Mau-olhado

Capítulo 10

O mau-olhado

PERGUNTA: – Há fundamento no fato de certas pessoas serem portadoras do mau-olhado?

RAMATÍS: – O mau-olhado é um acontecimento bastante comum em certas regiões da Europa, cujas criaturas de instintos muito primitivos e vingativos assemelham-se a verdadeiros geradores de maus fluidos!

PERGUNTA: – Há diferença entre as pessoas que têm “jettatura” e as de mau-olhado?

RAMATÍS: – Em ambos os casos, o fenômeno é o mesmo. “Jettatura” é palavra derivada do latim “jectitare”, significando lançar, mas sinonimiza feitiço ou má influência que certas pessoas exercem sobre as outras por meio do olhar. Antigamente era fenômeno muito temido entre o povo grego e italiano.

 

PERGUNTA: – Qual é o fundamento do mau-olhado?

RAMATÍS: – E conseqüente da projeção do raio vermelho de natureza primária e penetrante, o qual resulta principalmente do acúmulo de fluidos nocivos em torno da região ocular de certas criaturas. É uma condensação mórbida, que se acentua na área da visão perispiritual, produzindo uma carga tão aniquilante ou ofensiva, conforme seja o potencial e o tempo de fluidos enfermiços acumulados.

 

PERGUNTA: – Poderíeis exemplificar-nos a respeito do potencial e do efeito do mau-olhado?

RAMATÍS: – Sabe-se que os insetos e répteis venenosos se tornam inofensivos, depois de terem despejado a sua carga tóxica sobre alguma vítima, pois a virulência da picada também depende da quantidade do veneno acumulado no momento da ação agressiva. Daí, o fato de nada acontecer a algumas pessoas mordidas por cobras e aranhas venenosas, enquanto outras sucumbem fatalmente sob a picada dos mesmos répteis. Mas o fato explica-se facilmente, pois enquanto as primeiras foram atingidas por diminuta cota de veneno dos répteis, as segundas tiveram a infelicidade de sofrer o impacto de uma carga tóxica vigorosa.

Isso acontece com as pessoas portadoras de mau-olhado cujo efeito ofensivo também depende da maior ou menor quantidade de fluido nocivo, que elas retêm no olhar no momento da descarga maléfica. O mau-olhado parece coisa lendária, supersticiosa e crendice, porque o seu poder ofensivo, capaz de liquidar plantas, flores, aves ou animais de pequeno porte, só é positivo quando na sua projeção coincide de extravasar a máxima carga do fluido pernicioso. Considerando-se que uma ninhada de pintos, uma planta de bela florescência ou um pássaro delicado podem extinguir-se tanto por efeito do mau-olhado, como conseqüente de acontecimentos comuns, então é muito difícil saber-se quando é realmente o mau-olhado!

Sem dúvida, as pessoas cépticas e de mentalidade científica são capazes de alinhar diversas conjeturas para justificar o acontecimento desairoso e inesperado do mau-olhado. A planta tão florescente pode extinguir-se por falta de adubo adequado ou pela ofensiva de insetos venenosos; o pássaro teria sido vítima de uma enfermidade desconhecida e os pintainhos, frágeis e desamparados, morrem tão facilmente. 1

1 – Considerações do Dr. Norberto R. Keppe, psicanalista da Clínica do Aparelho Digestivo, Serviço do Praf. Edmundo Vasconcelos, do Hospital de Clínicas, da Universidade de S. Paulo, ao comentar a introdução da obra Fenômeno Psi e Psiquiatria, do famoso parapsicologista J. B. Rhine: “Quando criança. determinada senhora, que nos visitava, cada vez que cobiçava uma flor, uma planta de pequeno porte, ou mesmo uma ave, depois de alguns dias a planta secava e o pássaro morria. Tínhamos uma trepadeira com um tronco respeitável, pela idade. Pois bem, essa mulher conseguiu liquidá-la num simples olhar! Quando percebemos a sua maléfica influência, não a deixávamos mais ultrapassar a porta da sala”.

 

PERGUNTA: – O mau-olhado é uma condição mórbida permanente na criatura ou também pode surgir acidentalmente?

RAMATÍS: – Também pode surgir de modo acidental, em certas pessoas fortemente invejosas ou enciumadas, que se encolerizam com facilidade. Elas geram uma carga fluídica perniciosa, que por lei de equilíbrio vibratório precisa ser descarregada, sobre algo que atraia a atenção ou desperte uma impressão violenta. Ademais, em face do primarismo espiritual da humanidade terrícola, é muito comum o intercâmbio de petardos fluídicos lançados dos olhos e gerados pelo ódio, ciúme, inveja ou vingança! O homem é uma poderosa usina viva e criadora quando sintoniza-se à freqüência angélica; mas destrói e infelicita, quando nivela-se às faixas diabólicas da vida inferior!

 

PERGUNTA: – Gostaríamos de conhecer melhor a ação e o processo do mau-olhado.

RAMATÍS: – A mente humana é uma estação emissora! Na pessoa estigmatizada pelo mau-olhado, a substância mental excita-se facilmente, quando sob a força de algum desejo veemente, emoção violenta ou sentimento incontrolável. Os fluidos constritivos, em circuito magnético, descarregam-se sobre os objetos, vegetais, aves, animais ou seres humanos!

Sob o impulso detonador da mente, essa descarga fluídica ou jato maléfico atinge o campo etereomagnético dos objetos ou seres, e ali adere, penetrando, pouco a pouco, na sua constituição física. Sabe-se que certas crianças alvoroçam os vermes intestinais e adoecem quando são frustradas por algum desejo veemente de guloseimas, brinquedos ou mesmo caprichos excêntricos. Isso prova que um capricho ou desejo ardente nutrido por forte emoção também pode produzir e lançar impactos fluídicos daninhos sobre a própria criatura, a ponto de desarmonizar-lhe o equilíbrio vital das coletividades microbianas responsáveis pela organização carnal.

É óbvio que uma carga fluídica violenta lançada sobre outros seres delicados, como aves, pássaros, animais de pequeno porte ou crianças tenras, ainda pode causar perturbações mais graves, se, além de sua natureza agressiva, ainda conduzir as emanações mentais de ódio, raiva, inveja ou ciúme. Conforme seja a quantidade de fluidos nocivos que se acumulam à altura da região visual das pessoas de mau-olhado, disso também resulta o grau de intoxicação magnética fluídica onde incide. A carga maciça do raio vermelho projetado do mau-olhado, reveste-se do energismo mental, astral e etéreo do seu portador, e na sua descarga afeta o duplo etérico de aves, plantas ou seres, ali incorporando o fluido danoso e produzindo os efeitos letárgicos opressivos, desarmônicos e até destrutivos. 2

             2 – Nota do Médium: – Rasputin chegava a intoxicar certas pessoas pela simples projeção do seu olhar diabólico, enquanto Jesus despertava as forças criativas nos enfermos e aleijados, através do energismo vitalizante dos seus olhos. Em criança, assisti a um indivíduo firmar o seu olhar daninho sobre um pardal, e o pássaro infeliz caiu do arvoredo estrebuchando.

Três dias depois, o peru movia-se aos arrastos pelo terreiro e morria sob estranhos tremores, enquanto os entendidos diziam que ele fora morto de melancolia, devido a mau-olhado!

 

PERGUNTA: – O mau-olhado é sempre conseqüência de uma pessoa maldosa?

RAMATÍS: – O mau-olhado, já explicamos, também pode originar-se acidentalmente de estados de espírito censuráveis, como ambição, inveja, ciúme, despeito, ira, cobiça ou vingança, projetando fluidos ruinosos.

Mas há pessoas de bons sentimentos portadoras do mau-olhado, que sofrem crucialmente por causa das mortificações e prejuízos ou males involuntários semeados na vida do próximo! Basta, às vezes, expressar o desejo muitíssimo natural de possuir uma planta, ave ou animal, que outros possuem, para que a carga fluídica acumulada no olhar se despeje sobre tais coisas ou seres, produzindo efeitos nefastos, como doença, melancolia e até a morte. 3

3 – Nota do Médium: Quando eu era noivo de minha atual esposa, freqüentava a casa de meu sogro um senhor libanês, homem humilde e serviçal, e que muitas vezes vi com lágrimas nos olhos, porque sabia-se portador do mau-olhado. Meu sogro, de origem italiana, homem despachado, certo dia, num ímpeto amistoso, apanhou o seu amigo pelo braço e levando-o até junto de um majestoso peru que havia adquirido para a festividade de Natal, disse-lhe: “Turco, dizem que você tem ‘olho ruim’! Pois então descarregue essa ruindade boba nesse bicho, e veja como tudo isso é besteira!”.

 

PERGUNTA: – Por que as pessoas de bons sentimentos também podem ser portadoras do estigma do mau-olhado?

RAMATÍS: – Infelizmente, conforme preceitua a lei cármica, a “semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. Em conseqüência, mesmo depois de nortearmos a agulha de nossa vida espiritual para o Norte do Cristo, ainda temos de colher os frutos ruins da sementeira imprudente do pretérito. Embora a criatura viva atualmente uma conduta sadia e benfeitora, nem por isso ela fica livre dos efeitos daninhos que resultam dos seus desatinos pregressos. A criança, que por traquinagem ou rebeldia espalha o lixo no jardim ou nas calçadas, é obrigada a recolhê-lo novamente, embora prontifique-se a jamais cometer tal desatino. Quem transforma o seu lar num salão de festas sob a prodigalidade alcoólica, depois terá de limpar o assoalho, os móveis e tapetes, mesmo que deplore a sua imprudência. O homem que, num momento de cólera, envenenou a cisterna de água pura, mesmo depois de arrependido terá de esgotá-la completamente para mitigar a sede.

O espírito que em vidas anteriores serviu-se indiscriminadamente de energias subvertidas para semear prejuízos e dores alheias, a fim de usufruir egoisticamente os bens prematuros, mesmo depois de convertido ao bem, ainda sofre os efeitos dos seus atos ruinosos. A Lei Cármica não atua como processo punitivo das ações irregulares e pecaminosas do espírito, mas apenas determina o ônus “a cada um segundo as suas obras”!

 

PERGUNTA: – Mas conhecemos criaturas tão magnânimas e santificadas, que achamos um verdadeiro sacrilégio acharem-nas portadoras de mau-olhado!

RAMATÍS: – Ainda não transitam pela superfície da Terra “inocentes”, “santos” ou “corações puros”, injustamente estigmatizados com mau-olhado, câncer ou enfeitiçamento. Malgrado a surpresa das pessoas que nada encontram de nódoa ou culpa nessas almas boníssimas e aparentemente injustiçadas, elas colhem os frutos podres das ruins sementes lançadas no passado!

Mesmo devotando-se ao bem, elas podem ser portadoras do mau-olhado, cujo fluido pernicioso ainda é o residual sobejado das existências anteriores! Sem dúvida, elas sofrem e mortificam-se, curtindo remorsos pelos prejuízos que semeiam involuntariamente, devido ao prolongamento da ação e da carga maléfica estigmatizada nas atividades de outrora. Elas percebem o temor alheio à sua amizade e suportam os mais cruéis vexames das criaturas primitivas, pois são alvo de práticas supersticiosas e esconjuros hostis contra o seu “olho ruim”! 4

4 – Nota do Médium: – Quando menino, presenciei um acontecimento trágico a que somente agora dou o devido apreço. Defronte de minha moradia viera morar uma senhora procedente de Pernambuco, simpática e bastante serviçal para com os vizinhos. Mas alguns meses depois corria a notícia de que ela possuía mau-olhado provocando na vizinhança as mais descontroladas reações e temores. Dali por diante, a infeliz senhora foi responsabilizada por toda espécie de doenças, desentendimentos caseiros, morte de aves, quebranto de crianças e prejuízos nas plantações. Quando ela aparecia à janela, os vizinhos persignavam-se ostensivamente, faziam esconjuros e figas, inclusive algumas mandingas à sua porta, a fim de ela mudar-se! Finalmente, certo dia estourou a notícia trágica; ela suicidara-se com soda cáustica, desesperada pelo sofrimento de tão estranho estigma!

 

PERGUNTA: – E que poderiam fazer tais pessoas para diminuir ou neutralizar os efeitos danosos do próprio mau-olhado?

RAMATÍS: – Só a continuidade de uma vida regrada, amorosa e sacrificial ao próximo poderá reduzir no ser um estigma tão infeliz! O fluido mau do passado, acumulado na região perispiritual adjacente à visão humana, lembra o fenômeno da água suja da cisterna, a qual deve ser esgotada incessantemente para surgir a água limpa. No caso do mau-olhado só há duas coisas a fazer: a criatura libertar maior cota de luz interior pela renúncia, pelo amor e perdão incondicional a todas as ofensas do mundo, ou descarregar o fluido do seu mau-olhado em algum objeto que sirva propositadamente para um despejo preventivo. Aliás, a carga maligna do mau-olhado se enfraquece pelo seu esgotamento natural ou então purifica-se pelo sofrimento.

 

PERGUNTA: – O mau-olhado também pode afetar as crianças?

RAMATÍS: – A projeção do mau-olhado nas crianças causa o quebranto, uma “prostração, fraqueza ou suposto resultado mórbido”, conforme diz o dicionário comum. O povo pressente que se trata de uma carga fluídica, pois quando uma pessoa boceja é costume dizer-se que ela está com quebranto. Em nossa esfera espiritual o quebranto é conhecido por “anemia etérica”, pois o duplo etérico, o veículo intermediário entre o perispírito e o corpo físico, é que recebe o impacto fluídico do mau-olhado ou do enfeitiçamento, sofrendo a desvitalização local.

Há criaturas que produzem o quebranto devido a inveja, ciúme ou frustração pela criança alheia, a qual é mais robusta, inteligente ou esperta do que seus filhos. Devido à sua inconformação e infelicidade, mães e pais de crianças aleijadas ou retardadas podem produzir e lançar fluidos mórbidos contra os filhos alheios sadios.

 

PERGUNTA: – No entanto, causa-nos espécie a existência desse poder maléfico, e que nos olhos humanos causa prejuízos ao próximo!

RAMATÍS: – O poder benéfico ou maléfico do espírito humano age por meio dos pensamentos e pelo corpo astral através dos sentimentos e emoções. É nos olhos que se acumula, particularmente, o bom ou o mau fluido mental, e que resulta a cada momento das boas ou más ações de nossa alma. Mesmo os poetas e literatos do mundo já gastaram toneladas de tinta para dizer que os “olhos são o espelho da alma”! Através deles projetam-se todos os matizes dos sentimentos e pensamentos das criaturas; por isso, a literatura romântica tradicional atribui aos seus personagens “olhos felinos, argutos, cobiçosos, balsâmicos, frios, amorosos, amargurados, cruéis e astuciosos”, e outras dezenas de definições pitorescas, buscando identificar a multiplicidade de sentimentos e pensamentos do espírito nas suas relações íntimas com o mundo exterior. O fluido elaborado e potencializado no âmago do ser traz a sua marca ou característica pessoal, e quando flui pelo olhar, é energia que vitaliza, conforta e anima o próximo, ou então, a força que debilita, arruína e desanima. O olhar misterioso e hipnótico do mago a impor a sua vontade criadora nas almas mais débeis é um símbolo tradicional de forças existentes nos olhos, é a revelação da vivência íntima do espírito.

O quebranto, portanto, resulta do impacto mental e astralino fluídico lançado pelos olhos de alguém, sendo tão mórbido ou inofensivo, conforme seja o potencial e a natureza psíquica do seu autor.

 

PERGUNTA: – Existe algum poder na fitinha ou figa vermelha, comumente colocadas no pescoço das crianças, junto de certas flores, aves, animais ou gaiolas de passarinhos?

RAMATÍS: – Lembramos-vos, novamente, que os “semelhantes atraem os semelhantes”, pelo qual motivo a fita, figa ou qualquer outro objeto de cor vermelha têm por função absorver a cota nociva das pessoas de mau-olhado. De acordo com os princípios da cromosofia, ciência da cor, o vermelho é a tonalidade de intensa vibração no plano físico, que excita e destaca-se sobre qualquer outra cor e vos chama a atenção. Girando rapidamente um ramalhete de flores seleciona das entre todas as cores existentes, nesse rodopio colorido, sempre atrairá a atenção dos vossos olhos principalmente a espécie de cor vermelha.

O sangue, linfa da vida, é caldeado no vermelho, pois o vermelho é realmente uma cor primária, física e excitante. Os clarividentes podem confirmar-vos que no mundo astralino, inferior, tudo o que é vigoroso, hostil, impressionante, explosivo e dominante é de cor vermelha, no simbolismo flamejante do fogo no tom encarnado das paixões primárias. Os espíritos desencarnados sensuais e escravos das paixões violentas do mundo carnal mostram-se com as auras de um vermelho-escuro fumoso. Todos os tons vermelhos brilhantes e afogueados, obscuros e ostensivos, revelam as nuanças de paixões primitivas. Nas corridas de touros, o vermelho é a tonalidade preferida para excitar os animais e torná-los descontrola dos de raiva.

A cor vermelha fixa-se com facilidade na retina humana e influi fortemente no ser humano, sendo preferida entre os selvagens e nas fantasias de carnaval. Algo mórbido e hipnótico surge dessa cor, devido à predominância de suas vibrações vigorosas em qualquer plano adjacente à Terra. Sob a nossa visão espiritual, temos visto que a própria nota musical primária “dó” é profundamente vermelha, dominando fortemente sobre as demais notas na execução de peças musicais.

O mau-olhado é descarregado rapidamente pelas pessoas na primeira pousada de olhos sobre objetos ou seres que mais os impressionam; por isso, as fitas ou objetos vermelhos colocados no curso desse olhar condensam e absorvem imediatamente a carga tóxica fluídica no seu duplo etéreo, livrando de ação nefasta coisas e seres mais preciosos.

 

PERGUNTA: – Por que os recém-nascidos ou as crianças de tenra idade são alvo mais comum desse quebranto? Seria justa essa vulnerabilidade, tratando-se de criaturas que mal despertam para a vida física?

RAMATÍS – A criança é o corpo físico do espírito que renasce na matéria para recuperar-se dos débitos das vidas anteriores, cujo credor é o próprio planeta onde habita. Todavia, tratando-se de espírito já onerado carmicamente pelos desacertos espirituais no pretérito, embora criança, já nasce vulnerável às hostilidades do meio físico. Algumas crianças nascem marca das pelo estigma das doenças congênitas; outras, desde o berço, são assediadas implacavelmente por velhos adversários de existências anteriores e vítimas das cargas fluídicas malignas do mundo.

Dificilmente elas conseguem opor defesa eficiente ao quebranto que se produz pelas cargas do mau-olhado, assim como a planta tenra verga sob o impacto do vento gélido. A criança, sob o impacto do mau-olhado, abate-se e empalidece, num estado de anorexia e fica prostrada, algo desligada da vida física. A medicina comum emprega os recursos tradicionais da vitaminoterapia, para restabelecer o equilíbrio na vida da criança com quebranto, mas é impotente para eliminar o mal que é de origem etéreo-astral. Em tal caso, só o benzimento confiante e de boa-vontade, ministrado por criaturas entendidas, constitui-se na melhor terapêutica pela renovação de bons fluidos.

 

PERGUNTA: – Quais seriam os recursos mais eficientes para protegermos a criança em sua fase tão delicada?

RAMATÍS: – Até os sete anos de idade a criança é amparada pelo espírito do técnico que lhe preside a reencarnação, e que a vigia até a glândula timo ultimar a sua função fisiológica. A tradição católica chama de “anjo-da-guarda” essa figura protetora, e a terminologia espírita ensina que é o guia, cujo êxito também depende muito do fardo cármico do espírito reencarnante.

Mas ainda é a vigilância espiritual da mãe, a verdadeira médium da vida, a defesa mais vigorosa e positiva da criança no mundo físico contra os maus fluidos do mundo oculto. Em sua fase infantil o espírito encarnado não só absorve as características próprias do espírito materno, como ainda alimenta-se de suas emanações protetoras.

 

PERGUNTA: – Só a cor vermelha pode atalhar o mau-olhado?

RAMATÍS: – Os objetos ou cousas na cor vermelha podem desempenhar duas funções proveitosas contra o mau-olhado: primeiramente, absorvem a emanação nociva e concentram o raio vermelho, enquanto pelo seu aspecto ou natureza excêntrica atrai e desvia o olhar nocivo, que deveria incidir sobre certa planta, ave ou criança.

Mas não é apenas a cor vermelha que se presta para neutralizar o raio vermelho produzido pelo inusitado fenômeno do mau-olhado; quaisquer objetos de aspecto gritante, excêntrico e incomum ou até assustador podem atrair a atenção das pessoas, fazendo-as descarregar ali a sua dose fluídica nociva. Por isso, é algo comum encontrarem-se ferraduras, chifres de animais, amuletos gigantescos, carantonhas burlescas, imagens excêntricas ou demais objetos insólitos colocados em portões ou nas portas de residências do interior, que têm a função de atrair a veemência do mau-olhado. Trata-se de singela defesa magnética para desviar o fluido ruim através de um recurso excêntrico, mas eficaz, que então condensa a carga maléfica, evitando que ela incida e prejudique pássaros, plantas, flores, animais e crianças mais delicadas.

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Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral