Feitiço

Capítulo 18

O feitiço e o seu duplo efeito moral

 

PERGUNTA: – Poderíeis nos esclarecer se a vítima de feitiço colhe algum proveito moral dessa perseguição insidiosa?

RAMATÍS: – A dor e o sofrimento, no plano físico e no campo moral, ou em qualquer situação da vida humana, são sempre benéficos. É um processo de disciplina espiritual rearticulando o ser para transitar no caminho certo, medida retificadora, que orienta, compulsoriamente, o homem animalizado para o norte angélico! Usais o ácido para limpar vidraças, a lixa para polir a madeira, o fogo abrasador para tornar o aço mais resistente. O cascalho bruto extraído das rochas, depois de submetido a disciplinado processo de polimento, ou espécie de “sofrimento mineral”, transforma-se em fascinante pedra preciosa. Dessa operação coerciva, cáustica e rude resulta o aperfeiçoamento que engrandece o valor intrínseco das coisas. Os enfeitiçamentos são processos ofensivos e destrutivos, aparentemente injustos na sua ação tenebrosa, nociva e maldosa, mas’ eles estimulam a ação purificadora, porque, ao produzir o padecimento, também aceleram o processo cármico e retificador do indivíduo.

Quantos espíritos já lograram alcançar as esferas de melhor convivência espiritual, graças a um indesejável feitiço que os acometeu, mas os livrou de coisas piores? Muitas criaturas abatidas num leito de dor, assoberbadas por dificuldades e privadas dos prazeres comuns da vida, também evitaram, a tempo, a sua própria queda nos antros dos vícios ou sob as algemas das paixões censuráveis! Há lares cuja tranqüilidade doméstica se deve a determinado impacto enfeitiçante que uniu a família na prova dolorosa!

A dor desbasta a alma e ainda reduz-lhe as manifestações imprudentes, reajustando o ser à harmonia com a Vida Superior! O leito de sofrimento também cria a oportunidade da oração e da meditação, tão desprezadas na vida cotidiana; a catástrofe econômica cerceia os vôos insensatos da fascinação material; os embates emotivos e os choques morais conduzem o espírito em busca de lenitivos nas fontes espirituais. Por mais injusto e tenebroso que se vos afigure o feitiço, a sua vítima sempre se beneficia.

As dores e atribulações são elementos purificadores e inerentes às reencarnações nos mundos físicos, objetivando o desabrochar da consciência espiritual do homem. A feitiçaria, portanto, como um processo incentivador do sofrimento físico, moral, mental e econômico, pode exercer proveitosa função retificadora dos desvios que o homem cometeu no passado e são prejudiciais à sua evolução espiritual. 1

1 – Certo cidadão de algum realce na sociedade curitibana, decidido a abandonar a esposa e três filhos, por uma aventura amorosa, vendia febrilmente os seus principais bens, apurando dinheiro para fugir com uma atriz argentina, a qual atuava na principal boate da cidade. Súbito, cai de cama, prostrado por estranha enfermidade, que lhe minava o fígado, produzia-lhe terríveis dores de cabeça e tonturas cegantes. Após três meses de abnegação médica, socorros mediúnicos por parte de médiuns espíritas, umbandistas e curandeiros, foi descoberto um feitiço no seu travesseiro, com os apetrechos peculiares e um punhado de terra, que seria de cemitério. O cidadão curou-se, integrando-se novamente na vida digna que lhe era peculiar anteriormente, e hoje, quando relata o seu caso, o faz de bom-humor, abençoando o feitiço que o livrou de uma das mais espertas aventureiras portenhas!

 

PERGUNTA: – Por que a carga de bruxaria também pode atingir um inocente?

RAMATÍS: – Cremos que afora o Mestre Jesus e alguns instrutores espirituais que deixaram belos ensinamentos libertadores no mundo, os demais homens são pecadores e não inocentes. Em conseqüência, qualquer um de nós, ou de vós, pode ser vulnerável a alguma carga de feitiço, embora isso varie conforme a sua resistência psíquica. Não existe, na face da Terra, criatura tão angélica, que seja completamente invulnerável ao impacto maligno do feitiço! Em verdade, o mundo está lotado de criaturas em provas cármicas, a colherem os frutos podres das sementes ruins do passado! O jardineiro que semeia urzes pode mudar de profissão ou de caráter, mas daquela planta ele só poderá colher espinhos e não morangos.

Sem dúvida, varia o caráter psíquico de cada ser, pois, enquanto há criaturas que sobrevivem airosamente ante a ofensiva insultuosa alheia, há outras que fracassam sob o prejuízo econômico; algumas resistem à queda financeira, mas não suportam o abalo moral. Finalmente, há pessoas que resistem a todas essas conseqüências indesejáveis, mas aniquilam-se às primeiras dores físicas! Portanto, a bruxaria também atua conforme a vulnerabilidade de cada homem, seja na sua resistência puramente instintiva ou capacidade espiritual.

 

PERGUNTA: – Mas as vítimas desse enfeitiçamento também não gozam de certa proteção do Espaço, que deveria socorrê-las amenizando esses efeitos maléficos?

RAMATÍS: – Naturalmente, os “guias” mencionados pelos espíritas, ou conhecidos “anjos-da-guarda” da tradição católica, procuram proteger os seus pupilos e modificar-lhes o padrão mental vibratório, mesmo quando estão enfeitiçados. Aconselham-nos à prática evangélica incessante, ao controle instintivo dos impulsos menos dignos, a fim de vencerem a intoxicação fluídica e as conturbações provocadas pela bruxaria. Mas, como os terrícolas, em geral, vibram sob as faixas densas, impregnadas dos eflúvios inferiores do instinto animal, então, eles escapam facilmente às instruções e inspirações dos seus protetores, e sintonizam-se vibratoriamente com os espíritos malévolos do Espaço.

A indiferença humana para com os ensinamentos salvadores do Evangelho do Cristo converte o homem num candidato potencial aos impactos enfeitiçantes e o impermeabilizam à ação socorrista dos espíritos benfeitores. Então, ele se torna presa fácil das maquinações adversas, do vampirismo fluídico e das cargas deletérias enfeitiçantes. Entontecido pelas contínuas frustrações, sofrendo males exóticos e impossibilitado de acertar com o seu caso, perambula pelos diversos consultórios médicos, nada logrando de positivo. E como os espíritos malfeitores tudo fazem para afastá-lo dos recursos mediúnicos e espirituais, sofre por longo tempo a mortificação da sua sina amarga.

Assim como os bons nadadores não se arriscam a mergulhar nos rios infestados de piranhas, os santos e os inocentes também não precisam reencarnar-se na Terra, onde o mal é a condição mais comum da vida! Por isso, os espíritos que ainda habitam a Terra e aí se encontram em função educativa, são transformados em alvos vulneráveis às forças agrestes e hostis da própria moradia! Da parte da Divindade não existem injustiças ou privilégios, mas “a cada um é dado segundo as suas obras”! Os “inocentes”, que ainda precisam submeter-se à disciplina primária e dolorosa de educação espiritual na carne, apenas colhem a messe farta de frutos deletérios que provêm da perniciosa sementeira do passado!

 

PERGUNTA: – Não seria injusto sermos enfeitiçados quando já nos empenhamos na renovação de nossa conduta moral e cooperamos, também, na edificação de obras filantrópicas em favor do esclarecimento espiritual alheio?

RAMATÍS: – As vicissitudes, dores e os desenganos são tão peculiares na face da Terra, como o calor é um produto natural do fogo! Sem dúvida, a diferença de sensibilidade espiritual faz certas criaturas sofrerem mais do que as outras, embora todas estejam submetidas às vicissitudes e padecimentos semelhantes. Enquanto a Terra é um orbe desagradável e injusto para os mais sensíveis, constitui-se num ótimo viver para as criaturas afinadas à violência, pilhagem, intriga, maldade, ao ciúme, ódio e egoísmo! O mesmo pântano que exala o gás metano, onde o beija-flor viveria um inferno, é um paraíso para a vida do sapo! As pessoas habituadas à limpeza e higiene de suas residências bem-tratadas sentem-se aflitas no ambiente sórdido das favelas.

O certo é que no cenário do mundo terrícola viceja o crime, o roubo, o acidente, a exploração e a morte, independentemente das virtudes e dos méritos dos espíritos encarnados! Os homens terrenos ainda são como os doidos dos asilos, pois fazem uma porção de coisas desatinadas e perigosas, contra eles próprios! Por isso, os espíritos primários vivem melhor na Terra, assim como o animal selvagem também se ajusta melhor na mata virgem! Em verdade, enquanto o príncipe rasga o seu delicado traje de seda na sarça miúda, o aldeão imuniza-se com a roupa de couro entre os espinheiros mais bravios!

 

PERGUNTA: – E que se dizer quando o feitiço provoca a desencarnação do enfeitiçado? Mesmo assim, este ainda é beneficiado?

RAMATÍS: – Que é a morte senão a resultante de uma condenação implacável determinada pela própria Natureza a todos os seres? Quantas vezes o espírito já se libertou das vestes carnais transitórias, no passado, através do fenômeno da morte? E quantas vezes ele ainda há de despir o seu traje de músculos, nervos e ossos, para entregá-lo ao depósito prosaico do cemitério?

Porventura, a morte não ceifou Jesus, o inesquecível Amigo da Humanidade, apesar de sua missão libertadora e insubstituível presença no mundo? Ante o fatalismo da morte, que seremos nós, comparados a Hermes, Fo-Hi, Crishna, Buda ou Jesus, que sustentavam em seus ombros a responsabilidade sacrificial de transmitir aos homens o Código Moral Sideral?

A morte é a porta que se entreabre para a verdadeira vida do espírito, e não impede a sua continuidade ascensional. A carne é somente um fugaz minuto da existência humana a reduzir a plenitude espiritual do ser. Após o desvencilhamento dos laços carnais, o espírito retoma à sua vivência real, pois ele evolui ou estaciona, jamais retrograda! Sem dúvida, a morte prematura reduz o programa particular ideado no Espaço pelo reencarnante, assim como é crime perante a lei do Carma extinguir a vida alheia. Mas há homens que, apesar de habitarem um cento de anos na matéria, viveram sob tal ignorância, que são superados por um menino de dez ou doze anos, alfabetizado!

Deus criou os mundos e continua a alimentá-los através do seu Amor e Sabedoria infinitos, independente de nossas missões, filantropias ou lições de moral! Por isso, a partida mais cedo ou mais tarde, da face da Terra, nada tem de valioso ou prejudicial no mecanismo poderoso e divino do Universo; pois se trata de contingência exclusivamente particular, em que auferimos os benefícios segundo a nossa vivência no casulo de carne. A Obra Divina não precisa de nossa retificação. A nossa interferência humana só poderia causar contratempos indesejáveis a nós mesmos!

Embora o homem desencarne tranqüilamente sobre um colchão de molas e assistido por venerável sacerdote, ou então se liberte do organismo carnal exaurido pelo vampirismo de bruxaria, qualquer complicação nada tem a ver com a Divindade, mas será exclusiva de sua própria consciência espiritual. Em verdade, o homem é sempre imortal, quer habite um corpo de carne sobre a face terráquea ou transite no Além-túmulo através do seu perispírito! A desencarnação é operação de desvestimento do traje carnal confeccionado com o material próprio da Terra, o qual depois será entregue ao “guarda-roupa” do cemitério. Não há morte nem sobrevivência, pois o espírito apenas desveste o corpo de carne e enverga o “roupão” confeccionado de “fazenda fluídica”.

Os sonhos e os ideais que são desfeitos pela morte, sob o guante da feitiçaria, podem ser concretizados com mais facilidade no mundo espiritual, do que no solo instável da matéria. Quando os terremotos, vulcões e tufões destroem cidades e civilizações que estão no apogeu da glória artística, científica, social e arquitetônica, porventura isso deveria ser considerado um crime impiedoso por parte da Divindade? Quantas experiências religiosas, renascimentos artísticos, conquistas científicas e realizações sociais progressistas são pulverizadas, em poucos minutos, sob a catástrofe fatal?

Enquanto a bruxaria liquida a vida de uma centena de pessoas porventura não se aniquilam milhares de seres pela força dos elementos em fúria e sob o beneplácito das autoridades siderais?

 

PERGUNTA: – Mas embora o feitiço produza benefícios à sua vítima, pois acelera a dinâmica superior do espírito através do sofrimento, isso não será sancionar uma prática tão ignóbil?

RAMATÍS: – O nosso principal escopo é demonstrar-vos que a bruxaria abominável, malgrado ser fruto de perversidade humana mobilizando forças negativas, termina por favorecer a própria vítima, em face dos resultados proveitosos que sempre resultam num sofrimento humano de condição retificadora. O benefício e a ventura podem disfarçar-se sob a vestimenta transitória do próprio mal, porque a Lei Divina aproveita os censuráveis equívocos humanos no sentido de beneficiar o homem. Os espíritos gastam milhões e milhões de anos na esteira da “dor-purificação”, mas, assim que atingem a angelitude, serão felizes por toda a Eternidade!

Indubitavelmente, ninguém deseja ser vítima do feitiço, nem seríamos tão estultos em endossar prática tão condenável, pois a vida humana pode ser conduzida de modo a evitarem-se as retificações dolorosas de aprimoramento espiritual, desde que os homens sigam fielmente os preceitos divinos expostos sobre a face da Terra por inúmeros instrutores espirituais. Ademais, o enfeitiçamento só se positiva quando existe o clima eletivo na própria vítima embruxada, seja pela sua conduta irregular na atual existência, ou devido às conseqüências censuráveis do passado. Muitas almas, no entanto, que padeceram na Terra os efeitos ruinosos do feitiço produzido por maldade, vingança, inveja, despeito ou ódio, agora, aqui, devotam-se sacrificialmente para ajudar os próprios algozes que as infelicitaram na carne, pois elas, de certo modo, sentem-se devedoras de sua tranqüilidade espiritual por força desse sofrimento compulsório.

Não há injustiça nem equívoco no Universo criado por Deus; é o Cristo-Jesus quem nos esclarece a esse respeito, quando assim adverte: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”, ou, ainda, “Cada um há de colher conforme semear”! Sob a decorrência vibratória das leis de causa e efeito, o deslocamento de um grão de areia reajusta idêntico fenômeno noutro ponto. Por isso, no diapasão e ritmo de equilíbrio harmônico do Cosmo é tão importante a explosão de uma estrela, como a fagulha que salta de um fio elétrico! Eis por que um velho adágio assim diz: “Não cai um fio de cabelo da cabeça do homem, sem que Deus saiba!”

Por mais injusto que considerem o feitiço, só é possível ocorrer na vida de alguém como um fato resultante e eqüitativo de igual acontecimento sucedido no pretérito, pois da má semente só desabrocha mau fruto, enquanto a boa semente produz a colheita sazonada! Malgrado o seu aspecto tenebroso, mortificante e indesejável, o feitiço é um acontecimento tão transitório quanto o mundo onde ele é praticado. Perturba, infelicita e consome o ser, quando é manejado por almas daninhas e experimentadas no gênero diabólico, mas dessa ofensiva maligna e vingativa, executada a curto prazo de uma existência física, também pode se originar vivência espiritual mais tranqüila após a morte.

A Terra não é colônia de férias, mas de educação primária do espírito, onde o terrícola é o aluno em um curso de alfabetização sideral. Os alunos que, antes de cumprirem os seus deveres escolares, atêm-se ao gozo prematuro que lhes desperdiça o tempo tolamente, terão de repetir as lições frustradas tantas vezes quantas se fizerem necessárias para o seu entendimento proveitoso. O cidadão terreno também é o aluno primário, mas engatinhando no esforço de articular os primeiros vagidos conscientes do espírito eterno e libertar-se do acervo instintivo da animalidade. Indisciplinado e irresponsável, escravo dos impulsos daninhos e das paixões debilitantes, ele é mais beneficiado quando submetido às ligações da dor e do sofrimento, da vicissitude e da amargura, do que aos prazeres perigosos da vida carnal!

Malgrado os protestos que provocam os reveses e as dores humanas, a infelicidade do homem é sempre uma conseqüência danosa do pretérito, porque exige a retificação espiritual necessária à sua futura felicidade. Mas o enfeitiçado também acelera a dinâmica do espírito, pois em sua aflição e desespero cultiva a paciência, na procura de solução para a sua desventura e a humildade, como o pedinte desesperado, assim como desenvolve o sentimento de confraternização ao ser grato pela cooperação alheia.

O feitiço então pode surgir-lhe na vida e modificar-lhe o rumo pecaminoso dos vícios e das paixões perigosas..A ventura também pode ser forjada na própria desventura, quando o combustível inferior do feitiço que ativa o fogo do padecimento eleva a temperatura espiritual!

 

PERGUNTA: – Considerando-se que a dor e o sofrimento são bases fundamentais ao aperfeiçoamento e à purificação do espírito na carne, porventura, o “masoquismo”, não seria também uma virtude louvável, se o flagelo apressa a ventura espiritual?

RAMATÍS: – O aproveitamento consciente do espírito nas próprias dores, amarguras e vicissitudes, que lhe sucedem na vida independente de sua vontade, jamais se assemelham à auto-flagelação de homens tolos, ou das práticas enfermiças de certos conventos religiosos. Ademais, o masoquismo é mais propriamente uma condição mórbida de criaturas ignorantes da realidade espiritual, principalmente dos enfermiços sexuais.

Referimo-nos à dor e ao sofrimento que redime e são recursos valiosos mobilizados pela técnica e cientificismo da Lei Cármica, ativando as forças criadoras do espírito imortal. Em face do atual estado evolutivo do terrícola, demasiadamente algemado ao instinto animal, o prazer debilita e a dor fortalece, conforme se verifica na consagração genial e heróica no campo da arte, ciência, filosofia, poesia e religião, através das figuras incomuns e sofredoras de Beethoven, Dostoievsky, Chopin, Miguel Ângelo, Mozart, Dante, Van Gogh, Milton, Allan Poe, Tchaikovsky, Paganini, Gandhi e principalmente o Amado Jesus!

A dor é a condição fundamental do aprimoramento do espírito terrícola, cujo progresso espiritual depende da concentração de energias plasmadas nessa forma de educação passiva e compulsória. Deus não condena o prazer do homem, pois o criou para ser feliz; mas, assim como o pai humano vigia a prole, Ele também refreia os filhos irresponsáveis e imprudentes, que pretendem usufruir dos excessos prazenteiros antes de ultimarem os seus deveres espirituais. Quando o homem usufruir de sua consciência emancipada, ele saberá libertar-se dos artificialismos transitórios, que iludem mas não satisfazem! Quem não é escravo do prazer ilusório é um ser liberto do sofrimento!

 

PERGUNTA:- Mas, nesse caso, não haveria certo automatismo no crescimento espiritual do homem, cerceando-lhe o livre-arbítrio e anulando-lhe o mérito na ascensão?

RAMATÍS: – O atual estado de consciência terrícola, em confronto com a consciência espiritual de outras humanidades mais evoluídas, equivale à criança irresponsável na fase infantil de engatinhar. No seu primarismo espiritual, o homem terreno também não pode usufruir incondicionalmente do seu livre-arbítrio, pois isso só é compatível com os anjos já libertos dos ciclos reencarnatórios. Mas, à medida que o homem aprimora o conhecimento e purifica o sentimento, ele goza de maior amplitude no exercício do seu livre-arbítrio, porque torna-se cada vez mais seguro na composição de sua felicidade.

Quanto ao mérito, é de somenos importância, pois a escalonada angélica não é competição promovida por Deus no sentido de premiar as almas vencedoras com ricos troféus eternos! O crescimento espiritual é um problema todo particular, de foro íntimo. O Universo aí está para o espírito usufruir dele tanto e quanto puder dispor e assimilar da Vida, até o ponto em que a sua vivência não perturbe a vivência do próximo! Fica-lhe o direito de agir como bem quiser, mas cessa o seu livre-arbítrio, assim que principia a prejudicar o próximo!

 

PERGUNTA: – Também deveríamos crer que o autor da bruxaria logre benefícios através do seu ato tão aviltante?

RAMATÍS: – De acordo com a Lei, a “cada um segundo as suas obras”, ou, “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, não há dúvida de que o feiticeiro há de sofrer os efeitos cármicos do seu malefício. Não importa se a vítima da bruxaria seja beneficiada pelas amarguras, vicissitudes e dores que lhe acometem a existência carnal por força de uma vingança, mas o feiticeiro terá de receber os impactos reversivos de sua ação destrutiva e dificilmente escapará aos padecimentos atrozes nos charcos repulsivos nutridos pelos mesmos fluidos impuros e mortificantes que mobilizar em desfavor de outrem. Infeliz e desgraçada é a criatura que movimenta as forças criadoras para fins destrutivos, pois ela as recebe de volta centuplicadamente no seu potencial energético.

Mas, em virtude da função drástica expiativa e ao mesmo tempo redentora da dor, o mago ou o mandante do feitiço também são esmagados pelas próprias criações e atos maléficos, que movimentam contra os seus desafetos. Daí o velho e tradicional aforismo de que “o feitiço sempre volta-se contra o feiticeiro”, cumprindo-se a divina e sábia profilaxia de que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”! Eis por que, dentro do próprio mecanismo da malignidade do enfeitiçamento, em que o seu autor é punido pelo desrespeito às leis divinas, ele também se purifica e se redime sob o sofrimento compulsório, ajustando-se ao conceito de nossa obra: Magia de Redenção!

FIM DE MAGIA DE REDENÇÃO

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Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral