Vampirismo

Capítulo 16

 Os males do vampirismo

 

PERGUNTA: – Há fundamento nas práticas de enfeitiçamento, em que se sacrificam galos pretos nas encruzilhadas, cabritos e bodes nos “candomblés”, ou ofertam bifes sangrentos nas portas de cemitérios?

RAMATÍS: – Embora essas práticas sangrentas e primitivas só predominem nos “candomblés” africanos espalhados pela Europa, América Latina e principalmente no Norte do Brasil, 1 a influência da civilização e o avanço científico tende a diminuí-las ou sublimá-las futuramente. Quanto aos sacrifícios de aves e animais em semelhantes trabalhos conservadores das tradições e da magia africana, nem é preciso lembrar-vos da importância do sangue ali vertido e fundamento principal para o intercâmbio com os espíritos subvertidos.

1 -“A Bahia tem mais de mil terreiros de candomblé, onde os deuses negros, os orixás – trazidos da África pelos escravos -, resolvem problemas de amor, saúde, política e dinheiro”. Extraído da reportagem “O Mundo Secreto do Candomblé”, da revista Realidade, de julho de 1966.

O sangue é a linfa da vida e elemento imprescindível no ser vivo, pois, além de sua função propriamente física, ainda capta e absorve as forças vitalizantes do Sol, como o “prana”, o magnetismo lunar e certos fluidos do mundo astral. A sua circulação rapidíssima é imantada pela eletricidade animal e nutrida pelo éter-físico, que emana pelos poros da Terra e flui através do duplo etérico. É, enfim, a corrente portadora da saúde ou da enfermidade, pois percorre as zonas mais nevrálgicas e atinge os pontos mais vitais do corpo humano. Transporta os diversos hormônios endocrínicos por todo o organismo, nutre e refaz as células carreando os detritos indesejáveis para as vias “emunctórias”. O sangue ainda intervém em todos os processos defensivos do organismo, conduzindo os elementos de combate aos germens e às suas toxinas. Mesmo depois de coagulado e sob o aspecto gelatinoso, dele exsuda-se um líquido amarelado e utilíssimo, bastante conhecido por soro sangüíneo e ainda aproveitável nas transfusões salvadoras. O homem atual possui de 5 a 6 litros de sangue, cuja produção é incessante na intimidade da medula óssea.

 

PERGUNTA: – Mas esse derramamento deliberado de sangue através de sacrifícios pagãos e macabros, é realmente necessário para o processo de enfeitiçamento?

RAMATÍS: – Na realidade, trata-se de um processo detestável, que se vincula a interesses e subversões abomináveis, ativado e controlado pelo mundo oculto pervertido! Afora as preocupações de enfeitiçamentos, despachos e demandas, a vertência de sangue e os ritos de sua dinamização fluídica atendem às mais ignóbeis tarefas dos “comandos das trevas”! Em torno da Crosta movimenta-se extensa multidão de espíritos exauridos pelas paixões e vícios da carne, famintos de vitalidade e aflitos para obterem o “tônus vital” que perderam e viceja no sangue humano. Eles aceitam qualquer tarefa nefanda, trabalho execrável ou humilhante no Além, ‘desde que possam conseguir o sangue para a sua nutrição mórbida. Tão desesperados como os viciados pela cocaína, morfina, álcool, acompanham os encarnados na esperança de vampirizá-los na sua fonte de vitalidade, que é o sangue!

Ademais, os espíritos astutos, malévolos e veteranos do astral inferior ainda costumam vampirizar os infelizes recém-chegados desprotegidos, extraindo-lhes qualquer resíduo vital que porventura ainda possam trazer na sua contextura perispiritual. Só quando os falecidos possuem amigos ou parentes desencarnados, que os protegem de um vampirismo indesejável, os famintos das sombras então permanecem a distância do sepultamento. Então, lhes resta o recurso de se contentarem com a precária nutrição de fluido vital obtida na simbiose com as criaturas viciadas e escravas dos prazeres impuros. Assim como as parasitas extraem a seiva vital dos arbustos benfeitores, os vampiros do Além-túmulo exaurem suas vítimas imprudentes no processo de parasitismo de baixa espiritualidade.

 

PERGUNTA: – Porventura, existe alguma disciplina ou coordenação de trabalho entre os espíritos vampiros e obsessores, nas suas práticas maléficas contra os encarnados?

RAMATÍS: – A disciplina tanto pode existir na prática do bem como no exercício do mal. Em conseqüência, nas regiões do astral próximo à superfície terrena, existem cooperativas, confrarias e instituições disciplinadas na prática do mal, as quais orientam e controlam milhares de espíritos em atividade pervertida nas tarefas de obsessões e vampirismos. Os seus mentores diabólicos são hábeis e experimentados psicólogos, conhecedores de todas as fraquezas e subversões humanas! Eles pesquisam na crosta terráquea as criaturas mais propensas aos desequilíbrios mentais e emotivos, a fim de transformá-las em fontes gratuitas de fornecimento de substância vital tão cobiçada para o êxito das operações maquiavélicas das sombras.

Malgrado a vossa reação mental, de que transmitimos histórias fantásticas e mórbidas da idade média, os espíritos-vampiros, realmente, debruçam-se sobre os cadáveres recém-sepultados, a fim de extrair-lhes os resíduos vitais que ainda possam aderir ao corpo extinto. 2 Normalmente, o tônus vital dos falecidos desfaz-se nas vinte e quatro horas após a morte física, mas ele pode permanecer aderido mais tempo ao perispírito, e por esse motivo a cremação do corpo físico nem sempre é aconselhável nas primeiras vinte e quatro horas.

2 – Trechos extraídos da obra Obreiros da Vida Eterna, pelo espírito de André Luiz, capítulo “Aprendendo Sempre”, que assim diz: “Nos cemitérios costuma congregar-se compacta fileira de malfeitores, atacando vísceras cadavéricas para subtrair-lhes resíduos vitais”. – “Jerônimo inclinou-se piedosamente sobre o cadáver, no ataúde momentaneamente aberto antes da inumação, e, através de passes magnéticos longitudinais, extraiu todos os resíduos de vitalidade, dispersando-os, em seguida, na atmosfera comum, através de processo indescritível na linguagem humana…”

As organizações diabólicas do Espaço controlam extensa rede de sequazes, que se infiltram pelos lares desorganizados, lupanares e locais viciosos, onde ativam conflitos e desarmonias entre os vivos, para obterem os resíduos vitais exsudados pelos desequilíbrios espirituais. Os homens partem da Terra escravos de vícios e paixões degradantes e aportam ao Além necessitados de uma recomposição vital urgente, derivando para o vampirismo ante o desespero incontrolável. Inteligências avançadas das sombras justificam o seu vampirismo execrável, alegando que os vivos também trucidam os animais e aves, mistificando quanto à necessidade de conseguir proteínas e vitaminas, tão pródigas nos frutos e vegetais!

 

PERGUNTA: – Que se entende por tônus vital ou resíduos vitais?

RAMATÍS: – Referimo-nos ao prana ou fluido vital, que se exsuda pelo duplo etérico no processo de absorção e exalação, nutrindo as formas físicas e embebendo o perispírito durante a encarnação. Esse tônus vital é tão sutil ou grosseiro, tênue ou espesso, radioativo ou obscuro, nutritivo ou débil, conforme seja o temperamento e a graduação espiritual do ser humano. É o prana, o sopro vital, a respiração da própria vida, a energia que dá a tonalidade de resistência, atividade e reações dos seres vivos, o potencial vivificante nos encarnados, mas deixa residual, assim como sobejam as cinzas após a ignição. Durante a desencarnação acumula-se à altura dos chacras ou centros de forças do duplo etérico, como substância densa, mas ainda tocada de vida. Quando o espírito desencarna, primeiramente rompe-se o cordão que liga o perispírito ao duplo etérico, e desse fato decorre a bipartição da corrente vital que flui normalmente para o organismo físico. Então, o tônus vital reflui em parte para o perispírito, enquanto a outra converge para o cadáver e depois desintegra-se no túmulo, ou então é absorvida no processo de vampirismo pelos espíritos subvertidos. Certa percentagem do tônus vital também é absorvida pela própria terra, pois ele é fortemente constituído de éter-físico!

 

PERGUNTA: – Qual é a natureza do éter-físico?

RAMATÍS: – Não poderia existir a vida na matéria sem o éter-físico, o qual é exsudado da própria Terra, funcionando como o transmissor ou a ponte que carreia o prana emanado do Sol e responsável pela vida na matéria. 3 O éter-físico flui pelo duplo etérico do homem manifestando-se sob quatro aspectos ou estados energéticos, responsáveis por diversos fenômenos inerentes à existência humana. O éter-químico é o responsável pela assimilação dos elementos nutritivos do ser e dos vegetais, inclusive o meio de excreção do material não usado; o éter-vital, o meio de propagação e continuidade da vida e distinção de sexo; o éter-luminoso, meio de percepção sensorial, responsável pela formação dos cinco sentidos e construtor dos olhos, modelador do cristalino, o qual ainda gera o calor nos animais superiores e no homem, estabiliza a clorofila nos vegetais, proporciona as cores nas flores, coordena a circulação do sangue e a seiva nas plantas; o éter-refletor, que reflete as imagens dos acontecimentos gravados na “Memória da Natureza” onde comumente atuam os psicômetros, radiestesistas e médiuns de vidência comum.

3 – Conforme a concepção oriental, o Éter Cósmico é a essência virgem que interpenetra e alenta o Universo; é a substância virgem da escolástica hindu. O éter-físico, no entanto, é mais propriamente uma exsudação ou radiação desse Éter Cósmico que flui através dos poros da Terra, a qual funciona à guisa de um gigantesco condensador de Éter. Então, o Éter Cósmico perde a sua característica de essência virgem ou “pura”, para tornar-se uma substância impregnada das impurezas do planeta, durante a sua exsudação. Se considerarmos o Éter Cósmico semelhante à água pura, no seu estado natural, o éter-físico então será a água com as impurezas depois de usada pelo homem.

O éter-físico volatiliza-se facilmente do perispírito quando é utilizado para vitalizar pensamentos e sentimentos sublimes; mas adensa-se mostrando-se num aspecto graxoso fluídico e residual deprimente, quando provém de atividades mentais e emotivas descontroladas, que causam prejuízos ao próximo. 4

             4 – Nota do Médium: – Certa vez, pude identificar pela violência um tipo de prana ou fluido vital filtrando-se por um éter-físico muito grosseiro, que se exsudava de certa criatura de péssimas condições morais, o qual então se me afigurou semelhante à emulsão das chapas fotográficas virgens, numa cor creme-acinzentada e oleosa, que cheirava a leite azedo. Nas pessoas de caráter elevado, ele se me apresentou igual a formosa cortina cor de manteiga bem clara, com cintilações róseo-claras e com um odor gostoso de avelãs.

 

PERGUNTA: – Poderíeis explicar-nos por que os resíduos vitais, que resultam da atividade humana, acumulam-se à altura dos chacras do duplo etérico, em conformidade com o gênero de sentimentos e atitudes mentais?

RAMATÍS: – As pessoas que durante o dia desequilibram-se na sua vivência emotiva e mental, quando repousam, à noite, acumulam um residual de éter-físico de baixa categoria, à altura do chacra que corresponda exatamente ao tipo de energia usada na consecução dos vícios e paixões desordenadas. As aventuras menos dignas no campo da sexualidade coagulam um resíduo vital inferior à altura do chacra genésico, na base da espinha dorsal e conhecido por “kundalini”; a glutonice, a pândega e o carnivorismo acumulam carga vital ordinária sobre o chacra esplênico, na região do baço, e tornam o sangue impuro; os sentimentos odiosos, ciumentos e invejosos fazem convergir o fluido vital inferior para o chacra cardíaco, afetando o funcionamento normal do coração; a má palavra, a praga e o mau uso do verbo aglomeram resíduos vitais nocivos em torno do chacra laríngeo, atacando a região tireoidiana e o órgão vocálico!

Mas é o tônus vital que se forja à altura do chacra frontal e depois reflui para o cerebelo, durante o sono, a substância preferida pelos vampiros do Além, porque afora sua natureza vitalizante e quaisquer propósitos inferiores, ela ainda sustenta proveitosamente o processo de obsessão. A energia mental degradada pelos maus pensamentos serve para os espíritos malfeitores firmarem os seus empreendimentos diabólicos contra os encarnados no processo ignóbil de obsessão!

O ectoplasma mediúnico, utilizado nos trabalhos de fenômenos físicos, também guarda certa semelhança com a região do chacra etérico onde é produzido. Quando é exsudado dos médiuns através do umbigo ou da região epigástrica, serve unicamente para a produção de fenômenos de ordem mais rudimentar, como “raps”, batidas, levitações, tiptologia, porque também se forja nas zonas dos chacras esplênico, kundalíneo e umbilical. No entanto, o ectoplasma obtido pelas regiões cardíaca, laríngea e frontal, que flui pelos olhos, narinas e ouvidos dos médiuns através dos chacras correspondentes, é de dosagem emotiva e mental, permitindo o fenômeno mais raro da voz direta. Quando esse tipo de ectoplasma algo intelectivo ainda recebe o influxo vigoroso do chacra coronário, a flor de mil pétalas dos hindus, situado no topo da cabeça e centro de forças de ligação entre o mundo humano e o divino, então ocorrem fenômenos sublimes de alta transcendência, como acontecia a Jesus durante o batismo, na transfiguração do Tabor, ou tem ocorrido às criaturas santificadas que se vêm diante de cenas e criaturas celestiais!

 

PERGUNTA: – Há fundamento de que os espíritos conhecidos por “exus” chegam a sorver o sangue de galos, cabritos, bodes, carneiros e aves sacrificados nos “candomblés” ou terreiros africanistas? Não seria isso uma lenda ou fantasia?

RAMATÍS: – Os vampiros que hoje atuam no mundo astralino, em geral, já foram cidadãos pacíficos, aí na Terra, enquanto os atuais encarnados, é possível que ao retomarem para o Além também se tornem outros vampiros explorando os vivos! O círculo vicioso do vampirismo só deixará de existir quando o homem libertar-se definitivamente dos vícios e desregramentos, das paixões fanáticas e da alimentação carnívora!

O vampirismo, feitiço e fetichismo religiosos não encontram solução satisfatória, porque os próprios espiritualistas, que deviam esclarecer os encarnados ou espíritos desencarnados, evitam o assunto nevrálgico que acham primitivo, repulsivo e anticientífico. Sem dúvida, as práticas de candomblés tendem a enfraquecer-se sob o inevitável progresso cientifico, pois o ritos sangrentos, oriundos do folclore africano, perdem o seu aspecto de magia e passam a ser admitidos como liturgia e devocionamento religioso!

No entanto, os “exus”, espíritos elementares ou “compadres”, quando incorporam em cavalos sonambúlicos, trincham com os dentes o pescoço de aves, sugam-lhes o sangue, numa fração de minuto, deixando-as completamente exauridas do tônus vital ou “enxutas”, como um saco flácido de papel! É o processo prático e eficiente de tal tipo de entidade ainda escrava do mundo físico, para obter o ambicionado resíduo vital que existe no sangue das aves e dos animais. Quando os médiuns de terreiros são intuitivos e resistem às intenções dos “exus” ou entidades primárias, estas então se contentam apenas com as emanações do eterismo vital-físico, que se exsuda do duplo vital do animal ou da ave sacrificados, algo potencializadas com o ritmo cadente dos ritos estranhos.

 

PERGUNTA: – Mas o Alto permite essas práticas tenebrosas, que as entidades subvertidas executam com o elemento sagrado da vida, como é o sangue?

RAMATÍS: – A quantidade de animais e aves sacrificados nos sombrios desvãos das encruzilhadas ou “candomblés” africanos do mundo oferecem diminuta quota de sangue e alimento vital para satisfazer os espíritos vampiros. No entanto, a própria humanidade depois se encarrega de suprir essa deficiência de sangue e tônus vital para os vampiros do mundo oculto, pois os homens, apesar do seu propalado cientificismo atual, ainda ignorantes e sob o comando incondicional dos obsessores e malfeitores das sombras, são fornecedores da substância vital através do horripilante e macabro trucidamento de bois, carneiros, suínos, vitelas, cabritos, coelhos, galinhas e gansos de fígado hipertrofiado, cujo sangue inocente é vertido pelos pisos dos matadouros e frigoríficos! .Os vampiros do Além, então, aproveitam-se dessas matanças para sugarem do sangue dos animais e das aves sacrificados as quotas de vitalidade que precisam para a sua nutrição subvertida, independente de quaisquer ritos ou processos de magia satânica! Portanto, os encarnados fornecem a matéria sangrenta para. sustentar o vampirismo, e, depois, funcionam estupidamente como médiuns ou repastos vivos “dopados” pelo tônus vital vampirizado, satisfazendo a glutonice, perversão sexual, o alcoolismo e outros vícios dos próprios vampiros!

A Divindade não endossa o uso diabólico de sangue para fins ignóbeis; mas é a própria humanidade terrena que favorece tal acontecimento condenável, malgrado as advertências mais severas do Alto! Quantas tragédias, angústias e sofrimentos, que há séculos afligem a humanidade, são resgates cármicos provenientes da culpa espiritual de verter o sangue do irmão menor, a serviço do vampirismo da Terra e do Espaço?

 

PERGUNTA: – Malgrado as vossas explicações convincentes, espanta-nos esse vampirismo de espíritos desencarnados sorverem as emanações vitais do sangue dos animais abatidos nos matadouros e candomblés. Porventura, isso não evoca as lendas macabras dos vampiros da Idade Média?

 

RAMATÍS: – Comumente, os homens só se perturbam ante as cousas que lhes trazem prejuízos ou incômodos imediatos! As mesmas criaturas que se horripilam ante a bruxaria feita através do sapo impressionam-se com um bife sangrento à porta do cemitério, ou apavoram-se pelo vampirismo dos espíritos desencarnados; no entanto, jamais se chocam ante o trucidamento dos animais nos matadouros e nas charqueadas, porque a carne deles ainda lhes serve de excelente repasto físico. 5

5 – Trechos extraídos do capitulo “Intercessão”, da obra Missionários da Luz, ditada pelo espírito de André Luiz a Chico Xavier, edição da FEB: “Diante do local em que se processava a matança dos bovinos, percebi um quadro estarrecedor. Grande número de desencarnados, em lastimáveis condições, atiravam-se aos borbotões de sangue vivo, como se procurassem beber o líquido em sede devoradora…” – “Estes infelizes irmãos que não nos podem ver, pela deplorável situação de embrutecimento e inferioridade, estão sugando as forças do plasma sangüíneo dos animais. São famintos que causam piedade”.

O feitiço e o vampirismo são degradantes, mas ninguém condena os homens, que fatigados do seu labor semanal escolhem os domingos mais alegres e ensolarados para matar os pássaros canoros e espairecer o espírito atribulado nessa destruição venal. Alguns glorificam-se no tiro ao pombo, conquistando troféus e diplomas honrosos, em troca de um montão de aves ensangüentadas! Quando o homem organiza festiva caravana e custoso “safari” sob eficiente material bélico para trucidar o tigre, o leão ou o elefante, ele chama a isso de “caçada”; mas, se por infelicidade, o animal acuado e desesperado consegue desforrar-se liquidando o seu perseguidor, então o acontecimento se inverte e o pobre caçador é vítima de uma “fera”!

 

PERGUNTA: – Mas deve existir uma grande diferença entre a alimentação carnívora dos encarnados e o propósito deliberado de espíritos sorverem o sangue do animal. Não é assim?

RAMATÍS: – Os vampiros que sorvem o sangue da carne palpitante dos animais são mais honestos e inocentes do que os homens, cujo carnivorismo é requintado, pois sacrificam o irmão menor para comê-lo assado, cozido, no espeto ou à “milanesa”! Os desencarnados contentam-se com a cota de sangue que lhes proporciona alguns momentos de satisfação nutritiva e vital; mas os vampiros encarnados devoram os retalhos de carne ao som de orquestras famosas e sob as luzes ofuscantes dos restaurantes de luxo! Uns contentam-se em sugar o sangue rútilo ao natural; outros, preferem a carne “mal passada” ou o bife à “moda da casa”!

Até o cavalo, o mais laborioso servidor do homem, se fica cego, doente ou envelhecido, matam-no, e o seu cadáver, depois de demorada fervura e os cuidados profiláticos para não causar prejuízos ao homem, então, é transformado em quitutes, mortadelas, presuntos e salsichas! O homem alega a necessidade de proteínas extraídas das vísceras dos animais, mas atraiçoa-se pelo requinte do vinagre, da cebola ou pimenta, que adiciona à carne como ingredientes estimulantes do prazer epicurista.

Os vampiros das lendas medievais saíam à meia-noite, dos sepulcros, em busca de vítimas para sugar-lhes um pouco de sangue e reviverem algumas horas no contato com o mundo carnal. Mas os vampiros “civilizados” vão a extremos excêntricos, pois eles batem o sangue do animal para o “chouriço da moda”, preparam retalhos do estômago de boi na “dobradinha à espanhola”, selecionam a carne mais tenra para o bife”mignon”, ou fervem as orelhas, pés e costelas de porco no charco nauseante da feijoada completa! Homens considerados por atos meritórios, diplomados após severos cursos acadêmicos, integrantes do magistério público ou da alta magistratura; sacerdotes católicos, pastores protestantes, adeptos espíritas, filhos de Umbanda e “livres-pensadores”, roem pés-de-porco com salada de repolho, lambuzam os dedos com a gordura das costelas de boi ou condimentam a lingüiça no espeto, espantando os próprios vampiros que se contentam com o sangue puro!

 

PERGUNTA: – Existe outra fonte de nutrição tão repulsiva para os vampiros do Além-túmulo, além do sangue do animal e das aves?

RAMATÍS: – O sangue dos animais e das aves, cujo resíduo vital é de baixa vibração, só pode ser absorvido pelos espíritos primitivos, de vitalidade inferior. Mas os veteranos do Além ou magos-negros de experiência milenária nesse setor mórbido preferem o sangue humano, que é revestido de melhor tônus vital. Trata-se de espíritos remanescentes das falanges diabólicas, que no passado exigiam os mais cruentos sacrifícios pagãos dos devotos estúpidos e fanáticos, que satisfaziam a exigência dos sacerdotes maquiavélicos, levando o filho primogênito ou a jovem virgem para o sacrifício da degola no santuário ou a morte no ventre incandescente dos ídolos de bronze! Enquanto a cerimônia macabra se processava na Terra, os vampiros monstruosos saciavam-se no sangue vertido pelas práticas sangrentas! 6

6 – Os habitantes de Canaã e outros povos vizinhos, como os amonitas, moabitas, fenícios e cartagineses, veneravam Moloc, a divindade pagã, cujo culto consistia geralmente no sacrifício do primogênito, que era lançado vivo no braseiro que ardia nas entranhas da estátua de bronze. Havia outros sacrifícios de degola de virgens e crianças, à beira dos rios sagrados, numa espécie de culto doméstico, acicatado pelos sacerdotes de Moloc cumprindo outro rito bárbaro.

 

PERGUNTA: – E qual é a ação perversiva que esses magos negros praticam para conseguirem o sangue humano?

RAMATÍS: – Eles incentivam todos os acontecimentos que lhes proporcionem a vertência de sangue, seja pelo morticínio de animais nos matadouros e frigoríficos, ou nos conflitos homicidas e bestiais entre os homens, assim como nos campos de batalha ensangüentados pelas guerras fratricidas. Examinando-se a história do vosso mundo, verificamos que o sangue vertido em sua superfície parece competir com os próprios rios pejados de água! Quando não se mata o animal e a ave nos açougues, matadouros ou frigoríficos, os homens então massacram-se estupidamente nas guerras imbecis e impiedosas. Eles tingem de sangue os campos floridos pela primavera, as ruas asfaltadas das cidades indefesas e tramam ofensivas tenebrosas às vésperas de Natal!

A Bíblia é um livro pródigo de morticínios, trucidamentos, vinganças e tropelias sangrentas em nome de Jeová. Davi, o salmista, apesar das glórias que lhe atribuem, é um dos mais ferozes fratricidas dos tempos bíblicos. Nas páginas da história do vosso mundo, alinham-se tremendos flagelos como: Atila, Gêngis Khan, Tamerlão, Cortez, Alexandre, Aníbal, Carlos Magno, Júlio César, Napoleão, Kaiser, Hitler e outros, que fizeram jorrar toneladas de sangue dos corpos esfrangalhados nos combates cruentos! Eram ativos e incondicionais fornecedores, “por atacado”, de carne palpitante e sangrenta, proporcionando as cotas de resíduos vitais para os insaciáveis das Trevas! Depois de fartos da substância vital extraída do metabolismo da vida humana, os espíritos diabólicos zombam despudoradamente da própria humanidade terrena e imbecil, que desempenha a estúpida função de “fornecedora” de sangue para alimentar a prostituição espiritual do Além-túmulo!

Quando as guerras ou revoluções diminuem por falta de motivos psicológicos, ambições racistas ou complicações comerciais, os magos das sombras inspiram outros motivos tolos e imbecis aos homens, insuflando conflitos religiosos e matanças de “infiéis”, como no caso das execráveis cruzadas, que os ajudaram a manter a receita de sangue cobiçado. Comumente, eles conseguem situar seus comparsas tenebrosos no comando de reinados e governos, lideranças políticas ou religiosas do mundo, os quais funcionam como “antenas vivas” na Crosta, instigando conflitos, ódios, vinganças e a morte trágica para a maior vertência de sangue! Catarina de Médicis, espírito diabólico sintonizado na faixa satânica, organiza a matança da Noite de São Bartolomeu, oferecendo lauto banquete de sangue aos vampiros; Filipe II, escravo das sombras, formaliza a Inquisição preparando os quitutes sangrentos nos porões dos conventos religiosos ou torrando hereges nas fogueiras cruentas; Ariberto, arcebispo de Milão, diabolicamente ipspirado, dá início à carnificina dos albigenses. 7 Na própria América, os protestantes ali radicados matam os colegas recém-chegados atendendo aos espíritos subvertidos.

7 – Diz o historiador César Cantú, sobre a matança dos albigenses: “E cada vitória dos católicos era uma orgia de sangue, em que a ferocidade e a cobiça da soldadesca juntavam suas façanhas aos requintes da crueza do clero inquisidor. O fogo completava a destruição da espada e as maldições canônicas perseguiam as vítimas além do suplício pavoroso”.

 

PERGUNTA: – Cremos que, na Terra, já se esboçam movimentos e protestos que condenam abertamente as guerras, despertando o homem para libertar-se do tradicional senso de glória, heroísmo e conquistas forjados nos morticínios sangrentos!

RAMATÍS: – A pusilanimidade, covardia e as paixões violentas, somadas aos vícios humanos, constituem-se em motivos fundamentais para as confrarias anticrísticas do mundo oculto incentivarem a belicosidade sangrenta entre os homens. Elas exploram as convenções transitórias de pátria, família, raça e casta social, conduzindo os homens ingênuos e sem vontade própria para os matadouros das guerras. Os terrícolas são empurrados para a morte como robôs de carne, trucidando-se ferozmente em defesa de retalhos de panos coloridos e fronteiras imaginárias. Seguem para o holocausto inglório, ao som festivo das fanfarras e do barulho primitivo dos tambores de couro de porco!

Os que sobrevivem às guerras depois realizam cerimônias altiloqüentes e melodramáticas, distribuindo condecorações feitas de pedaços de metal e penduradas em fitas de baeta! Exaltam-se os guerreiros que mataram mais homens inimigos, embora isso tenha custado as lágrimas pungentes das viúvas e o desespero indescritível de milhares de filhos órfãos! Outros desses heróis valentes são aposentados da vida sadia, passando a mover-se pelas ruas das cidades, sem braços, sem pernas, cegos, neuróticos ou deformados, enquanto os vampiros das Trevas riem-se às gargalhadas, pelas peças funestas que pregam aos vivos. Eles, então, rodeiam os encarnados ainda envaidecidos em suas cerimônias circenses; e no mundo invisível condecoram com tridentes e outras bobices ridículas e fesceninas, fazendo os mais cínicos salamaleques e saudações aos “gloriosos fornecedores de sangue”! A humanidade terrena já devia ter percebido que as “gloriosas batalhas” e conquistas históricas não passam de simples operação fornecedora de sangue para os insaciáveis comandos diabólicos do mundo oculto!

Em conseqüência, a campanha contra a guerra, no vosso mundo, ainda deveria ser mais intensa e severa do que a que se faz para debelar o câncer, o entorpecente e a prostituição. Enquanto houver sangue pródigo de aves, animais e homens, a correr pelo solo generoso da Terra, a indústria tenebrosa do vampirismo e da obsessão do Além-túmulo sobre os encarnados, continuará a distribuir excelentes “dividendos” no mais franco progresso macabro!

 

 

PERGUNTA: – Reconhecemos que a evangelização da humanidade seria o fim da guerra em nosso planeta, mas quem poderia convencer que o soldado e o general empenhem-se tolamente numa luta inglória a favor do vampirismo de sangue no mundo oculto?

RAMATÍS: – Evidentemente, a guerra não é culpa exclusiva dos militares, mas resulta de questões racistas, domínios ideológicos, interesses comerciais e econômicos, competições políticas, ambições de conquistas e espírito de pilhagem animal, os quais ultrapassam os próprios campos de batalha. Sob a perspectiva de guerra, todas as criaturas alimentam algo de ganho fácil e interesse pessoal em tal acontecimento trágico. Enquanto o soldado sonha com as divisas de sargento, este aspira ao posto de oficial; e o oficial, por sua vez, antevê os seus galões de general! Os industriais alteram o preço dos produtos alegando o clima belicoso, os negociantes ocultam os gêneros alimentícios, aguardando o ensejo favorável para vendê-los a preços escorchantes! Os jornais alcançam edições vultosas, prenhes de mentiras, boatos, exaltações racistas, incentivos e difamações contra os pacifistas. Os sacerdotes benzem armas, submarinos e tanques de guerra, em nome do “seu Deus” e contra o Deus do inimigo; mulheres, crianças e velhos, entre vivas e entusiasmos, rejubilam-se com as primeiras vitórias sobre o adversário justo ou injusto, massacrado impiedosamente! 8 Enquanto isso, os oportunistas lançam a confusão entre ódios e desforras, organizando a pilhagem dos bens do estrangeiro radicado em sua pátria, praticando as mais ignóbeis e inescrupulosas ações de pilhagem criminosa! O espírito de guerra alimenta a própria vida civil, incentivando as mais indignas ações dos próprios cidadãos pacíficos e inofensivos! 9

8 – Uma das mais convincentes provas do “choque de retorno” e da ação implacável da Lei do Carma sobre os povos é o caso do propalado “muro da vergonha”, dos russos, em Berlim. Hoje, vemos fotografias de velhinhos e velhinhas chorosos, acenando dramaticamente para os parentes e cidadãos fugitivos da Alemanha Ocidental. No entanto, malgrado os protestos dos sentimentalistas, essas criaturas, lacrimosas e envelhecidas, foram as mesmas pessoas que nutriram o histerismo coletivo da guerra, e que entre vivas e brados de entusiasmo jogavam flores em Hitler, após o massacre cruel e impiedoso dos poloneses.

9 – Em Curitiba, na última guerra nazista, também se fez a “quebradeira” indiscriminada de propriedades e bens de súditos alemães e japoneses, inclusive dos próprios descendentes brasileiros. Basta dizer que as aves de rapina quase destruíram totalmente a “Impressora Paranaense”, de filhos de alemães, uma das gráficas mais famosas do Brasil, onde mourejavam centenas de operários brasileiros. Na pilhagem havia marginais, acadêmicos, religiosos, moços e velhos, e até amigos dos proprietários, que agiam despudoradamente sob o olhar beneplácito de bons patriotas!

Mas os povos inimigos, que estão do outro lado da luta, também pensam assim e hão de agir da mesma forma, porque a guerra é um produto da animalidade e ignorância de toda a humanidade, cuja herança de rancor, ódio, cobiça, inveja, orgulho, egoísmo e rapinagem, é conseqüência funesta desde os tempos dos homens das cavernas! A guerra monstruosa só deixará de existir, na Terra, quando os homens dominarem os seus sentimentos perversos, buscando a vivência da paz e do amor nos códigos morais deixados por Buda, Crishna, Jesus, Gandhi e outros luminares da vida espiritual. Cada homem, e cada povo, precisa negar-se a si mesmo e não combater contra outro homem ou povo, preferindo morrer a matar! Podemos desconfiar dos homens, jamais do Cristo-Jesus, que assim prometeu: “Aquele que perder a vida por mim, ganha- la-á por toda a eternidade!”

 

PERGUNTA: – Mas o carnivorismo e a guerra ainda são condições normais e inerentes ao atual estado evolutivo da humanidade. Não é assim?

RAMATÍS: – Se a guerra fosse uma condição natural da graduação espiritual da humanidade, então os espíritos dos civilizados não deveriam sofrer quaisquer perturbações ou restrições após a sua desencarnação, como é tão comum aqui no Espaço. Os silvícolas, que ainda vivem o instinto herdado dos animais, e por isso o carnivorismo lhes é condição natural, quando desencarnam passam a viver de modo venturoso nas planícies de caça da vivência astralina. A sua ignorância e incapacidade de raciocinar quanto às diferenças entre o certo e o errado, o bem e o mal, livra-os de punições ou restrições espirituais, que no entanto afetam os civilizados pela sua” consciência do mal”!

Não temos encontrado silvícolas nos charcos pestilenciais do astral inferior; mas povoam-nos homens “civilizados”, que passaram pela Terra em lutas, conflitos, revoluções e guerras sangrentas, onde mataram outras criaturas, obedecendo a ordens superiores. Muitos desses infelizes, mergulhados no lodo purgatorial, ainda refletem em seu perispírito denso o fulgor dos troféus guerreiros, a marca das condecorações que receberam na carne, pela sua eficiência em matar!

Desde os tempos bíblicos, a humanidade vem descrevendo uma espiral avançada de admiráveis eventos no campo da técnica, física, química, astronáutica e medicina, que lhes aumentou a responsabilidade de discernimento e compreensão do que é danoso, perverso e desnecessário! No entanto, sob a sugestão diabólica do mundo invisível, ela eletrizou os matadouros e frigoríficos, e atomizou a guerra, centuplicando os meios de matar! O troglodita matava o companheiro com um pedaço de pau; o civilizado faz o mesmo com uma pistola eletrônica! Os persas, gregos e romanos enfrentavam-se nos campos de batalha a descoberto, numa luta feroz, mas digna, de indivíduo para indivíduo; hoje, alguém aperta um botão e a bomba mortífera pulveriza milhares de homens, mulheres, crianças e velhos alheios às causas de “tal agressão.

É evidente que o carnivorismo e a guerra não são condições normais do atual estado espiritual da humanidade, mas excrescências degenerativas que multiplicam a culpa dos homens, porque sabem como civilizados, mas vivem como os bárbaros!

 

PERGUNTA: – O judeu, considerado o povo eleito de Deus, também sacrificava aves e animais nos templos religiosos. Isso também seria oferenda aos espíritos perversos?

RAMATÍS: – O sacrifício habitual de touros, cabritos, carneiros e aves, entre judeus, também mascarava a sede de sangue dos espíritos monstruosos do Além, os quais incentivavam tais práticas tenebrosas a fim de compensarem a redução dos massacres humanos dos antigos ritos pagãos. Eles vampirizavam as carnes tenras das crianças sacrificadas aos ídolos bárbaros, assim como os civilizados de hoje exigem, epicuristicamente, a carne da vitela para satisfazer o seu carnivorismo insaciável. Embora os próprios sacerdotes, às vezes, percebessem em sua “visão astralina” a presença dos detestáveis vampiros banqueteando-se no sangue dos sacrifícios, eles também fingiam ignorar o acontecimento, porque viviam nababescamente da “indústria da morte”, tal qual hoje ainda se vive do massacre, nos matadouros e frigoríficos!

Os templos pagãos, com a degola e a queima de crianças e jovens, os templos judeus, com o morticínio de animais e aves, eram verdadeiras filiais de fornecimento de tônus vital cobiçado pelos espíritos subvertidos do Além-túmulo, tal qual ainda se faz hoje nos candomblés africanos e outros ritos primitivos. Mas o sangue vertido inutilmente volta-se por Lei Cármica contra os seus próprios responsáveis, marcando-os como futuras vítimas do vampirismo, feitiçarias ou obsessões. Aliás, o homem resgata, quase de imediato, a sua defecção para com os animais, porque herda as doenças que eles não podem denunciar antes do corte, em face de sua impotência verbal. Então proliferam hepatites, tumorações, anemias perniciosas, decomposições sangüíneas, nefrites, hipertrofias, artritismos, úlceras, chagas e principalmente o parasitismo incontrolável de amebas, giárdias, estrongilóides, triconocéfalos, helmintos, oxiúros, tênias, ascárides ou diversos protozoários patogênicos. 10

10 – Recomenda-se ao leitor a extraordinária comunicação de Irmão X, por Chico Xavier, edição da FEB, intitulada O Enigma da Obsessão, capítulo XV, da obra Contos e Apólogos, da qual extraímos as seguintes frases: “Essa é a luta multissecular entre encarnados e desencarnados, que se devotam ao vampirismo. É desse modo que as enfermidades do corpo e da alma se espalham nos mais diversos climas. Os homens, que se julgam distantes da harmonia orgânica sem o sacrifício dos animais, são defrontados por gênios invisíveis que se acreditam incapazes de viver sem o concurso deles. Quem devora os animais, incorporando-lhes as propriedades ao patrimônio orgânico, deve ser apetitosa presa dos seres que se animalizam. Os semelhantes procuram os semelhantes. Essa é a Lei”.

Os homens ainda poderiam gozar de alguns conceitos favoráveis junto à Administração Sideral, mesmo alimentando-se de carne, caso o fizessem exclusivamente da caça de aves e animais selvagens, cujo psiquismo primário ainda não os perturba na morte súbita, porque estão vinculados a um Espírito-Grupo. Mas eles agravam suas culpas, porque além de mistificarem os infelizes irmãos menores através de uma assistência aparentemente fraterna, à base de antibióticos, vacinas, rações especializadas e cuidados quase maternais, depois os devoram impiedosamente sob as mais requintadas formas de cozidos e assados!

 

PERGUNTA: – Qual é a conseqüência mais grave de comermos carne, na atualidade de nossa graduação espiritual?

RAMATÍS: – Algumas espécies animais, como o cão, camelo, elefante, carneiro, macaco, gato e principalmente o cavalo, já possuem bem desenvolvido o corpo astral, que lhes permite dar vazão a emoções e sentimentos a caminho de humanização. O cavalo, no entanto, já demonstra rudimentos de raciocínio, e começa a revelar essa qualidade no campo da aritmética e no discernimento familiar dos locais que percorre freqüentemente, como no caso dos cavalos de padeiros, que após determinados ensinos podem visitar a freguesia sem qualquer comando humano. É evidente que, se o cavalo já apresenta comprovações da “razão humana”, os comedores de carne de cavalo começam a praticar novamente a “antropofagia”, isto é, devoram carne humana!

 

PERGUNTA: – Alhures dissestes que o enfeitiçamento através de objetos materiais tende a enfraquecer-se devido ao progresso da Ciência, a qual esclarece quanto às crendices e superstições herdadas dos povos primitivos.

RAMATÍS: – Realmente, as práticas de enfeitiçamento tendem a diminuir no seu processo tradicional firmado através de objetos materiais, como bonecos de cera, sapos, cabelos e outros tipos de condensadores de forças maléficas, em incessante projeção sobre as vítimas embruxadas. O advento atômico, o domínio de raios, ,ondas, magnetismo, controle-remoto e a inesgotável fonte de energias descobertas incessantemente na devassa do mundo oculto, cuja base científica é explicada em literatura popular ao homem comum, abala a crença e a fé das criaturas nas coisas miraculosas e misteriosas.

Ademais, os “babalaôs” e africanos autênticos, que manejavam facilmente as forças ocultas e produziam fenômenos incomuns, surpreendendo os freqüenta dores de terreiros, depois de desencarnados foram substituídos por crioulos, mulatos e brancos incipientes, os quais ainda confundem as práticas severas da magia africana com as fantasias ridículas do animismo mediúnico descontrolado. Assim como a Astrologia enxovalha-se nas mãos dos neófitos pela confecção ridícula de horóscopos em massa e a domicílio, tão precários como a “buena dicha” das ciganas, a velha magia africana avilta-se entre os terreiristas principiantes, que se mostram incapazes de dinamizar o duplo etérico das coisas e seres, fazendo-os vibrar potencialmente no mundo astralino. Comumente, a magia castiça e autêntica do africano, hoje não passa de uma colcha de retalhos costurada pelos fragmentos do folclore “afro-católico-ameríndio”, ainda abastardada com a infiltração intrusa de práticas do ocultismo oriental. A magia africana detinha no ambiente do mundo material, mas recrudesce em sua força e amplitude no mundo astralino, ante o fornecimento indiscriminado de sangue vertido nos morticínios em massa, de animais e aves nos frigoríficos modernos, e pelos homens esfrangalhados pelas superbombas nos campos de batalha das guerras sangrentas!

Enquanto existir sangue à disposição dos vampiros do Além, a obsessão, o feitiço, a tragédia, a desventura e a doença ainda serão patrimônios cármicos da humanidade terrícola! As plantas daninhas e nefastas só desaparecem dos jardins bem-cuidados, onde falta o adubo seivoso, que lhes dá a vida no solo!

 

PERGUNTA: – Poderíeis explicar-nos melhor o que significa o predomínio do feitiço astral, em face do enfraquecimento da bruxaria praticada através de objetos materiais?

RAMATÍS: – Afora os “candomblés” e outros gêneros de trabalhos mediúnicos, que ainda conservam autenticidade nas suas práticas de enfeitiçamentos, demandas ou desmanchos originários da tradição africana, a bruxaria através de objetos e seres tende a enfraquecer-se, por faltar-lhe a dinâmica ativada pelos velhos babalaôs e “pais-de-santo”, já desencarnados. Os seus substitutos não estão à altura da responsabilidade assumida, pois são poucos os que entendem de magia africana. Alguns chefes de terreiros, graduados à última hora, após um breve contato com os pretos-velhos, bugres e caboclos, julgam-se capacitados para exercerem a difícil tarefa de “babalaô” ou pai-de-santo. À medida que a ciência avança aí no mundo material, logrando realizações incomuns, os feiticeiros, no Espaço, também descobrem novos recursos e meios eficientes para prosseguirem na prática de enfeitiçamento, independentemente de objetos catalisadores ou projetadores de maus fluidos!

O homem terreno descobriu o radar, o controle-remoto, o avião a jato, o raio laser, o foguete planetário e põe-se em contato positivo com a Lua! Evidentemente, o progresso aqui no Espaço também é incessante e avança muito além das conquistas terrenas, pois seria incoerente e absurdo que só a vida material alcançasse soluções superiores. E isso também ocorre com a atividade de bruxaria, em que os magos desencarnados, pouco a pouco, dispensam o concurso dos feiticeiros da Terra, porque já dispõem de recursos energéticos e do domínio no campo astralino da configuração atômica da matéria! Ademais, o incessante fornecimento de sangue, o desregramento pelo álcool, fumo, entorpecentes e carnivorismo, por parte dos homens, significa pródiga cooperação para o maior êxito de enfeitiçamento.

E o desatino humano assume proporções vultosas, pois a prostituição se alastra em todas as classes e as criaturas exageram o culto pessoal, assim como era tão comum entre os pagãos de Sodoma, Gomorra, Babilônia, Pompéia e outras civilizações marcadas pela penalidade cármica! Homens e mulheres de cabelos já embranquecidos, em vez de se imporem ao respeito e à veneração dos seus descendentes, sacrificam a dignidade da velhice, competindo e aviltando-se com a juventude nas bacanais da carne! Recusam viver a condição venerável e ascética de “vovô” ou “vovó”, cujas “cãs” significam a condecoração da existência física concedida pelo Senhor no aprendizado do mundo, para se nivelarem com o cinismo próprio dos seres humanos desabusados e subvertidos!

 

PERGUNTA: – Considerando-se que os animais e as aves, quando alcançam a velhice, ficam desamparados, cegos, exaustos, enfermos e paralíticos e até maltratados, pelos companheiros mais jovens, porventura não seria mais lógico serem sacrificados nos matadouros, de modo mais rápido e sob menor sofrimento? 11

RAMATÍS: – O fato de tais seres chegarem à velhice desnutridos, abandonados, cegos e doentes, isso é culpa do próprio homem, que os cria deliberadamente para trucidá-los nos matadouros e devorá-los nas mesas epicuristas, em vez de protegê-los por serem irracionais e incapacitados para sobreviverem sadiamente no seio da civilização!

11 – “O massacre organizado e sistemático dos animais, nos matadouros, as matanças que o amor pelo esporte provoca lançam cada ano, no mundo astral, milhões de seres cheios de horror, de espanto e aversão pelos homens.” Trecho extraído da obra Sabedoria Antiga, capítulo II, o “Plano Astral”, de Anne -Besant, edição Livraria Freitas Bastos.

Porventura, os donos de escravos ainda seriam magnânimos, só por matá-los ainda moços, após tê-los explorado, alegando a excêntrica desculpa de um homicídio piedoso para livrá-los da cegueira, doenças e velhice? Depois de o homem explorar o leite da vaca, os ovos das aves e a lã dos carneiros, o seu dever é protegê-los até à velhice, assim como é dever dos filhos amparar, na velhice, os pais que os serviram desde a infância! Aliás, os homens não se preocupam em matar macacos e cachorros, que podem adoecer ou cegar na velhice, porque a carne desses animais, além de desagradável, ainda é “fora de moda”!

Atualmente, não se ignora que o homem procede da linhagem animal e herdou-lhe as características instintivas, que asseguram o alicerce para a alma encarnar-se em sua atividade educativa no mundo físico. Assim como a muda da laranjeira de boa qualidade precisa do “cavalo-selvagem”, para ali desenvolver-se sob o potencial da seiva agreste e através da enxertia, o psiquismo do homem futuro também necessitou da base animal, para despertar e desenvolver o sentimento e a razão.

Em conseqüência, se o homem mata prematuramente e devora o animal, ele também elimina no mundo físico a possibilidade de outras almas virginais iniciarem a sua marcha consciencial sob os estímulos instintivos, mas criadores, do psiquismo inferior. Destrói, portanto, o material educativo que apura e modela a forma do ser lançado na corrente evolutiva a caminho da escultura humana! Não importa se o boi, cavalo, porco, carneiro e cabrito podem ficar velhos, cegos, doentes e maltratados pelos companheiros mais jovens, mas é obrigação do homem proteger e ajudar o animal na sua escalonada evolutiva, antes de transformá-lo em matéria-prima para a sua glutonice insaciável. A Administração Divina determina o prazo de vida física para cada espécie animal, não cabendo ao homem o direito de decidir sobre as vidas que ele aproveita, mas não criou!

Há alguns séculos, na luta feroz pela sobrevivência humana, em que o homem empregava o máximo de sua astúcia e força animal, justificava-se a preferência carnívora por falta de alimentação mais adequada. Então o tigre, o porco-selvagem, o lobo ou o búfalo sempre deviam ser sacrificados para sobreviver o homem, isto é, a peça mais trabalhada pela natureza, o ser mais importante da linhagem animal! Mas em virtude de sua atual superioridade racional de distinguir o certo e o errado, o bem e o mal, o sadio e o enfermo, o pecado e a virtude, além de já produzir alimentação sintética e aproveitar todos os recursos das frutas e vegetais, para suprir-lhe, de modo favorável, a carência orgânica de proteínas, vitaminas e minerais, o homem incrimina-se perante a Divindade na sua obstinada preferência carnívora!

 

PERGUNTA: – Porventura, o mundo não ficaria saturado de animais ferozes e aves de rapina, caso os homens evitassem de caçá-los ou devorá-los?

RAMATÍS: – Os homens não precisaram devorar os animais antediluvianos, nem as gigantescas aves de rapina, que desapareceram na época prevista pelo Criador! As espécies mais monstruosas sumiram-se do cenário terrícola por força de seleção e evolução do mundo. Deus, depois de realizar o mais difícil, a criação do Universo, não iria cometer enganos ao prodigalizar a vida aos animais e aos homens na face de um planeta! Quando esquematizou o globo terráqueo, Ele o fez sob um programa tão lógico e sadio, que na criação funciona a lei de compensação, que incentiva e corrige coisas e seres para uma vivência sensata! Sob tal lei, os coelhos, cuja fertilidade ao nascer poderia saturar o globo em pouco tempo, também sucumbem facilmente ante o primeiro descuido. No entanto, de parte da águia e do condor, aves de rapina, resistentes e de grande envergadura, capazes de carregar novilhos nas garras e liquidar todas as espécies menores na face da Terra, só vinga um ovo em cada cem ovos! Obviamente, é muita presunção do homem querer corrigir a obra divina do Universo regulada por leis tão sábias!

 

PERGUNTA: – Se o sangue é o alimento precioso para os vampiros desencarnados e a base para a prática de bruxaria astral, porventura os animais também não proporcionam cotas de sangue, quando se entredevoram?

RAMATÍS: – Há muita diferença entre o animal que é morto pelo adversário na sua luta pela seleção e sobrevivência do mais forte e mais apto, com o homem que assassina o irmão menor na laje fria do matadouro, e depois o devora assado ou cozido! O homem “pensa” e pode resolver os seus problemas de alimentação, defesa e proteção sem os morticínios inúteis, coisa que o animal ainda não pode fazer por faltar-lhe o senso racional!

O sangue derramado pelo tigre, quando trucida o jaguar, ou pelo jaguar quando mata outra espécie menor, também pode atrair as almas selváticas e animalizadas para a satisfação vampírica ou abastecimento vital. Mas o tônus vital do sangue dos animais selvagens é dosado com éter-físico de natureza muito primária e sobrecarregado de impurezas minerais. Lembra o combustível grosseiro, espécie de óleo cru dos motores primários, em vez da eletricidade sutil que move o barbeador tão delicado. São resíduos vitais tão grosseiros, que não cedem à ação imponderável do espírito desencarnado ou em operações de enfeitiçamento, tratando-se de substância de natureza muito física.

 

PERGUNTA: – Há muita diferença entre a contextura carnal do touro selvagem, do boi, do javali e do porco, da cabra-montesa e do cabrito domesticado? Porventura, manifesta-se alguma nova disposição ou especificidade vital no sangue desses animais, só porque eles são domesticados pelo homem?

 

RAMATÍS: – O mineral dorme, o vegetal sonha, o animal sente, o homem desperta e o anjo vive! O animal selvagem, individualmente, só possui o corpo etérico e o físico, pois o seu corpo astral ainda é um fragmento informe do corpo astral coletivo do “espírito-grupo” que dirige a espécie. 12

12 – O Espírito-Grupo ou Alma-Grupo animal é o psiquismo global que ainda dirige a espécie selvagem, ou primária; é a vida invisível que anima as formas animais. O psiquismo da Alma-Grupo vai-se fragmentando à medida que os seus componentes animais vão-se individualizando, manifestando emoções à parte e até bruxuleios de razão, como hoje já se verifica nos cavalos que extraem “raiz-quadrada”, camelos, macacos, elefantes e cães, cujos sentimento e paixão muito humanos revelam algo de raciocínio.

Assim, o lobo, o tigre, a cobra e o peixe são apenas partes etéreo-físicas da alma-grupo da mesma espécie, porém ligadas ou vinculadas a um só corpo astral e coordenador do tipo animal. Por isso, os animais das espécies selvagens nascem, crescem, vivem e reagem de um só modo instintivo, igual e semelhante em todos os seus componentes, porque eles também obedecem a um só comando psíquico diretor. Poderíamos comparar o Espírito-Grupo das espécies animais ao Sol quando ilumina o oceano e sua luz incide em cada gota, sem fragmentar-se individualmente.

 

PERGUNTA: – Poderíeis dar-nos qualquer exemplo sobre o modo de as confrarias das sombras auxiliarem os espíritos recém-desencarnados e carentes de recursos vitais?

RAMATÍS: – As confrarias diabólicas estudam e experimentam as técnicas subversivas mais eficientes para conseguirem o domínio sobre os encarnados. Os seus mentores, espíritos veteranos que conhecem todas as vu1nerabilidades humanas, sabem estimular os desequilíbrios mentais e emotivos sobre os vivos imprudentes, abalando-1hes o sistema nervoso e impondo1hes o descontrole no campo psíquico. Eles incentivam a cólera, a ira, o ciúme e o ódio, provocando desarmonias perispirituais e fisiológicas, que alteram o metabolismo endocrínico e decompõem as substâncias hormonais pelo processo de eterização. Isso produz o envenenamento da rede circulatória e eleva a tensão dos plexos nervosos, além de resultarem os fenômenos patológicos de eczemas, impingens neuro-hepáticas, urticárias e certas doenças da pele de origem inespecífica, que são frutos da injúria psicofísica, e ainda mais irritam o paciente levando-o ao paroxismo.

Então a natureza humana tenta expulsar para o exterior do corpo físico a carga nociva em trânsito pela circulação e oriunda da desarmonia psíquica. Os espíritos sabem que isso acumula resíduos vitais à altura do cerebelo, e então operam à noite, quando o homem dorme e sua aura mostra-se enfraquecida na sua blindagem fluídica. Assim conseguem furtar esse residual vital e nervoso que se polariza em torno dos objetos condensadores situados nos travesseiros, colchões ou cobertas, operações vampíricas que são esquematizadas e orientadas por hábeis técnicos da “linha negra”.

 

PERGUNTA: – Há fundamento de que, devido a enfeitiçamentos combinados à degola de aves, galos pretos e outros animais, a vítima pode ficar paralítica ou sofrer acidentes graves em sua vida?

RAMATÍS: – Jesus sempre ensinou que a responsabilidade espiritual do homem é intransferível e pessoal, pois, de conformidade com a Lei Cármica, “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, e a “cada um será dado segundo as suas obras”!

Em conseqüência, se o homem alimenta-se do sangue do irmão menor e despreza frutos, legumes, hortaliças, derivados de aves como ovos e leite, ou o peixe que ainda é só éter físico ligado ao espírito-grupo, ele também se candidata a sofrer, no futuro, os resultados funestos decorrentes desse derramamento de sangue de que é um contribuinte ou aproveitador! Por isso, o feitiço também atinge pessoas pseudamente inocentes ou de bom coração, espécie de cooperadores anônimos de matadouros e frigoríficos, que são incapazes de trucidar uma ave ou animal mas os devoram famelicamente sob os mo1hos picantes ou assados, depois que outros os matam!

Sem dúvida, 90% da humanidade é candidata em potencial ao êxito do feitiço mental, verbal e físico, porque sacia-se nas vísceras sangrentas dos animais e produz o clima de impureza magnética às cargas enfeitiçantes. Sob a lei de que “os semelhantes atraem os semelhantes”, o sangue absorvido do animal eteriza-se e vincula-se à aura da criatura humana, tornando-a sensível a quaisquer práticas danosas fumadas em sacrifícios cruentos.

 

PERGUNTA: – Qual é o motivo por que os espíritos extraem vitalidade humana, mesmo sem operar por enfeitiçamentos?

RAMATÍS: – É de senso comum que os espíritos agem noutro campo vibratório, cuja freqüência ultrapassa a vibração comum da matéria; e, por isso, precisam de um elemento intermediário que funcione como elo de ligação entre os dois planos espiritual e físico.

Os glutões espirituais precisam de energia vital humana para entreterem funções similares à digestão, atuando nos lares desarmonizados; os alcoólatras procuram as criaturas sensíveis à função de “canecos vivos”, a fim de sorverem os vapores etílicos e mitigarem a sede de álcool; os fesceninos necessitam de forças da esfera sexual dos vivos para satisfazerem as suas relações sexuais nos lupanares! Conseqüentemente, os espíritos subvertidos buscam as criaturas viciadas, rebeldes ou descontroladas, a fim de excitar-1hes os mesmos vícios que cultivavam quando encarnados, e que os afligem depois da perda do corpo físico. Eles necessitam baixar suas vibrações perispirituais em direção à matéria, e vincular-se aos encarnados com a predisposição de serem os “repastos vivos”, que devem atender a todos os desejos subvertidos.

Sabendo que o descontrole mental e emotivo favorece o desperdício de “tônus vital” à periferia do cerebelo dos vivos, os espíritos malfeitores procuram perturbar o psiquismo das criaturas imprudentes, incentivando- 1hes os contratempos, decepções e preocupações que possam irritá-los até ao descontrole. É por isso que Jesus, o Médico das Almas, insistia na sua recomendação, “Sede mansos de coração”, espécie de vacina preventiva contra a ira e a cólera, que armazena combustível degradante para os vampiros das sombras!

 

PERGUNTA: – Em face de vossas explicações, quase toda a humanidade encontra-se subjugada por esse execrável processo de vampirismo?

RAMATÍS: – Indubitavelmente, a maioria dos terrícolas ainda é escrava do enfeitiçamento e vampirismo, porque fornece o combustível vital inferior, produto dos vícios e paixões degradantes. Na Terra, ainda existe elevada quantidade de escravos algemados ao execrável processo de vampirismo, porque, após dois mil anos, o homem ainda parece desconfiado da terapêutica apregoada por Jesus! Os conceitos “Sede puros” e “Sede mansos de coração”, convertidos em vivência comum, extinguiriam os rios de sangue vertidos pelos animais e aves, nos matadouros, ou pelos homens, nos campos sangrentos de batalha. Infelizmente, a humanidade ainda prefere a condição de escrava explorada pelos viciados do Além, em troca de alguns minutos de prazeres ilusórios.

 

PERGUNTA: – Os espíritos, vampiros, que furtam os resíduos vitais do sangue, naturalmente são os nossos adversários de vidas passadas. Não é assim?

RAMATÍS: – Os vampiros de Além-túmulo não se preocupam se as suas vítimas são adversários, amigos ou parentes, pois, na condição de viciados em desespero, eles buscam o tônus vital para a sua revitalização e satisfação dos vícios e perversões a que estavam habituados na Terra. Os ladrões, quando furtam os vossos lares, não o fazem por questão de vingança, mas roubam por necessidade ou porque são vagabundos! Da mesma forma, os espíritos inescrupulosos e viciados do Além, que se aproveitam de sua invisibilidade para saciar as paixões incandescentes do seu corpo perispiritual, são homens que já viveram na face da Terra, possuíam família e amigos, trajavam à moda do mundo, freqüentavam praias, cassinos, cinemas, igrejas e estações de água. Sem dúvida, eles aviltaram-se na vida material sob as algemas dos vícios e das paixões carnais, que os superexcitam “após a desencarnação, porque os desejos estão na alma e não no corpo físico!

Quando o desejo atroz, estimulado nos vícios do mundo, domina o espírito sem corpo, ele é capaz das piores vilanias e degradações para a sua satisfação mórbida, assim como acontece com os viciados na cocaína, morfina ou álcool, na Terra. Então, ele avilta-se e vai à inescrupulosidade de furtar as forças nervosas e vitais dos seus próprios familiares!

 

PERGUNTA: – Surpreende-nos que certos espíritos degradados cheguem a vampirizar os próprios familiares!

RAMATÍS: – O vocábulo vampirismo não expressa exclusivamente a exploração dos espíritos desencarnados sobre os vivos, mas ele também identifica inúmeras vilezas, explorações e atos de perversidade nas relações afetivas ou amistosas entre os próprios encarnados. Aliás, nem sempre os laços consangüíneos da família carnal significam união de almas afins, mas também as algemas que imantam espíritos adversários e comprometidos desde as encarnações passadas.

Quantos filhos vadios, inescrupulosos e duros de coração vampirizam e consomem as energias de seus pais heróicos que, escravizados a tarefas inglórias, sustentam uma vida dissoluta? Há velhinhos que mourejam até altas horas da noite para conseguir os recursos exigidos pelas filhas desregradas numa vida de luxo e vaidade! É tão vampiro o esposo que explora a esposa costureira ou lavadeira, para sustentar-se na vagabundagem, como a mulher que exaure o companheiro em fatigantes tarefas, a fim de ostentar a roupa luxuosa, jóia caríssima e o perfume exótico sobre o corpo transitório. Os vampiros do Além são incipientes amadores ante o proxeneta ou gigolô, que explora a infeliz prostituta no leilão de carne viva!

 

PERGUNTA: – Qual é a defesa mais eficiente contra o vampirismo?

RAMATÍS: – Sem dúvida, é a conduta moral superior, que se fortalece pelo equilíbrio mental e emotivo. Enquanto os estados pecaminosos geram fluidos nutritivos para os vampiros do astral inferior, as virtudes próprias das emoções e dos pensamentos sublimes são a cobertura protetora contra o vampirismo. Na verdade, a melhor proteção contra os vampiros do Além ainda provém da integração do homem à vivência incondicional dos preceitos do Cristo-Jesus, pois a cristificação vacina contra quaisquer práticas de vampirismo, obsessão e bruxaria! Sabe-se, até hoje, que jamais as vibrações agressivas e mórbidas de processos enfeitiçantes puderam atingir ou modificar o campo vibratório de alta freqüência espiritual de Jesus, Buda, Francisco de Assis e outros luminares!

 

PERGUNTA: – Existe alguma diferença entre o furto de “tônus vital”, quando é favorecido por um enfeitiçamento ou é independente de qualquer bruxaria?

RAMATÍS: – Em ambos os casos, os travesseiros, cobertas ou colchões contêm objetos que, fundamentalmente, provêm dos três reinos: vegetal, mineral e animal, correspondendo hermeticamente a três vibrações-padrão. No caso de feitiçaria, os objetos são preparados e encaminhados por operadores do mundo terreno, como feiticeiros, magos-negros ou bruxos. Quando independente de feitiçaria, tais condensadores nefastos são colocados pelos próprios espíritos interessados no furto de fluidos vitais.

 

PERGUNTA: – Alhures dissestes que os vampiros também agem na zona do cerebelo, para extrair o tônus vital que não conseguem obter através do sangue habitual! Podeis dar-nos uma explicação desse processo?

RAMATÍS: – O vampirismo pode provir do enfeitiçamento praticado na Terra através de objetos preparados no rito da bruxaria ou ser facilitado pela imprudência das criaturas, que vivem em desacordo com os princípios sadios da vida espiritual. Durante o sono, quando o corpo descansa e dispensa a maior soma de energias, polariza-se, justamente, à altura do cerebelo, certa quantidade de tônus vital ou emanação do éter-físico do duplo etérico impregnado de “prana”, cujos peso específico e freqüência vibratória dependem muito das atitudes mentais e dos sentimentos assumidos durante o dia. No caso de irreflexões, violências ou desarmonias mentais ocorridas no estado de vigília, esse “tônus” será mais grosseiro e denso, tornando-se sensível e vampirizável pelo mundo astral inferior. Mas se houve equilíbrio psico-nervoso e comportamento evangélico, durante o dia, a exsudação vital se processa em freqüência ou campo tão sutil, que se sobrepõe a qualquer ação menos digna do Além. As turbações mentais e emotivas são impactos ofensivos na contextura delicada do perispírito, e repercutem também na fisiologia do duplo etérico ou corpo vital do homem. Em geral, o chacra ou centro de forças frontal, quando é perturbado por impactos mentais violentos, se desarmoniza com a função vitalizante do chacra esplênico, à altura do baço, encarregado da purificação sangüínea, resultando um extravasamento de tônus vital facilmente absorvível pelos vampiros!

A energia vital adulterada durante o dia pelo descontrole emotivo e mental do homem adensa-se à superfície dos “plexos nervosos” dos chacras esplênico, cardíaco e genésico, refluindo para a zona do cerebelo por atração do comando de onde o espírito exerce a sua maior atividade pensante, e ali se coagula como a nata do leite!

 

PERGUNTA: – O tônus vital que se forma à superfície dos centros etéricos do homem perturbado é sempre do mesmo tipo?

RAMATÍS: – Varia a natureza, a densidade e o potencial dos resíduos vitais que se acumulam sobre os chacras, no duplo etérico, de conformidade com as regiões onde eles se aglomeram. Na zona do plexo abdominal produzem fluidos de caráter mais ínfimo, que servem para os desencarnados utilizarem em fins grosseiros no campo da digestão vampirizada; no “plexus sexual”, a divina matriz da procriação, geram-se energias fluídicas que lhes dão ponto de apoio para as satisfações e ligações virtuais com os encarnados nos antros de lubricidade; na região do “plexus cordial”, à altura do coração ou do chacra cardíaco, eles obtêm os fluidos que intoxicam o campo emotivo, levando suas vítimas aos piores descontroles, a partir do seu próprio lar.

Finalmente, na região do intelecto, cujos fluidos vitais acumulam-se no cerebelo, os vampiros obtêm substância mais apropriada para exercerem a obsessão sobre a mente do encarnado.

Disso resulta que o tônus vital acumulado à superfície dos centros etéricos do duplo etérico varia, também, de conformidade com a região de maior importância do ser e a sua função como intermediário entre o corpo físico e o perispírito!

 

PERGUNTA: – O roubo de “tônus vital”, à noite, através de travesseiros, cobertas de penas de aves, casacos de pele ou de crina animal, pode levar o paciente à desencarnação?

RAMATÍS: – Embora seja mais difícil a bruxaria planeada para exterminar determinada criatura, pode provocar a morte da vítima através de acidentes, operações cirúrgicas desnecessárias, equívocos medicamentosos ou envenenamentos imprevistos. Mas, em tal caso, o feiticeiro encarnado precisa de muita ajuda dos colegas desencarnados no mundo oculto. É um tipo de enfeitiçamento que mutila ou desencarna, feito através de bonecos de cera ou parafina, com retalhos de fazenda ou fotografias da vítima.

 

PERGUNTA: – E qual é o motivo do enfeitiçamento feito através de travesseiros, cobertas e colchões, ou roupas íntimas, que não visam exterminar a vítima?

RAMATÍS: – Os espíritos malévolos ou feiticeiros encarnados, quando optam pela bruxaria em travesseiros, colchões e cobertas, não pretendem desencarnar o enfeitiçado, mas roubar-lhe o tônus vital ou apenas dificultar-lhe a vida material. Quando o enfeitiçado ausenta-se do contato com os travesseiros ou cobertas embruxadas, o seu organismo vampirizado à noite refaz-se durante o dia pelo prana da atmosfera projetado pelos raios solares, repondo as cotas vitais furtadas durante a noite. Isso enfraquece qualquer feitiço feito com a finalidade de destruir a vítima, a qual recupera as energias exauridas à noite, mantendo-se além do controle do feiticeiro.

 

PERGUNTA: – E quais são as conseqüências mais nefastas decorrentes do enfeitiçamento através de travesseiros, colchas ou roupas?

RAMATÍS: – O enfeitiçado ou vampirizado sob tais condições levanta-se de mau-humor, exaurido e entontecido pela perda da vitalidade, que lhe é sugada durante a noite pelo cerebelo. Sem dúvida, nem todo indivíduo que desperta exausto pela manhã está enfeitiçado ou vampirizado, pois o excesso de álcool, a glutonice e o abuso de condimentos também causam estados depressivos pela intoxicação hepática e conturbação renal.

Comumente, o enfeitiçado é um fornecedor de tônus vital habilmente convocado para nutrir os vampiros desencarnados, motivo por que, às vezes, é digno da mais carinhosa proteção pelos seus próprios vampirizadores, os quais não desejam perder a sua fonte de abastecimento às perversões mórbidas. Quanto aos objetos e preparos de bruxaria colocados nos travesseiros, cobertas ou colchões, que visam apenas ao furto de tônus vital, as vítimas não precisam impressionar-se, porque não passam de excêntricos fornecedores de alimentação mórbida do mundo oculto. No entanto, aliada a essa função execrável, também podem existir outros objetivos ou intenções, frutos de qualquer vingança contra a vítima.

 

PERGUNTA: – Malgrado as vossas explicações convincentes, estarrece-nos a existência dessas almas vampíricas!

RAMATÍS: – Os vampiros do Além, apesar do seu aspecto lúgubre, não passam das mesmas almas que já viveram na Terra, enquanto os atuais encarnados ainda fornecerão considerável quota de futuros vampiros após a morte física.

Alguns vivos já trazem estampadas na face a perversidade do tigre, a astúcia da raposa, a rapina do abutre, a vivacidade do macaco, ou então a fidelidade do cão, a mansuetude do carneiro, a resignação bovina, a doçura da pomba! Na verdade, afora o fenômeno ostensivo de licantropia e dos estigmas definidos na face de certas criaturas, lodos nós ainda somos detentores de algo expressivo dos animais. O homem atual, em verdade, mal transpõe a fase animal para a configuração humana, até lograr a plenitude angélica no futuro!

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Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral