Objetos de feitiçaria

Capítulo 4

Enfeitiçamento por meio de objetos

 

PERGUNTA: Que se deve entender por condensadores maléficos colocados em pontos estratégicos das vítimas de enfeitiçamento?

RAMATÍS: – Condensadores de enfeitiçamento, já o dissemos, são objetos de contato mais íntimo, furtados às pessoas a serem enfeitiçadas. Os feiticeiros catalisam neles forças primárias, excitadoras enfermiças, que depois projetam-se em direção à aura dos seus próprios donos! Certos objetos, além de sua função de condensadores malévolos, ainda funcionam como transformadores de corrente fluídica, contribuindo para abaixar mais rapidamente o campo vibratório defensivo na aura do enfeitiçado.

 

PERGUNTA: – Como é possível tais objetos causarem perturbações à distância, sem qualquer ação propriamente física ou material?

RAMATÍS: – Na lei de “correspondência vibratória”, a matéria reage sobre a matéria, a eletricidade sobre a eletricidade, o magnetismo sobre o magnetismo, o fluido sobre o fluido, a radiação sobre a radiação, o pensamento sobre o pensamento e o sentimento sobre o sentimento. E como os objetos, coisas e seres do mundo, apesar de sua contextura e configuração física, são campos das mais variadas energias condensadas ou materializadas do Cosmo, eles podem ser ativados por forças do mesmo nível de vibração e descarregar sua carga saturada sobre pessoas visadas pelos feiticeiros!

A vítima vincula-se ao mesmo campo subvertido dos objetos enfeitiçados através do seu duplo etérico, convertendo-se numa estação receptora de maus fluidos, espécie de excêntrico fio-terra, que recebe o impacto ofensivo e descarrega resíduos para o solo num fluxo contínuo de carga e descarga.

 

PERGUNTA: – Porventura, essas energias subvertidas ou agressivas já não existem livres, em torno de nós, podendo prejudicar-nos sem qualquer necessidade de ritos ou processos de enfeitiçamento?

RAMATÍS: E de senso comum que o acasalamento de energias e a receptividade de forças dispersas pela Natureza dependem fundamentalmente de sua sintonia de freqüências simpáticas. O vapor de água, conquanto provenha da própria água, sobrepaira sobre o rio e não se acasala ao mesmo, salvo se mudar a sua freqüência transformando-se em líquido; os raios de sol penetram mas não se fundem aos novelos de fumaça, nem perdem a sua característica de luz e calor, mesmo operando num ambiente eletrificado; a carga elétrica, por sua vez, não se mistura com o ar atmosférico, embora este lhe seja o veículo de transmissão. A eletricidade, os raios ultravioleta, infravermelhos, ultra-som, raios roentgen, as ondas hertzianas ou de televisão, embora sejam energias provindas da mesma fonte cósmica, não se confundem nem se acasalam, resguardando-se nas suas freqüências peculiares. Ademais, a força elétrica de 110 volts não se ajusta à de 220 volts, assim como os 10.000 volts da usina superam todas as baixas voltagens.

Não há invasão de propriedade alheia na multiplicidade de freqüências de energias mais variadas no Cosmo. O homem pode viver cercado das energias mais poderosas e agressivas, sem dar por isso ou se enfeitiçar; mas, quando inteligências subvertidas e experimentadas na movimentação maléfica dessas forças planetárias, modificam a freqüência original de certa energia, podem ajustá-la habilmente à mesma freqüência áurica da pessoa que é alvejada para o malefício. Os magos e feiticeiros, que operam com eficiência no mundo oculto, podem mobilizar e acasalar forças incomuns aos sentidos físicos, interferir malevolamente no corpo dos encarnados, acicatando-lhes as emoções ou alterando-lhes o campo mental, como é o caso de obsessão.

 

 

PERGUNTA:Cremos que certas pessoas são favoravelmente eletivas ou receptivas para o acasalamento dessas energias perturbadoras, não é assim?

RAMATÍS: – A intenção principal do feiticeiro é vincular a organização psicofísica da vítima e subvertê-la através da irradiação de forças inferiores emitidas pelos objetos condensadores e previamente catalisados para a sua ação mórbida. Em seguida, processa-se o acasalamento dessas energias subvertidas em reação de cadeia magnética.

O feiticeiro, após isso, limita-se a controlar e ativar mentalmente a fluência fluídica perniciosa entre os condensadores e o enfeitiçado. Sob a ação contínua dos dardos fluídicos de natureza inferior, descontrola-se e baixa a freqüência vibratória do mesmo, enfraquecendo a sua defesa áurica.

 

 

PERGUNTA: – Qual seria o processo técnico ou científico de nosso conhecimento, que nos auxiliasse a entender melhor a operação de bruxaria?

RAMATÍS: – É na aplicação e técnica de eletricidade, que poderemos encontrar termos e operações semelhantes para a melhor elucidação da prática do enfeitiçamento. O processo de catalisar ou dinamizar objetos para o êxito de feitiçaria encontra certa analogia na operação de “eletrizar”, ou “desenvolver” a propriedade elétrica natural das coisas e dos seres.

A história terrena diz que a experiência mais antiga sobre a eletricidade foi realizada pelos gregos, que friccionavam o âmbar com pedaços de pele; dessa fricção ele adquiria propriedades singulares, uma espécie de excitação, que hoje é conhecida por “estado elétrico”. Mas essa experiência de eletricidade ainda não é a mais velha, pois os homens das cavernas também sabiam eletrizar, friccionando paus e pedras para produzir o fogo. A diferença é que enquanto o âmbar, sob o fenômeno da fricção, fica alvoroçado, excitado ou sobrecarregado de eletricidade, a mesma eletricidade exaltada pelo homem do sílex, em paus e pedras, consumia-se, de imediato, na forma do fogo.

Por isso, o povo diz que certo orador altiloqüente “eletrizou” ou “galvanizou” o público, assim como diante da pessoa inquieta, irritada, arrogante ou exaltada, também é muito comum perguntar-se por que ela está toda “elétrica”, ou “eletrizada”. Isso também implica em dizer, que além do indivíduo ativar o seu campo bioelétrico, manifestando-se numa condição incomum, ainda influi e transmite para o exterior a sua própria eletrização.

Em termos de eletricidade, os objetos enfeitiçados e saturados de forças primárias e fluidos elétricos atuam sobre o enfeitiçado e o “eletrizam” incessantemente, podendo levá-lo a atos tão perigosos como o suicídio e a loucura.

 

 

PERGUNTA: – Embora considerando-se o processo do feitiço em termos de eletricidade, como é possível que esses condensadores físicos e estáticos possam emitir energias destrutivas numa ação demolidora, à distancia?

RAMATÍS: – Depois que Marconi acendeu as luzes do monumento do Cristo, no Corcovado, pela emissão e controle remoto de ondas eletromagnéticas projetadas do seu iate “Eletra”, desapareceram os obstáculos e impedimentos para quaisquer operações semelhantes de energias lançadas à distancia.

O homem moderno senta-se comodamente numa cadeira, apanha a sua caixinha elétrica, e, através de um toque sutil, supera a distância entre ele e a televisão, selecionando a estação preferida, independente de qualquer elo material entre ambos. Os objetos estáticos também são núcleos de eletricidade dinâmica a fluir incessantemente dos atritos e reações gravitacionais entre os elétrons e núcleos atômicos. Quando essa carga é excitada, o objeto de sua ação transforma-se num agente ativo e emissor de eletricidade, variando conforme o potencial desperto na sua excitação. .

Futuramente, as experiências científicas de laboratórios poderão esclarecer, facilmente, os processos de feitiço ou encantamento, pela análise de sua ação análoga ao controle científico de ondulações, freqüências, eletrização, indução, acoplamento, carga dinâmica, estática ou modulações! Feitiço, benzimento, quebranto, passes, telepatia, radiestesia, psicometria, mau-olhado, amuletos, talismãs, defumações, banhos de descarga, hipnose, fenômenos mediúnicos de levitação, bilocação, desmaterializações ou voz direta, água fluidificada, semeaduras e colheitas de plantas em horas “favoráveis” ou demais crendices e superstições, serão explica das cientificamente, fora de qualquer dúvida. Então os cientistas verificarão que tudo provém de uma só fonte de energias, embora variando em suas freqüências, a manifestar-se sob implacável disciplina vibratória, na forma de acontecimentos “incomuns”, mas não “anormais”!

 

PERGUNTA:- Mas, em face do progresso da ciência humana, ela já não teria podido esclarecer essas coisas duvidosas?

RAMATÍS: – A eletricidade, malgrado ser conhecimento tão corriqueiro no século atual, já foi considerada outrora força misteriosa e miraculosa produzida pelos magos, que então seriam mancomunados com o Diabo! Porventura, os médiuns já não foram considerados bruxos e queimados nas fogueiras da Inquisição?

Os magos, alquimistas e homens miraculosos do passado operavam no seio das confrarias iniciáticas, templos sagrados e ambientes sigilosos, onde investigavam e experimentavam os fenômenos da vida oculta, semelhantes aos abnegados cientistas modernos, que hoje se encerram nos laboratórios, para descobrirem novos recursos energéticos a favor da humanidade. Sem dúvida, os seus precursores e amadores também eram cientistas, pois abriam clareiras de luz no denso cipoal. do mito, da superstição e da ignorância humanas, desvendando forças e elementos benfeitores acima das fantasias e crenças primitivas dos homens temerosos! Eles vibravam, felizes, quando conseguiam produzir uma chispa elétrica, a trepidação magnética de um objeto ou transmitir o pensamento a poucos metros de distância; comoviam-se até às lágrimas, ante a fugaz presença de um espírito, após exaustiva e demorada ritualística para obter uma pitada de ectoplasma!

Os acadêmicos envaidecidos, que ainda zombam dos velhos alquimistas e dos seus experimentos empíricos, ignoram e esquecem as grandes mancadas dos próprios cientistas modernos. O Doutor Morel, exaltado membro da Academia de Ciência de Paris, expulsou da sala o representante de Edison, atirando pela janela o fonógrafo ou “máquina de falar”, inventada na época, sob o protesto de que era pura mistificação a ousadia do homem gravar a voz humana numa chapa de metal! E o próprio Edison, mais tarde, num momento de infeliz burrice científica, também negou a possibilidade de os Irmãos Wright voarem em aparelhos mais pesados do que o ar! Pasteur sofreu zombarias de homens eruditos, quando anunciou a existência de microrganismos no fenômeno da fermentação; Harvey foi ironizado despudoradamente, ao demonstrar o esquema da circulação sangüínea; Sommelweiss, o “profilático”, era alvo de risotas de seus colegas e alunos, quando aconselhava que todos lavassem as mãos antes do parto, a fim de se evitar a febre puerperal!

Os médicos modernos riem-se dos seus colegas ancestrais, que competiam com os ferreiros e barbeiros, na época da terapêutica das cauterizações e sangrias; mas, no futuro, os doutores também hão de rir-se, a bandeiras despregadas, diante das estampas que mostrem os atuais cirurgiões arrancando órgãos e peças do corpo humano devido ao fracasso da clínica, ou porque enfiam arames aguçados nas veias e carnes dos pacientes, sob a cruel terapia das injeções. Muita ciência médica, hoje respeitosa e positiva, não passará de superstição, crendice e motivo de ironia, quando for revista pelos médicos e cientistas do futuro!

 

PERGUNTA: – Por que os objetos de enfeitiçamento, em geral, são encontrados em colchões, travesseiros e acolchoados?

RAMATÍS: – Os condensadores de bruxaria absorvem maior cota de energias vitais humanas, quando ficam em contato mais freqüente com a vítima enfeitiçada. Daí, a preferência por travesseiros, colchões e acolchoados confeccionados com penas arrancadas de aves, crina tosada de cavalos, lã extraída dos carneiros e até casacos de peles de marta ou de “vison”, porque tais coisas, além de bastante impregnadas do tônus vital da fonte de onde provieram, ainda são de uso freqüente das vítimas embruxadas.

 

PERGUNTA: – Qual é o motivo da maior impregnação de tônus vital nesses apetrechos utilizados no enfeitiçamento?

RAMATÍS: – As galinhas, os marrecos, gansos, patos, carneiros e cavalos são seres vivos e, por isso, dotados de eletricidade biológica, energia que foge pelas pontas, obediente à conhecida lei da física dos fenômenos eletromagnéticos. Então, as penas, lã ou crina, funcionam como verdadeiros cabos vivos de descarga eletrobiológica ou eletromagnética. Ademais, o processo de arrancar-se as penas das aves, quando vivas, ainda favorece o trabalho de bruxaria, pois a ave descarrega maior cota do seu tônus vital dinamizado sob as contrações nervosas da dor!

Os casacos de pele, travesseiros de penas, acolchoados de lã e colchões de crina animal são campos de magnetismo de alta freqüência, o qual alimenta favoravelmente o potencial elétrico dos apetrechos de feitiçaria. A influência eletromagnética das roupas de lã de carneiro é tão acentuada, que inúmeras crianças sofrem de eczemas, urticárias, brotoejas e surtos de asma, devido a um tipo de alergia inespecífica provinda de tal elemento. Deste modo, os feiticeiros dispõem de excelente contribuição ao seu trabalho maléfico, pois, além dos objetos catalisados no seu campo eletromagnético e que projetam cargas depressivas sobre as vítimas de enfeitiçamento, ainda mobilizam o próprio tônus vital das aves e dos animais, destinado a desmaterializar e transportar os objetos de bruxaria. As penas, a crina, a lã animal e a pele de marta ou “vison” dos casacos exsudam fluidos densos em torno da aura das criaturas enfeitiçadas, favorecendo os espíritos malévolos para as espoliarem vitalmente no fenômeno comum de vampirismo!

 

PERGUNTA: – Poderíeis explicar-nos melhor, quanto ao favorecimento do tônus vital exsudado de aves e animais, nos objetos enfeitiçados?

RAMATÍS: – Esse tônus vital fortalece o campo de magnetismo inferior, porque é impregnado de éter físico animal, vibrando em faixa vibratória acessível aos espíritos vampiros, que à noite andam à cata de energias vitais e nervosas, condensadas e polarizadas em torno da aura dos objetos enfeitiçados que são utilizados pelas pessoas embruxadas! O prana ou energia vital, adulterada pelos descontroles emotivo e mental do ser, durante o dia, adensa-se à noite, à superfície dos plexos nervosos, e paira acima dos “chacras” esplênico e umbilical, os quais governam as atividades do baço e do abdômen.

Disseminando-se pelos demais “chacras”, esse tônus vital de qualidade inferior condensa-se na região do cerebelo e pode ser captado pelos espíritos interessados nas operações obsessivas. O éter físico de má qualidade, que flui através do tônus vital circulante nos “chacras”, é um produto dos impactos mentais pecaminosos, condensando-se à superfície da região “infracraniana”.

 

PERGUNTA: – Certa pessoa de nossa família, depois de curtir sofrimentos atrozes, que provinham do estômago ou dos intestinos, submeteu-se a trabalho de desmancho de feitiço e expeliu do estômago agulhas, botões de osso, fragmentos e resíduos, cuja origem não pudemos identificar. Qual o fundamento disso?

RAMATÍS: – Trata-se de um tipo de enfeitiçamento mais raro e destinado à produção de sofrimentos e perturbações orgânicas, muito preferido por espíritos demasiadamente perversos. Eles materializam no ventre da vítima objetos adrede preparados e os vitalizam ininterruptamente, pelo próprio tônus vital, captado e distribuído pelos”chacras”umbilical e esplênico. Trata-se de um enfeitiçamento mais eficiente, porque os objetos nas entranhas da vítima absorvem continuamente o tônus vital, enquanto os condensadores colocados em travesseiros, acolchoados ou colchões sofrem descontinuidade, porque as vítimas do enfeitiçamento costumam ausentar-se do local onde os mesmos estão situados.

Ademais, quando os encarnados praticam o feitiço para vingarem-se dos seus desafetos, os espíritos desencarnados e familiares costumam tomar a peito o “caso de família”, e passam a cooperar fortemente do Além. Muitas criaturas que partem da Terra odiando vizinhos, parentes ou inimigos gratuitos, ao se acomodarem do “lado de cá”, procuram movimentar os piores recursos para se vingarem. Há cônjuges que, após desencarnarem e descobrirem o adultério de seu companheiro, são tomados de tal fúria vingativa, que assumem os mais ignóbeis compromissos com os malfeitores do Além-túmulo, desde que estes os ajudem na desforra perversa.

 

PERGUNTA: – É certo que os objetos de feitiçaria podem desaparecer dos colchões ou travesseiros, quando a pessoa enfeitiçado resolve procurá-los, ao pressentir ou ser avisada da bruxaria? 1

 

 

1 – Explicou-nos o espírito de Nhô Quim que à simples idéia da pessoa enfeitiçada de abrir o travesseiro ou desmanchar o colchão, os magos das sombras movimentam-se rapidamente a fim de desmaterializarem os objetos ali situados e transportá-los, nos seus moldes etéricos, para outras zonas fora do alcance humano. Entretanto, no caso de trabalhos positivos de desmancho, como sói acontecer com alguns peritos de Umbanda, os chefes de falanges obrigam os feiticeiros a trazer os objetos e os materializarem novamente, para então serem desmanchados dentro do rito adequado.

 

RAMATÍS: – Os objetos ou condensadores de bruxaria, colocados nos travesseiros ou colchões, aparecem e desaparecem, conforme a vontade dos espíritos malfeitores, pois eles materializam ou desmaterializam os “moldes etéricos”, aproveitando-se das próprias emanações vitais degradadas pelas paixões e vícios das vítimas imprudentes. Quando tais espíritos pressentem que os enfeitiçados desconfiam da bruxaria e pretendem investigá-la, eles tratam de desmaterializar imediatamente os objetos colocados nos travesseiros, colchões ou acolchoados. Da mesma forma, procedem quanto aos que estão no estômago de certas vítimas, motivo por que os exames médicos ou chapas radiográficas são negativos.

 

 

PERGUNTA: – Poderíeis dar-nos uma idéia do transporte ou da materialização de objetos, em travesseiros, colchões ou acolchoados?

RAMATÍS: – Na escala do mediunismo espírita, existe o médium de transporte ou de fenômenos físicos, cuja faculdade algo rara lhe permite exteriorizar a força nervosa em fusão com o éter físico e o prana, constituindo o ectoplasma terrícola. Trata-se de matéria invisível, descolorida, pegajosa e fria, que funciona positivamente no limiar de ambos os mundos material e espiritual. É energia sutil, que sob o comando dos espíritos desencarnados pode. materializar e desmaterializar objetos e tal fenômeno escapa à visão física dos encarnados. Sem dúvida, o êxito desse fenômeno depende muitíssimo das condições harmônicas do ambiente, do desafogo espiritual e da despreocupação mental dos presentes. 2

2 – Mesmo nos trabalhos de fenômenos físicos, em que o éter físico é mobilizado em grande quantidade para ativar a composição do ectoplasma e a fluidificação nervosa, ainda é dificultosa a ação dos desencarnados tentando a materialização. Vide, a respeito, as obras Missionários da Luz, capítulo “Materialização”, de André Luiz, edição da FEB; No Limiar do Etéreo, de J. Arthur Findlay, e Elucidações do Além, Ramatís, Editora do Conhecimento, capítulo “Os Trabalhos de Fenômenos Físicos”.

Sob a ação e vontade dos desencarnados, o ectoplasma quando incide nos pés de cadeiras, mesas e quaisquer outros objetos, anula a lei da gravidade ou campo gravitacional em torno dos mesmos, permitindo que tais coisas possam ser levitadas e transportadas. Assim, objetos de menor porte, como flores, medalhas, anéis, copos ou frascos, podem ser desmaterializados e novamente materializados a certa distância do local de trabalho. Consoante a lei de que a matéria é energia condensada, todas as coisas e objetos materiais podem ser desmaterializados ou liberados do seu conteúdo sólido, que a seguir se transforma em energia livre.

Depois de liberta por aceleramento eletrônico â energia, cuja condensação tornava visível o objeto aos sentidos físicos, ali só permanece o seu molde, duplo ou contraparte etérica, absolutamente semelhante à forma habitual, quer seja uma flor, garrafa, fotografia, agulha, medalha, um anel ou retalho de fazenda. Sob tal condição, os espíritos técnicos que chefiam os trabalhos de fenômenos físicos, do “lado de cá”, podem transportar qualquer desses moldes para lugar adrede preparado e ali preenchê-los novamente com a energia livre do próprio ambiente. Disso resulta o fenômeno inverso pelo abaixamento vibratório da energia livre ao estado anterior de matéria.

Embora o objeto desapareça da visão física, esvaziado da energia que preenchia o molde etérico, ele continua nítido e intacto no mundo invisível, através de sua matriz preexistente, podendo ser novamente materializado sem o desperdício de um só elétron da sua configuração física anterior. O fenômeno lembra algo do molde de gesso, que reproduz e plasma inúmeras figuras sem perder a sua constituição original. O que os cientistas processam de modo exaustivo e complexo na desintegração do átomo pelo cíclotron, os espíritos desencarnados o realizam pelo emprego de ectoplasma mediúnico, também obedecendo às leis da física transcendental e sem usar de qualquer violência física.

 

PERGUNTA: – Mas todos os objetos e coisas encontradas em trabalhos, de bruxaria são de fundamento maléfico?

RAMATÍS: – E muito natural que o enfeitiçamento, dada a sua antiguidade, ainda seja uma ciência obscurecida pela superstição, pois desde a Lemúria e a Atlântida, tratava-se de arma terrível, com que certas tribos se exterminavam reciprocamente, à distância, através da mobilização e do emprego de energias maléficas aniquilantes. Mais tarde, os sacerdotes prudentes tentaram velar o mecanismo perigoso da Magia, ao verificar que as criaturas malévolas e vingativas lhe mobilizavam os recursos para fins destrutivos. Eles introduziram símbolos, objetos, ritos excêntricos, cuja função principal era desviar e obscurecer o ritmo iniciático do enfeitiçamento. 3 Havia necessidade de velar de1iberadamente o processo mágico, que podia catalisar a vontade humana e dominar as energias poderosas do mundo oculto. O homem do povo tornaria impossível a vivência humana, caso pudesse dispor das forças incomuns da natureza, a seu modo, semeando malefícios de vinganças e desforras recíprocas.

3 – A Magia, entre os antigos magos, era ciência importante e só processada em ambientes iniciáticos, onde as forças da Natureza eram utilizadas exclusivamente a serviço do Bem. Mas, tratando-se de ciência que tanto pode ser utilizada para o Bem como para o Mal, conforme aconteceu modernamente com a bomba atômica, então nasceu a feitiçaria ou magia negra, processo maligno e vingativo dos segredos da velha ciência da Magia!

Por isso, os processos de bruxaria apresentam acessórios ingênuos, excrescências ridículas ou extravagantes, que deixam confusos os estudiosos do assunto, embora se verifique no enfeitiçamento feito por entendidos um ritmo cientifico disciplinado por elevada ética mágica. A Magia, atualmente, predomina em sua expressão mais iniciática, no campo original do mundo oculto, pois é processo que atua através do corpo astralino do ser, podendo dispensar, pouco a pouco, o uso tradicional de objetos para a condensação fluídica incomum no plano físico. Futuramente, a ação maléfica do feitiço será desenvolvida mais propriamente pela ação mental dos feiticeiros e seus acólitos desencarnados. Mas, devido à tradição e à insipiência da maioria dos fazedores de feitiços, a bruxaria ainda requer o uso de objetos e coisas materiais, que funcionam como condensadores representativos dos três reinos da Natureza.

 

PERGUNTA: – Que significam os condensadores dos três reinos da Natureza, usados no enfeitiçamento?

RAMATÍS: – No processo de enfeitiçamento firmado na matéria, o mais importante não é a configuração ou a forma das coisas e dos objetos em uso malévolo, mas a natureza do seu conteúdo energético, que os sustentam no cenário da matéria. Assim, quaisquer corpos ou coisas podem ser transformados em “acumuladores” ou “condensadores” de força maléfica, e servir de base na bruxaria independentemente de sua constituição física. Importa que sejam de cobre, ferro, alumínio, níquel, chumbo, prata, ouro etc., mas que estejam fortemente impregnados das emanações pessoais da vítima. 4 Daí, o motivo de encontrar-se no processo de enfeitiçamento medalhas, moedas, agulhas, abotoaduras, brincos, canivetes, chaves, correntes, braceletes, anéis, emblemas, distintivos ou piteiras, que firmam as energias do reino mineral; grãos de milho e habitualmente cereais, certos tipos de palhas, ervas tóxicas, raízes de odor agreste, raspas de madeira de boa condutibilidade elétrica, como o cedro, olmo ou álamo, que durante as tempestades atraem com mais facilidade os raios e coriscos, os quais representam as forças do reino vegetal; cabelos, sangue, urina, resíduos humanos, ossos de defunto, sebo, penas arrancadas de aves ou crina de animal, que asseguram o vínculo dinâmico do reino animal!

4 – Vide o capítulo desta obra “O Enfeitiçamento através de Metais Organogênicos”.

 

Na Caldéia e no Egito, os antigos feiticeiros conseguiam firmar feitiços completamente indestrutíveis no rasto das criaturas, quando obtinham das vítimas lágrimas vertidas em momentos de desespero ou roupas femininas, do período catamenial. Ainda hoje, costuma-se usar tocos de cigarros, pentes, escovas ou peças de roupas impregnadas do calor, magnetismo e dos eflúvios emanados do corpo etérico da vítima. Os mais entendidos potencializam o trabalho maléfico com fotografias, miniaturas de bonecos de cera. Os condensadores então funcionam como multiplica dores de freqüência mórbida, captando energias de baixo teor vibratório e projetando-as sobre o local ou pessoa visada no processo enfeitiçante. Daí, também os feiticeiros mais abalizados preferirem as coisas que tenham estado em ambientes enfermiços e contatos fúnebres, como fragmentos de mortalha e apetrechos de caixões de defunto, os quais estão impregnados das auras de sofrimento, desespero, medo ou depressão psíquica de irradiação mórbida.

 

PERGUNTA: – Qual é a ação do milho e outros cereais, inclusive os resíduos animais, na prática de bruxaria?

RAMATÍS: – Alguns cereais, especialmente o centeio, contêm certas energias virulentas, que alimentam satisfatoriamente alguns tipos de fungos venenosos, assim como provocam enfermidades seme1hantes a certos estados de ergotismo e alteração da estabilidade mental. 5

5 – Leia-se o extraordinário artigo intitulado “É Hora de se Levarem os Mitos aos Laboratórios”, inserto na revista O Cruzeiro, de 20-11-1965, destacando os seguintes trechos, em correlação ao exposto acima por Ramatís: “Em 1943, quando pesquisava as propriedades de um componente do ergot, Albert Hoffmann, acidentalmente, nos laboratórios da Sandoz (Suíça), descobriu a composição de uma droga que mais tarde viria abrir novos caminhos ao ainda mal conhecido mundo da mente humana: é o LSD-25 (a dietilamida do ácido lisérgico), substância derivada da cravagem do centeio, preparada quimicamente em laboratório”. Mais adiante (depois de submeter-se ao ácido lisérgico do centeio), Hoffmann diz: “Vi imagens fantásticas de extraordinária elasticidade, acompanhada por um jogo caleidoscópico de cores. Perdi, totalmente, a noção de tempo e espaço; o espaço e o tempo tornaram-se cada vez mais incoerentes e senti-me dominado pelo temor de estar enlouquecendo. O pior era que eu tinha clara consciência do meu estado, mas era incapaz de dominá-lo. Por momentos, sentia-me como se estivesse fora do meu próprio corpo; pensei que havia morrido. Meu Ego estava suspenso em alguma parte do espaço, e vi meu corpo, que jazia morto sobre o divã. Observei que meu Alter Ego perambulava por toda a casa”.

Os resíduos animais contêm o próprio tônus vital deteriorado das substâncias nutritivas e decompostas nas operações químicas do trato intestinal. Embora as nossas elucidações devam impressionar os leitores, pelo seu aspecto algo repulsivo e mórbido de enfeitiçamento, a verdade é que tais coisas precisam ser explica das sem mistérios, ao público, para que as criaturas comprovem a realidade científica do feitiço e potencializem as suas defesas psíquicas, sob a força libertadora dos ensinamentos do Cristo-Jesus. Na formosa parábola do “semeador”, em que o joio nasce junto do trigo, o Divino Mestre adverte quanto aos resultados dos pensamentos e sentimentos humanos, os quais germinam tanto plantas benéficas como maléficas. Quem semear com Jesus, há de colher exclusivamente o trigo sazonado e quem desprezá-lo, contente-se com o joio daninho!

 

PERGUNTA: – Qual é a função dos feixes de agulhas, comumente amarrados com fios vermelhos e habitualmente encontrados na bruxaria?

RAMATÍS: – As agulhas de aço, como os diversos metais condutores de eletricidade, possuem auras fortemente radioativas. Além disso, a sua conformação de filamentos ou fios de aço funcionam como diminutos cabos eletromagnéticos e favorecem bastante o escoamento dos fluidos ativados na bruxaria.

Aliás, repetimos, o enfeitiçamento, dispensando a “camuflagem” lendária com que os magos prudentes lhe velaram o mecanismo específico, é um processo puramente científico. Era atividade conhecida e praticada desde os tempos imemoriais, que catalisava e projetava as energias do mundo oculto, através dos recursos extraídos das substâncias fortemente radioativas, como o aço, cobre e ferro, na confecção de agulhas; moedas, medalhas etc.

 

PERGUNTA: – Gostaríamos de melhores explicações a esse respeito.

RAMATÍS: – Segundo o conceito da Ciência moderna, a matéria é energia condensada, ou manifestação letárgica e derradeira da energia materializada do mundo oculto, no processo de abaixamento vibratório, que depois compõe o cenário físico do mundo exterior. A energia desceu, por assim dizer, do seu campo natural de vida e atividade, para se fazer percebível pelos sentidos físicos do homem.

Qualquer coisa, objeto ou ser, vibra simultaneamente na forma letárgica de matéria e também no estado oculto de energia, como um núcleo energético impregnado de éter físico sustentando a forma física tangível. Essa energia acumulada, na forma de matéria, é uma condição anormal, motivo pelo qual tende à fuga contínua de sua prisão estática. Em conseqüência, uma flor, pomba, homem ou pico de montanha estão envoltos e impregnados por uma aura de luz polarizada, que reflete o halo da própria energia a forcejar incessantemente para se libertar da prisão da forma.

Cada objeto, substância, ave, animal, ou homem, tem o duplo etérico, ou seja, uma duplicata exata da configuração material exterior, um pouco mais ampla e que prossegue atuando incessantemente do mundo oculto, onde é a fonte de sua vida original. Os clarividentes desenvolvidos sabem que o duplo etérico do homem terreno, 6 embora sutilíssimo, ainda é uma composição material modelada com o éter físico, cujo peso oscila entre 60 e 65 gramas. Assim, um fio de cabelo, um elefante, um pinheiro, uma agulha, faca, flor, laranja ou montanha são apenas as configurações visíveis materiais e exteriores de outras figuras idênticas e etéreas, como se fossem recortadas numa transparência nítida de material plástico ou de papel celofane, sob vigoroso potencial de vida ativado no campo das forças magnéticas do mundo oculto.

6 – Vide página 90, do capítulo X, “Sonambulismo Torturado”, da obra Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz, edição FEB que diz: “Com o auxílio do supervisar o médium foi convenientemente exteriorizado. A princípio, seu perispírito ou “corpo astral” estava revestido com os eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne, conhecidos aqueles, em seu conjunto, como sendo o “duplo etérico”, formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao instrumento carnal, por ocasião da morte renovadora”.

A ação mental e dinâmica do feiticeiro, sobre o campo físico dos objetos e seres destinados à função censurável de acumuladores magnéticos de enfeitiçamento, também se propaga pelo duplo etérico dos mesmos, obediente à lei de atração e coesão magnética. Os fluidos acumulados em tais objetos, sob a lei de atração recíproca dos semelhantes, vinculam-se à aura do duplo etérico da vítima e disseminam-se pelo seu perispírito, causando enfermidades e perturbações, que desarticulam o controle intuitivo dos guias sobre a pessoa enfeitiçada. As coisas e objetos materiais, sob a força mental do mago poderoso atuando-lhes no duplo etérico ou corpo vital, podem transformar-se em captadores de éter físico inferior e de energia astralina maléfica.

 

PERGUNTA: – A presença da cor vermelha, tão freqüente, em fios, contas, retalhos de fazenda e outras coisas, nas práticas de bruxaria, tem alguma função importante?

RAMATÍS: – O vermelho é uma cor física, excitante e sangüínea, que facilmente se acasala ao campo vibratório das forças primárias acumuladas no processo de enfeitiçamento. As fitinhas e figas vermelhas são muito usadas para desviar a carga nociva do “mau-olhado” sendo cor tão objetiva que excita e irrita o próprio touro. E cor primária, que as tribos selvagens e os pajés africanos tanto preferiam nos seus ritos bárbaros e festivais folclóricos.

 

PERGUNTA: – Por que alguns enfeitiçamentos são feitos preferencialmente com a terra do cemitério?

RAMATÍS: – A terra do cemitério é muito impregnada de tônus vital ou resíduos vitais, que exsudam-se durante a decomposição dos cadáveres, pois o homem é um corpo impregnado de eletricidade animal e de éter físico haurido na fonte solar. O cadáver, ao decompor-se no seio da sepultura, também libera a energia condensada na forma de matéria e ali aprisionada para compor o edifício atômico do corpo de carne. A terra saturada de “húmus” magnético e fluidos mórbidos dos cadáveres, transforma-se num excelente veículo para fumar a bruxaria e fortalecer a obsessão. Certas falanges da Umbanda trabalham exclusivamente no ambiente de cemitério, porque os seus chefes são hábeis especialistas e técnicos experimentados, que sabem operar com a terra impregnada de fluidos de defuntos no processo de feitiçaria! 7

7 – Trecho extraído da obra Obreiros da Vida Eterna, edição da FEB, capítulo XV, “Aprendendo Sempre”, de André Luiz, que assim diz: “Nos cemitérios costuma congregar-se compacta fileira de malfeitores, atacando as vísceras cadavéricas, para subtrair-lhes resíduos vitais”. – “Jerônimo inclinou-se piedosamente sobre o cadáver, no ataúde momentaneamente aberto antes da inumação, e, através de passes longitudinais, extraiu todos os resíduos de vitalidade dispersando-os, em seguida, na atmosfera comum, através de processo indescritível na linguagem humana”.

É muito conhecido, entre quase todos os umbandistas, o famoso caboclo Veludo, hábil e experiente técnico do mundo astral, que trabalha em “cascão”, nos cemitérios, dando cumprimento a certo tipo de Carma terrícola, que ali se processa através de tarefas repulsivas.

 

PERGUNTA: – E a função do carvão, no enfeitiçamento?

RAMATÍS: – O carvão é um condensador mineral adotado pela própria Ciência médica, que o utiliza para fins absorventes, como nos casos de dispepsia, excesso de gases, ou ainda na função de purificar certas águas e revestir filtros especiais. Mas ele também age no plano etérico e astralino, influindo através do duplo etérico do homem, pois capta e absorve fluidos psíquicos e formas-pensamentos de baixo teor vibratório.

O carvão, quando proveniente de madeiras de boa condutibilidade sonora e eletromagnética, como o cedro, olmo, álamo e açoita-cavalo, árvores que atraem facilmente os coriscos nas procelas tempestuosas, transforma-se em bom absorvente, durante a noite, de fluidos nocivos que vagueiam e chocam-se com a aura das pessoas adormecidas. Os antigos magos ativavam o eletronismo do carvão de cedro sob processos incomuns de magia, e depois o colocavam junto ao leito de dormir, para absorver os eflúvios mentais e astrais impuros de magos adversos ou pessoas malfeitoras. Ao amanhecer, lançavam-no à água, afastando para longe o residual mental-astralino inferior, que ali aderia por força da ação ofensiva.

Os benzedores usam o carvão num copo de água e, conforme o seu comportamento no líquido, diagnosticam o quebranto ou a proliferação de vermes nas crianças. Antigamente, era tradição usar o carvão na chocagem de ovos, pois ele amortecia o efeito magnético da descarga do trovão, pois as larvas recém descidas do mundo astralino para formar os ovos são destruídas facilmente pela repercussão etérica das trovoadas. Para desembaraçar uma carta, era recomendado colocar-se a mesma numa caixa de metal cheia de carvões, e, ao fim de três dias, enterrá-los ao pé de uma árvore. O carvão, na verdade, age lenta e proveitosamente como disseminador de maus fluidos, mas depois de bem conjurado por um mago competente. 8

8 – Não se esqueça, o leitor, de que Ramatís só alude ao poder absorvente e positivo do carvão de cedro, para servir de condensador de fluidos inferiores junto ao leito, só depois de ser convenientemente dinamizado por processos incomuns de magia. Em conseqüência, não passaria de superstição ou crendice a criatura livrar-se de maus fluidos, só porque usa carvão à beira do seu leito, e sem a dinamização do seu campo eletrônico previamente efetuado por um bom magista.

 

         PERGUNTA: – Somos mais propensos a crer que a conduta evangélica da criatura é defesa psíquica mais poderosa do que um punhado de carvão junto ao leito, não é verdade?

RAMATÍS: – Sem dúvida, um estado absolutamente evangélico ou de perfeito equilíbrio espiritual imuniza o homem contra quaisquer tipos de projeções psíquicas inferiores ou agressivas. Mas, também, é verdade que as forças deletérias em circulação pelo mundo não se extinguem, nem deixam de agir sobre os homens, só porque há quem se julgue evangelizado!

Elas insistem e forçam a resistência psíquica do ser, causando prejuízos ou violências, assim como o vento agressivo não vence o arvoredo vigoroso, mas dobra e quebra o arbusto frágil!

Não basta o homem “ler” ou “suspirar” evangelicamente, para elevar-se à graduação superior e imunizar-se contra os maus fluidos do mundo. É a sua vivência incessante, plena de pureza, renúncia, humildade e amor, que então lhe proporciona a segurança espiritual no seio brutal das forças combativas e agressivas do mundo físico. Obviamente, quem já atingiu elevado grau de pureza angélica! não precisa nem reencarnar-se na Terra, orbe onde nada mais existe de atrativo para o seu espírito cristificado. Mas, justamente porque o homem não se encouraça na virtude, a sua defesa psíquica é precária e, às vezes, mais precária do que um punhado de carvão magnético e absorvente de fluidos maléficos dinamizado por magos competentes!

O homem terreno ainda é um candidato em potencial para sofrer o impacto de qualquer carga de bruxaria mental, verbal ou física; por isso, Buda, em sua peregrinação terrestre, sempre advertia: “Assim como a chuva irrompe na choupana malcoberta, assim a paixão irrompe na mente mal disciplinada!”

 

PERGUNTA: – Explicam-nos os entendidos, que o enfeitiçamento feito através de modelos de órgãos recortados em retalhos de fazenda ou sob moldes de cera predispõe a vítima a toda sorte de diagnósticos errados, atrofia de órgãos e até operações inúteis e desnecessárias. Isso tem fundamento?

RAMATÍS: – Em certos casos, a bruxaria realmente objetiva a mutilação da vítima através de atrofias orgânicas, acidentes e operações desnecessárias, cujo êxito, evidentemente, também depende da maior ou menor defesa psíquica da mesma.

Os retalhos de tecidos reproduzindo conformações anatômicas de órgãos físicos, sob o processo de enfeitiçamento, quando não são desmanchados a tempo, podem levar a vítima a sofrer operações, atrofias orgânicas ou cirurgias precipitadas. Os órgãos modelados pelos feiticeiros nesse tipo de bruxaria induzem o médico a erros de diagnóstico e a terapêutica equívoca; na maioria dos casos é preciso recorrer-se às operações mediúnicas ou convocar socorro vigoroso do mundo espiritual. O desmancho de objetos ou modelos de órgãos enfeitiçados, geralmente situados em travesseiros de penas, colchões de crina ou acolchoados de lã de carneiro, quando em tempo, ainda alivia bastante os enfermos dos seus padecimentos estranhos, devido a os libertarem dos fluidos coercitivos. 9

9 – Nota do Médium: – Eu não acreditava em feitiço, e, quando ingressei no Espiritismo, ainda fiquei mais convicto da tolice dessa crendice primitiva. Mas, em 1951, comecei a sentir fortes perturbações na região do estômago e fígado, sofrendo tonturas, dores, indigestões e intoxicação sangüínea, o que me deixava aflito, nervoso e perturbado. Após diversos diagnósticos médicos, duvidosos e inócuos, alguns testes de laboratório e a proverbial coleção de chapas radiográficas, concluiu-se que a minha vesícula estava atrofiada impedindo o fluxo normal da bílis. Então só existia uma solução: extirpá-la! Quatro dias após a extirpação da vesícula, em fase de convalescença, fiz um trabalho mediúnico em nosso lar, incorporando o espírito de Nhô Quim, velho amigo; e recomendou que fosse aberto o meu travesseiro na mesma noite. Sob intenso espanto, minha esposa, meus filhos e eu encontramos o seguinte material estranho no interior do travesseiro: diversas coroas de penas de galo, punhados de grãos de milho, um feixe de agulhas com fio vermelho, fragmentos de cobre e um emblema desportivo, que desaparecera inexplicavelmente. Mas, destacando-se entre as penas do travesseiro, havia um pedaço de fita de gorgorão amarelo, larga, traindo o indefectível ornamento de caixão de defunto; na ponta da mesma, estavam costurados dois retalhos de fazenda vermelha, configurando a cópia razoável de um fígado humano, em cujo interior, onde devia existir a vesícula, existiam sete cruzes costuradas de fio mais claro. Realmente, eu havia extirpado a vesícula quatro dias antes. Minha esposa, algo sentimentalista e inconformada, protestou que Ramatís havia-me abandonado à má sorte da bruxaria, tendo retrucado Nhô Quim: “Nhô Maes saiu daqui do Além, depois de ler combinado e decidido ajudar a esclarecer esse negócio de feitiço, aí na Terra, que é feito “a varejo”, por todo mundo! No entanto, ele desacreditou disso, e, então, só havia um recurso; fazer Nhô Maes sofrer na própria carne a realidade do embruxamento!”

Realmente, eu precisaria de centenas de páginas para descrever os benefícios e acertos que logrei espiritualmente, após o salutar feitiço que me fez extrair a vesícula!

 

PERGUNTA: – Que significa “desprender” os objetos da saturação maligna?

RAMATÍS: – Os objetos de bruxaria encontrados em travesseiros, colchões, no ventre do sapo de boca costurada ou expelidos por pessoas enfeitiçadas, devem ser libertos do magnetismo enfermiço etéreo-astralino vinculado às vítimas, para elas recuperarem-se no seu metabolismo vital e retomarem à saúde que lhes foi perturbada. É por isso que o Alto sempre providenciou a encarnação de criaturas simples, mas entendidas em tal atividade portadoras de um certo “dom” espiritual, que fazem exorcismos, simpatias ou espancam os fluidos ruins dos objetos preparados e usados no processo de bruxaria. É preciso romper a “amarração fluídica” do núcleo virulento dos objetos utilizados como condensadores enfermiços.

 

PERGUNTA: – Que se deve fazer com peças de roupas, cordões ou tiras de panos trançadas, amarradas ou cheias de nós, como já tivemos oportunidade de encontrar em trabalhos de feitiçaria?

RAMATÍS: – Os objetos ou coisas encontradas em travesseiros, roupas ou colchões nem sempre possuem força. maléfica, porque a positividade do feitiço depende, fundamentalmente, da capacidade e do conhecimento do feiticeiro ou dos espíritos que o auxiliam. Não é fácil fazer o feitiço, pois se assim não fora, o primeiro gozador faria a amarração de roupas furtadas à pseudovítima, logrando sucesso nas suas intenções perversas ou simplesmente sarcásticas. Mas como o enfeitiçado não pode descobrir se a bruxaria encontrada é positiva ou trata-se de uma inexperiência condenada ao fracasso, então é aconselhável que a própria pessoa visada no enfeitiçamento destrance roupas, desamarre cordões, fitas de pano ou coroas de penas e depois submeta esse material a uma lavagem de álcool ou solução de sal grosso, atirando-o à água corrente, livre das “amarras” fluídicas.

As auras fluídicas dos objetos preparados na bruxaria são alimentadoras de larvas, vibriões, bacilos e germens psíquicos de toda natureza astralina, os quais baixam vibratoriamente e incorporam-se ao enfeitiçado, penetrando na circulação nervosa, endocrínica, sangüínea e produzindo as enfermidades persistentes. Dissolvido o campo fluídico mórbido existente no ambiente do enfeitiçado, tais germens e partículas virulentas também se dispersam e retomam para o seu campo peculiar no mundo oculto, assim como o calor ainda permanece mesmo depois de apagado o fogo.

 

            PERGUNTA: – Por que os objetos de feitiço devem ser jogados na água corrente?

RAMATÍS: – E de senso comum que a água é boa condutora de eletricidade, e por esse motivo, os objetos imantados magneticamente no feitiço, quando lançados na água corrente, deixam ali o seu residual fluídico. Além da água absorver as emanações de éter-físico, que é adulterado na bruxaria, ela ainda as conduz para longe do local onde atuavam, desvinculando os laços fluídicos da vítima. E por isso que o povo não aconselha a construir-se casa sobre rios, porque é de praxe comum atirarem na água corrente os objetos de desmancho, cujos fluidos depois vagueiam a esmo por baixo das casas ali construídas.

 

PERGUNTA: – Por que os objetos enfeitiçados devem ser atirados na água corrente antes do Sol se pôr?

RAMATÍS: – Indiscutivelmente, o Sol é o corpo celeste mais importante no sistema constelatório da Terra, pois dele emanam todas as formas de energias e radiações que estimulam, criam e nutrem a vida no vosso orbe. Todos os corpos químicos do conhecimento humano existem no Sol, somando atualmente perto de 1.200 elementos. Mas a ciência humana só conhece o potencial fabuloso solar no campo propriamente físico e de energismo sensível ao aparelhamento humano. No entanto, são as forças prânicas, astralinas e etéreas, irradiadas do Sol, o principal potencial a impregnar o planeta terrestre de sua ação oculta.

Por isso, os objetos de feitiço perdem a sua imantação nociva e enfeitiçante, quando atirados à água corrente antes do pôr do Sol porque são bombardeados pelos raios “infravermelhos” na sua contextura etérica e pelos raios “verdes” na sua intimidade astralina.

direita-seta

Próximo

esquerda-seta

Anterior

Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral