradoxalmente, Ramatís comprova a realidade da “bruxaria”, através da própria ciência do mundo, eliminando a superstição que gera o ridículo e a crendice que gera o anormal. Ele não só satisfaz o leitor, mas o conforta, demonstrando que em face da Magnanimidade e Sabedoria do Criador, mesmo sob o guante do “feitiço” molesto e ignóbil, o homem redime-se e apressa a sua ascese espiritual, confirmando o próprio titulo significativo desta obra: Magia de Redenção.

A obra foi prefaciada por conhecido escritor brasileiro, já falecido, que se identifica pelas iniciais “J. T.”, a fim de evitar qualquer contenda inútil com a parentela humana, do qual, a seguir, transcrevemos alguns tópicos do excelente prefácio: Magia de Redenção é mais uma obra ditada por Ramatís, abordando um assunto delicadíssimo e controverso, como é a prática de bruxaria. Os povos supersticiosos e apegados às crendices exageram tolamente a feitiçaria; mas os acadêmicos e cientistas negam-na, por força de superstição negativa e temerosos de desvalorizarem os seus conhecimentos “positivos” sobre os fenômenos do mundo material.

Ramatís penetrou corajosamente no campo de atividade das forças ocultas subvertidas pelas mentes vigorosas dos magos das sombras. Enfrentando gregos e troianos, ele expõe-se ao ridículo de uns e à admiração de outros; mas, decidido, quebra tabus e sacode dogmas. Suas obras, apesar de contestadas apressadamente por alguns líderes das elites espíritas conservadoras, ainda temerosos de assuntos complexos e espinhosos, são de natureza didática e acessíveis à mente popular. Tem o odor das coisas agrestes, de seiva forte, malgrado ser amargosa para os paladares muito açucarados. São mensagens às criaturas libertas de injunções sectaristas e de preconceitos religiosos, que se animam de apanhar rosas, onde os velhos e sisudos jardineiros desistem, por temor dos espinhos!

 

Aí está Magia de Redenção, obra corajosa a cuidar de assunto assaz cáustico e amargo como é o feitiço. É coisa imprópria de ser comentada entre os prosélitos “sabem tudo”, pois obriga a uma incômoda deslocação mental da paisagem trivial, focalizando calhaus, paus podres, sapos e víboras. O feitiço é condimento recusado pelos paladares muito afeitos à cozinha comum, pois o homem habituado a feijão com arroz, arrepia-se diante de uma bacalhoada superapimentada. A criança amamentada a leite em pó entra em estado de coma com algumas gotas de conhaque.

Existe o feitiço? Não existe? Que importa? Ramatís poupou-nos o trabalho de fazer tal investigação espinhosa e livrou-nos de muita confusão. Através do seu médium, criatura despreocupada de críticas, julgamentos prematuros ou glorificações do mundo, ele oferece-nos um novo acervo de esclarecimentos e advertências sobre a velha arte de “embruxar o próximo”, coisa que a própria Eva conseguiu satisfatoriamente sobre o ingênuo Adão. Aí está a obra para ser autopsiada pelos competentes legistas do labor alheio e darem o seu veredicto final. Mas, tranqüilize-se o leitor, pois ninguém será “embruxado” só por ler esta obra, salvo se ainda lhe perdura algum velho desejo latente de “fazer feitiço”, pois, conforme diz velho adágio: “Quem deseja perder o vício de fumar, evite encontrar cigarro aceso!” Aliás, todos nós estamos mais ou menos enfeitiçados ou “encantados” em nossa vida humana. O fumante inveterado está enfeitiçado pelo entorpecente da nicotina, o beberrão pelo álcool, o carnívoro pela carne e o jogador pelo carteado. Todos nós precisamos de um bom trabalho de “desmancho”, para então readquirirmos o nosso comando mental e libertarmo-nos dos “objetos” que nos “embruxam” e nos obsidiam cotidianamente. Há pessoas enfeitiçadas pelo orgulho, ciúme, pelo amor-próprio ou pelo rancor; outras enfermam pela ação das forças ocultas da inveja. Por isso, Jesus advertia: “Onde tu estiveres, aí estarão tuas obras!”

E quanto à crítica de gregos e troianos, leia-se a história do mundo! Não são os críticos ou julgadores a priori que injetam, vida ou morte, a qualquer obra. O povo, com o seu bom senso intuitivo, é quem decide a glória ou o fracasso dos autores. E quanto à crença no feitiço, isso é questão de oportunidade! Há gente que não crê em bruxaria; mas fica aterrorizada, quando descobre um fio vermelho na bainha da calça, uma coroa de penas de galo no travesseiro ou um sapo indesejável a coaxar obstinadamente debaixo da janela batida pela chuva miúda. Cremos que é por força de tal procedimento, a resposta hábil e cuidadosa de conhecido cientista muito sensato, que assim disse numa entrevista sobre o feitiço: “O feitiço é uma superstição, com que certos entendidos conseguem prejudicar o próximo?”

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Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral