Enfeitiçamento

Capítulo 2

Enfeitiçamento verbal

            PERGUNTA: – Que significa enfeitiçamento verbal?

RAMATÍS: – O enfeitiçamento ou a bruxaria, na realidade, pode efetivar-se pela força do pensamento, das palavras e através de objetos imantados, que produzem danos a outras criaturas. O enfeitiçamento verbal resulta de palavras de crítica antifraterna, maledicência, calúnia, traição à amizade, intriga, pragas e maldições. A carta anônima e até mesmo a reticência de alguém, quando, ao falar, dá azo a desconfiança ou dúvida sobre a conduta alheia, isso é um ato de enfeitiçamento. O seu autor é responsável perante a Lei do Carma e fica sujeito ao “choque de retorno” de sua bruxaria verbal, segundo a extensão do prejuízo que venha a resultar, das palavras ou gestos reticenciosos desfavoráveis ao próximo.

A palavra tem força, pois é o veículo de permuta do pensamento dos homens, os quais ainda não se entendem pela telepatia pura, conforme acontece noutros planetas adiantados. 1 Consoante a significação, a intensidade e o motivo da palavra, ela também se reveste de igual cota de matéria sutilíssima do éter-físico, sobre aquilo que ela define. Quando a criatura fala mal de alguém, essa vibração mental atrai e ativa igual cota dessa energia das demais pessoas que a escutam, aumentando o seu feitiço verbal com nova carga malévola. Assim, cresce a responsabilidade do maledicente pelo caráter ofensivo de suas palavras, à medida que elas vão sendo divulgadas e apreciadas por outras mentes, atingindo então a vítima com um impacto mais vigoroso do que o de sua força original. O malefício verbal segue o seu curso, pessoa por pessoa, assim como a bola de neve se encorpa lançada costa abaixo!

1 – Vide o capítulo “Idioma, Cultura e Tradições”, da obra A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores, Ramatís, Editora do Conhecimento.

 

A mobilização de forças através do verbo é predominantemente criadora, 2 é uma ação de feitiçaria de consideráveis prejuízos futuros para o seu próprio autor, pois as palavras despertam idéias e estas, pelo seu reflexo moral de “falar mal” de outrem, produzem a convergência de forças repulsivas, as quais se acasalam à natureza do pensamento e do sentimento, tanto de quem fala como de quem ouve. Sem dúvida, esta espécie de bruxaria através de palavras, também varia conforme a culpa e a responsabilidade da criatura.

2 – “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”, como elucida João Evangelista sobre o ato de “pensar” e “materializar” divino. Vide o capítulo “Ante o Serviço”, da obra Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz, edição da FEB, página 39, em que a praga paterna deu origem à paralisia do braço do filho desnaturado.

 

            PERGUNTA: – Poderíeis explicar-nos melhor esse assunto?

RAMATÍS: – Evidentemente, a pessoa que fala mal de outrem só por leviandade, há de ser menos culpada espiritualmente do que quem o faz por maledicência, inveja, sarcasmo, ódio ou vingança. No primeiro caso, as palavras não possuem a força molesta própria de uma deliberação malévola consciente. A criatura leviana é menos responsável do que a maldosa; porém, aquela que se concentra na ação deliberada de prejudicar alguém pelo pensamento, pela palavra ou pela bruxaria através de objetos preparados, movimentando forças tenebrosas contra o próximo, elabora ou cria o seu próprio infortúnio.

 

            PERGUNTA: – Há fundamento de que as pragas e maldições também, causam desgraças?

RAMATÍS: – O homem é um espírito ou núcleo espiritual, que centraliza em si todos os tipos de forças imanentes aos diversos planos de vida. O corpo físico é a vestimenta transitória de menos importância no conjunto do homem, pois a energia que ali se condensa na forma de matéria, força, incessantemente, a fuga e libertação para retomar ao seu plano original. Essa energia, aprisionada em todas as formas do mundo, produz na sua exsudação permanente as diversas auras, que se compõem das radiações dos objetos e seres. É a polarização resultante do impulso centrífugo da energia condensada, tentando readquirir a sua vivência normal ou estado de absoluta liberdade.

Quando o espírito pensa, ele agita todos os campos de forças que baixaram vibratoriamente até atingirem o seu perispírito e o corpo físico; assim projeta em todas as direções energias benfeitoras ou malévolas, criadoras ou destrutivas, segundo a natureza dos seus pensamentos e sentimentos. A palavra, portanto, é a manifestação sonora, para o mundo exterior, do sentimento ou pensamento gerado no plano oculto do ser. Deste modo, além dela constituir força duradoura, ainda incorpora no seu trajeto as demais energias benéficas ou maléficas que, no seu curso, ativa e desperta nas criaturas interessadas no mesmo assunto. Aliás, é tão sutil e influente a palavra, que certas pessoas, devido a um sentido oculto, chegam a pressentir quando alguém fala mal delas, e as deixa alertas contra algum perigo iminente.

Ademais, as palavras ainda conduzem algo do cunho particular ou psicológico da característica individual do seu autor, quando são forjadas por sentimentos censuráveis contra outrem.

 

            PERGUNTA: – Gostaríamos de uma explicação mais clara.

RAMATÍS: – Há diferença de “tensão” ou “impacto” no feitiço verbal, ou na praga, quando é pronunciado por um homem egoísta, avarento, invejoso, luxurioso ou pusilânime, pois embora sempre seja crueldade causar qualquer dano ao próximo, a palavra conduz na sua base o fluido gerado pelo pecado fundamental de cada ser! Servindo-nos de um exemplo, algo rudimentar, diríamos que a maldição do avarento é mais avara na sua contextura vocabular daninha, do que a mesma praga pronunciada por um homem pródigo. As pragas proferidas pelas pessoas “otimistas” são bem mais inofensivas do que as maldições das “pessimistas”; as primeiras não conseguem eliminar da base de suas palavras ofensivas o sentido peculiar de verem as coisas de um modo saudável. As segundas, no entanto, através da emissão verbal, vertem toda a sua mágoa do mundo e dos demais seres, pois transbordam um rio de vingança pela ofensa de algumas “gotas de água”.

Também existe profunda diferença entre o ato de maldizer e abençoar, que se revela na própria expressão psicofísica da figura humana, porque também difere o tipo e a qualidade de energias que são utilizadas para manifestar cada uma dessas atitudes. Quando abençoamos, mobilizamos energias dosadas desde o reino espiritual, mental, astral, etérico e físico, na forma de um combustível superior, para expressar a idéia, o sentimento e a emoção sublimes do nosso espírito naquele momento. Durante o ato de abençoar, o homem revela na sua configuração humana a magnitude, altiloqüência, mansuetude e o recolhimento do espírito preocupado em invocar forças superiores e benfeitoras em favor de alguém. O brilho dos olhos, o gesto das mãos, a expressão do rosto e a quietude do corpo formam um conjunto de aspecto atraente, a combinar-se mansamente com o fluido amoroso que sempre acompanha a palavra benfeitora. Há indizível encanto e respeito no gesto da mãe que abençoa o filho, quando ela mobiliza a sua força materna e invoca a condição divina de médium da vida, a fim de rogar ao Criador a proteção amorosa para o seu prolongamento vivo, no mundo. O pior bandido comove-se diante da sinceridade e do sentimento puro de alguém que o abençoa, e não rejeita essa oferenda espiritual, que não humilha nem ofende!

A bênção é uma invocação divina outorgada aos homens para ajudar outros homens, pois, em vez de pedido ou rogativa egotista a favor de quem abençoa, é uma súplica a Deus para beneficiar o próximo. A bênção é a homenagem fraternal, que adoça a alma de quem a recebe e beneficia a quem a dá!

 

 

            PERGUNTA: – Então há fundamento na praga ou maldição, que é um acontecimento oposto à bênção, e até algo freqüente entre as criaturas mais primitivas?

RAMATÍS: – Há pouco explicamos que a criatura, quando abençoa, expressa-se num gesto sereno, simpático, agradável e cativante, como reflexo exterior do sentimento magnânimo que lhe vai na alma! Mas tudo se modifica quando ela maldiz, porque então mobiliza energias inferiores e agressivas, que revelam o seu estado espiritual de ira, turbulência e desatino espiritual, numa aparência repulsiva e atrabiliária.

O praguejador.crispa as mãos e os olhos fuzilam despedindo faíscas de ódio; dilatam-se as narinas sob o arfar violento do amor-próprio ferido, ou entorce-se o canto dos lábios sobre os dentes cerrados! A fisionomia fica congesta e retesada, delineando o “facies” animal na sua fúria destruidora. Sem dúvida, há pessoas que também maldizem ou rogam pragas tão despercebidamente, como a usina elétrica projeta a sua força mortífera e silenciosa através dos diversos transformadores que a conduzem até o objetivo final. Mas a carga pensada e concentrada sob uma vontade diabólica e fria, assim como o veneno, disfarça-se e mata no copo de água cristalina, é o feitiço silencioso e de força penetrante como a rosca sem fim! Consoante as leis de afinidade energética, esse feitiço mental e verbal, além do seu impulso original, alimenta-se, dia a dia, sob o pensamento perverso da pessoa extremamente vingativa. .

No entanto, a praga ou a maldição proferida abertamente pela pessoa temperamental e sem controle emotivo, é impulso mais inofensivo do que a carga enfeitiçante e destruidora, que se forja lenta e calculadamente no quimismo do laboratório consciente mental. E o povo então considera inofensiva a praga que sai da “boca pra fora”, mas arrepia-se quando ela parte do coração!

 

PERGUNTA: – Como se explica isso?

RAMATÍS: – Há pragas e maldições que são frutos de uma construção mental demorada, cozidas a “fogo lento” e avivadas, dia a dia, sob a nutrição odiosa de um amor-próprio orgulhoso e vingativo. Elas se alimentam no calculismo mental frio e criminoso de destruir o adversário. “A vingança é a delícia dos deuses”, disse certo imbecil na Terra, provavelmente acometido de alguma crise mórbida, que o fez ignorar o sofrimento atroz espiritual e próprio dos vingativos, depois de sua morte física!

Aliás, não, é preciso ser um mago para concentrar a desgraça na palavra que maldiz o próximo; basta ser um homem perverso! Mas, enquanto as pragas forjadas da “boca pra fora” são instintivas, como as avezitas que tombam desamparadas dos ninhos ao iniciar o seu vôo indeciso, a maldição consciente é força tão diabólica, que arrasa a vítima indefesa e massacra o seu próprio autor imprudente!

 

            PERGUNTA: – Há fundamento de que a praga de mãe é irreparável?

RAMATÍS: – A força destruidora da praga ou maldição depende fundamentalmente do grau de sua veemência odiosa e do vínculo fluídico que exista entre a pessoa que amaldiçoa e a que é amaldiçoada. Obviamente, entre mãe e filho existe o mais profundo vínculo psicofísico, pois a mãe gera-lhe o corpo carnal no ventre durante os nove meses tradicionais, e ainda sofre todos os impactos da natureza espiritual boa ou má do descendente, pela fluência ou troca de fluidos mentais e emotivos entre ambos, durante alguns anos e acima dos laços comuns consangüíneos. Ademais, segundo a Lei do Carma, os pais e filhos tanto podem ser inseparáveis amigos como os piores inimigos enlaçados pelo pretérito. No primeiro caso, eles estarão unidos pelo amor, e, no segundo, imantados pelo ódio!

Há filhos cuja conduta mercenária e exploração dos pais, leva-os a cometimentos tão censuráveis, que as pragas maternas encontram um terreno fértil para medrar sem qualquer apelação. As mães não costumam maldizer os filhos amorosos, bons’ e laboriosos e os lembram em suas preces e rogativas a Deus. E aquelas que, por qualquer contrariedade filial, rogam pragas num desabafo ou desespero sobre os filhos gerados para a sua própria redenção espiritual pregressa, são como as crianças imprudentes, que lançam a esmo o brinquedo chamado bumerangue, e depois são atingidas no retorno, com redobrada violência.

Alhures já comentamos que a ira, a cólera, o despotismo e o ódio produzem fluidos tão tóxicos na vestimenta espiritual do homem, que ao verterem para o “mata-borrão” vivo do corpo físico produzem moléstias incuráveis e as aflições mais indesejáveis. As explosões mentais ou verbais contra o próximo, convertendo-se na carga tóxica gerada pela mente sob o combustível do ódio, raiva ou vingança, após atingir o objetivo colimado, encorpam-se com os fluidos mórbidos da vítima e retomam centuplicadas em sua natureza agressiva contra o próprio autor!

A maldição de mãe é a mais funesta de todas as maldições, porque além de produzir o fluido virulento, próprio da criatura encolerizada, age com extrema rapidez através dos laços íntimos forjados na própria gestação materna. Os fluidos destrutivos, mobilizados pela praga de mãe, causam inevitável desgraça porque ferem o próprio vaso carnal a que ela deu vida.

 

            PERGUNTA: – Obviamente, a praga de mãe é realmente irreparável?

RAMATÍS: – Isso depende da intensidade da força do ódio da mãe que maldiz, como também do grau de culpa do filho!

 

PERGUNTA: – Há fundamento de que a praga de madrinha também é difícil de se conjurar?

RAMATÍS: – Conforme a tradição católica consagrada pela cerimônia do batismo, a madrinha é a substituta da própria mãe. O ritual do batismo é uma cerimônia respeitosa, que confirma severa obrigação espiritual dos padrinhos junto à pia batismal, comprometidos de protegerem o afilhado na ausência dos pais ou em circunstâncias infelizes. Ninguém é obrigado a batizar qualquer criança, mas, depois de fazê-lo, seja sob a égide católica, protestante, espírita ou umbandista, terá de cumpri-lo, sob pena de sofrer imensas desventuras no mundo espiritual!

Embora saibamos que as cerimônias religiosas do mundo, derivadas de dogmas e “tabus” do passado, jamais poderão modificar a essência íntima do espírito, elas podem despertar forças ocultas e ajustar os pensamentos sob o mesmo tema espiritual. Durante o batismo processam-se fenômenos de “imantação” pela convergência de fluidos que são mobilizados pelos pais, padrinhos e pelo próprio afilhado, compondo-se um amálgama ou vínculo de grave compromisso espiritual entre os presentes até o fim da existência carnal. A madrinha e o padrinho assumem espontaneamente, em espírito, a obrigação de cuidar do filho virtual e adotivo, que lhes é oferecido através da cerimônia do batismo. O ritual apenas consagra no mundo profano aquilo que já foi deliberado no mundo espiritual! 3

3 – Nota de Ramatís: – Despreocupa-nos cuidar se as crianças devem ou não devem ser batizadas, pois, segundo a doutrina espírita, todas já nascem sob o batismo amoroso de Deus. Em verdade, o homem salva-se pelas suas obras, e não por suas crenças. Mas a cerimônia ainda é um hábito que se justifica pelos acontecimentos mais importantes na vida humana. Há cerimônias na esfera científica, durante a consagração de um sábio ou evento incomum; na esfera política, marcando o triunfo eleitoral ou a vitória diplomática. Na colação de grau de doutorandos, há discursos, juramentos, flores, becas, trajes novos, ritual de entrega de diplomas, evocações saudosistas dos falecidos ou homenagem aos veteranos. A cerimônia, portanto, é uma “confirmação” ou “memorização”, no mundo de formas, até que o homem possa manifestar-se na sua autenticidade espiritual.

Evidentemente, se a madrinha assume perante a Divindade o compromisso espiritual de substituir a mãe do ente que aceita por afilhado, ela também fica vinculada a ele por laços ocultos avivados durante o batismo. Dali por diante, tanto a sua bênção como a maldição transmitem-se rapidamente sobre o afilhado ou “filho adotivo”, sob a mesma vinculação de mãe e filho! Daí a veracidade do senso popular, quando diz que “praga de madrinha” é tão forte como a “praga de mãe”!

 

PERGUNTA: – Há preocupações ou sofrimentos por parte dos pais desencarnados, que não batizaram os seus filhos, quando em vida física?

RAMATÍS: – Os pais desencarnados não se preocupam porque seus filhos não foram batizados, pois verificam, no Além, que a salvação do homem não depende de crença ou cerimônia, porém, de suas obras! Mas eles sofrem atrozmente, quando os seus descendentes ficam na penúria, entregues aos vícios do álcool, jogo, entorpecentes ou descambam para o roubo, crime ou para o suicídio. É lamentável o sofrimento dos pais aflitos, quando depois de confiarem os filhos na cerimônia do batismo a padrinhos de estabilidade financeira no mundo carnal, verificam que estes nada fazem para minorar a desdita de seus afilhados.

Não importa se o batismo é uma cerimônia católica, protestante, espírita ou umbandista; ou se o consideram superstição, mito, dogma ou crendice. Ele pouco vale na consagração à luz do mundo físico, mas é um compromisso severo e espiritual, alguém apadrinhar uma criança que lhe é oferecida em nome de Deus!

O próprio dicionário humano esclarece, em linguagem categórica, que padrinho é o “patrono”, o protetor e madrinha no feminino. É, portanto, uma segunda paternidade que o homem assume sobre o filho do amigo, parente ou servidor, no ato espontâneo de aceitar um filho adotivo. Mas as obrigações também são recíprocas entre padrinhos e afilhados, motivo por que estes tanto merecem a bênção, como podem fazer jus à maldição de madrinhas!

 

PERGUNTA: – E qual seria um exemplo convincente da força da palavra em sentido construtivo?

RAMATÍS: – Há pouco, referimo-nos à palavra amorosa, construtiva e catalisadora de forças e emoções superiores, como é a expressão verbal “Deus-te-abençoe”, vigoroso “mantram”, que dinamiza na criatura a esperança e o júbilo espiritual. Assim como a praga ou a maldição de mãe, a de madrinha é força tenebrosa e mais destrutiva do que a proferida por estranhos, a bênção, no mesmo caso, também produz resultados mais sublimes e benfeitores. Com o magnetismo energético e hipnótico das palavras, podemos despertar energias e promover transformações miraculosas. Jesus levantava paralíticos com sua palavra criadora, desatando energias adormecidas e produzindo verdadeiros milagres. Há médicos inteligentes, que obtêm curas extraordinárias de seus pacientes, mobilizando palavras criadoras e dinamizando “formas-pensamentos” vigorosas, que combatem e destroem as acumulações fluídicas enfermiças. Cada letra, ou sílaba, além de sua ação vibratória no campo mental, astral e etérico do homem, ainda repercute em determinada região ou zona do seu corpo físico, onde produz as modificações mais sensíveis. Aliás, diz a ciência do mundo que o homem põe em movimento 72 músculos do corpo, cada vez que pronuncia uma só sílaba.

 

            PERGUNTA: – Seria possível dar-nos alguns exemplos concretos da ,ação psíquica e física das palavras?

RAMATÍS: – Há palavras antipáticas e equívocas, com demasiada aglutinação de consoantes, que produzem sensações desagradáveis na mente humana e influem na temperatura, pressão e circulação humana. Cada uma das letras do alfabeto repercute pelo corpo do homem em zonas distintas, conforme pode ser comprovado pela auscultação mental, durante a sua pronúncia.

Malgrado julgar-se mito ou superstição, os magos conseguiam aumentar a produção de sucos gástricos, fermentos pancreáticos e bílis, inclusive acelerar os batimentos cardíacos, elevar a pressão, a temperatura e relaxar os nervos, pronunciando determinadas palavras. Graças às inteligentes combinações de sílabas e palavras atuando na contextura fisiológica do ser, desapareciam eczemas, impingens, verrugas ou excrescências da pele.

É bastante o homem concentrar sua atenção, quando pensa ou, fala, para verificar a atuação de cada letra num ponto dado do corpo físico. O I, por exemplo, quando a pessoa pensa nele, repercute no alto da cabeça, porque é o símbolo da união psíquica com o “chacra coronário”; o K soa mentalmente no centro da garganta, repercutindo na região do “chacra laríngeo”; o H tende a ressoar no ventre, na região do plexo abdominal, onde se situa o “chacra gástrico” ou “umbilical”, repercutindo exatamente à altura do grande nervo simpático, onde se apóia o corpo astral das emoções. O A repercute mentalmente na base dos pulmões; o N nas fossas nasais; o L na ponta da língua e o X na ponta do umbigo. O T atua na fronte, principalmente nos lobos frontais do “chacra frontal”. A sua haste horizontal e a vertical deixam a sensação de saírem pelo topo da cabeça através do “chacra coronário”. É o elo da união divina; é a letra simbólica da cruz humana. Basta o homem abrir os braços e pensar nela, com atenção e calma, para verificar o eflúvio da corrente fluídica, que sai pela ponta dos dedos das mãos e da cabeça aos pés, num processo de “fio-terra”. A letra O ressoa na base da espinha, no campo etérico do “chacra kundalíneo”, controlador do processo genético.

 

            PERGUNTA: – Mas não existem idiomas que até possuem caracteres completamente diferentes dessas letras tradicionais, como é o chinês e o árabe?

RAMATÍS: – Sem dúvida, há certas diferenças de letras na conformidade dos diversos idiomas falados no mundo; porém, cada raça é de uma contextura etéreo-física à parte, possuindo características e idiossincrasias distintas das demais. Assim, as variações ou tipos de letras que podem produzir mentalizações e repercussões diferentes do que estamos explicando coincidem, também, com o tipo psicológico e espiritual da mesma raça. Por isso, o idioma mais perfeito como um meio de relação entre a humanidade, no futuro, ainda é o Esperanto. 4 Apesar de sua expressão predominantemente fonética, as repercussões de letras, sílabas e palavras da pronúncia esperantista incidem sobre os principais centros de ligações entre o corpo físico e o perispírito. Assim, durante o próprio falar esperantista, processam-se, também, louváveis operações de reajustes e a melhor sintonia nas relações do espírito com a matéria.

4 – Vide a obra A Sobrevivência do Espírito, Ramatís e Atanagildo, Editora do Conhecimento, capítulo “Uma Academia de Esperanto e Sua Modelar Organização”, subtítulo, “Departamento de Fonação”.

 

Os estudiosos podem verificar, pela atenciosa auscultação mental, que as combinações de sílabas repercutem em certos pontos do organismo, qual seja nas glândulas endócrinas, nos plexos nervosos, nas zonas cerebrais, nas mãos, nos pés, nas pontas dos dedos e demais órgãos. Em conseqüência, é fácil de comprovar-se o efeito produzido pelas palavras boas ou más, que atuam no perispírito humano modificando-lhe a estabilidade, alterando-lhe a circulação “mental astralina” e o seu comportamento energético com o duplo-etérico. Daí, existirem palavras “trágicas”, “tenebrosas” ou “fatídicas”, que funcionam supercarregadas de maldade e ódio, como terríveis dardos do feitiço verbal projetados veementemente sobre determinada vítima. Da mesma forma, há os “mantras”, palavras abençoadas, “chaves-mágicas” do passado, que ajudam a desenvolver corretamente os chacras etéricos, pela sua sonora combinação mental, astral, etérica e física.

 

            PERGUNTA: – Que são “mantras”?

RAMATÍS: – “Mantras”, como peças idiomáticas consagradas pelo uso superior, são letras e sílabas de articulação harmoniosa. Quando pronunciadas num ritmo ou sonoridade peculiar e sob forte concentração mental, elas despertam no organismo físico do homem um energismo incomum, que lhe proporciona certo desprendimento ou euforia espiritual. Há pouco, explicamos os efeitos produzidos no corpo físico pelo simples pensar em algumas letras do alfabeto ocidental. As palavras mantrânicas, no entanto, possuem maior poder de ação no campo etéreo-astral do homem, pois aceleram, harmonizam e ampliam as funções dos “chacras” do duplo etérico. Elas auxiliam a melhor sintonização do pensamento sobre o sistema neurocerebral e as demais manifestações da vida física. Como a palavra se reveste de forças mentais, que depois atuam em todos os planos da vida oculta e física, para dar curso às vibrações sonoras no campo da matéria, ela, então, produz transformações equivalentes à sua natureza elevada.

A palavra escrita ou falada expressa a linguagem do homem, da tribo, do povo, da nação ou da raça. Em conseqüência, ela também define o temperamento, o idealismo, o otimismo, o pessimismo, o senso artístico, a conduta moral, a malícia, a seriedade, a cultura, a alegria, e, portanto, o progresso espiritual. Os povos civilizados e otimistas, cuja cultura filosófica é de ordem superior, quando falam ou escrevem usam vocábulos leves, fluentes, agradáveis, claros, sonoros e reveladores exatos das idéias superiores. Em certas localidades italianas, a linguagem do povo é tão sonora como a música que ali predomina sobre todos os motivos de vida. O francês parisiense, inato, fala num tom de cortesia, no qual transparece um ar travesso, malicioso e inteligente. Porém a linguagem de muitos povos asiáticos é engrolada, gritante e desagradável, afim à sua idiossincrasia, belicosidade ou especulação inescrupulosa. Os negros africanos e os selvagens falam para “dentro”, como diz o vulgo; são palavras obscuras, verdadeiros rumores verbais, que exigem uma multiplicidade de gestos para serem entendidos, cujo desperdício de sons não identifica idéias nítidas, lembrando alguém que despeje um tonel de água somente para encher um copo!

Por isso, as palavras mágicas ou “mantras” revelam, também, na sua enunciação disciplinada e no seu ritmo ascendente, o caráter, a força, a sublimidade, a religiosidade ou a ternura espiritual de um povo. Os tipos de “mantras”, escolhidos para as práticas religiosas e esotéricas, também são expressões verbais de idéias revesti das de elevado teor espiritual.

 

PERGUNTA: – Diríamos que os “mantras” são palavras construídas propositadamente, para despertar efeitos ocultos nos seres?

RAMATÍS: – Não se constroem “mantras” sob a frialdade científica nem por caprichos esotéricos de simples ajustes de vocábulos, pois não despertariam efeitos espirituais superiores na alma humana. Em verdade, são as próprias palavras, que se consagram em “mantras” pelo seu uso elevado, transformando-se em verdadeiras “chaves verbais” de ação espiritual incomum sobre os diversos veículos ocultos e físicos de que se compõe o homem. Elas congregam as energias e as próprias idéias ocultas dos seus cultores, associando as forças psíquicas benfeitoras, que depois se convertem em vigorosos despertadores espirituais.

Ademais, há nas palavras sublimes certa musicalidade terna e vigorosa, doce ou agreste, que acionada progressivamente pode alcançar a intimidade atômica da matéria e alterar-lhe a coesão íntima, causando modificações inesperadas. Existe muito fundamento científico na tessitura de certas lendas do passado, quando determinadas palavras, pronunciadas sob forte concentração, podiam agir na matéria, como a frase mágica do “Abre-te-Sésamo”, na história pitoresca de “Ali-Babá e os Quarenta Ladrões”. A cultura, a ciência, o ideal e a religiosidade e o grau de espiritualidade de um povo, também cria-lhe um timbre ou cunho esotérico firmado no mundo oculto pela sua “Egrégora Mental”. 5

Os “mantras”, de um povo para outro, embora sejam sempre formados de palavras sublimes consagradas pelo tempo, também se revelam de matizes diferentes. O ambiente esotérico de cada povo também influi na intimidade de sua linguagem, em suas palavras escritas e orais, enfim, em seus “mantras”.

Quanto mais pronunciamos determinada palavra e pensamos nela, ou na sua expressão fundamental, tanto mais energética, mais coesa e nítida é a sua representação idiomática e vibração psicofísica. Palavras como amor, paz, perdão, mansuetude, ternura, esperança, bondade, embora sejam vocábulos comuns e de uso no mundo profano, já possuem sentido para servirem como verdadeiros “mantras” em cursos esotéricos, lojas maçônicas, igrejas e templos religiosos, desde que sejam pronunciadas dentro do ritmo sonoro e da disciplina que lhes é própria. São de vibração sublime e acumulam forças criadoras, pela expressão moral da idéia superior que as mesmas traduzem.

na alma humana. Em verdade, são as próprias palavras, que se consagram em “mantras” pelo seu uso elevado, transformando-se em verdadeiras “chaves verbais” de ação espiritual incomum sobre os diversos veículos ocultos e físicos de que se compõe o homem. Elas congregam as energias e as próprias idéias ocultas dos seus cultores, associando as forças psíquicas benfeitoras, que depois se convertem em vigorosos despertadores espirituais.

Ademais, há nas palavras sublimes certa musicalidade terna e vigorosa, doce ou agreste, que acionada progressivamente pode alcançar a intimidade atômica da matéria e alterar-lhe a coesão íntima, causando modificações inesperadas. Existe muito fundamento científico na tessitura de certas lendas do passado, quando determinadas palavras, pronunciadas sob forte concentração, podiam agir na matéria, como a frase mágica do “Abre-te-Sésamo”, na história pitoresca de “Ali-Babá e os Quarenta Ladrões”. A cultura, a ciência, o ideal e a religiosidade e o grau de espiritualidade de um povo, também cria-lhe um timbre ou cunho esotérico firmado no mundo oculto pela sua “Egrégora Mental”. 5

5 – Egrégora é uma forma astral gerada e alimentada, mental e sentimentalmente, por uma coletividade, pela persistência de motivos, costumes, devoções ou ideais num mesmo ponto ou objetivo. O pensamento, a vontade, o desejo são forças tão reais, talvez ainda mais poderosas do que a dinamite e a eletricidade. Sob tal influência, a matéria astral plástica faz-se compacta e toma forma, sob o alimento incessante das mesmas vibrações, pensamentos etc. Então produz-se um ser ou manifestação, que adquire vida, animado de uma força boa ou má, conforme os pensamentos emitidos, influindo vigorosamente em todos os que passam a subordinar-se à sua influência.

Os “mantras”, de um povo para outro, embora sejam sempre formados de palavras sublimes consagradas pelo tempo, também se revelam de matizes diferentes. O ambiente esotérico de cada povo também influi na intimidade de sua linguagem, em suas palavras escritas e orais, enfim, em seus “mantras”.

Quanto mais pronunciamos determinada palavra e pensamos nela, ou na sua expressão fundamental, tanto mais energética, mais coesa e nítida é a sua representação idiomática e vibração psicofísica. Palavras como amor, paz, perdão, mansuetude, ternura, esperança, bondade, embora sejam vocábulos comuns e de uso no mundo profano, já possuem sentido para servirem como verdadeiros “mantras” em cursos esotéricos, lojas maçônicas, igrejas e templos religiosos, desde que sejam pronunciadas dentro do ritmo sonoro e da disciplina que lhes é própria. São de vibração sublime e acumulam forças criadoras, pela expressão moral da idéia superior que as mesmas traduzem.

A Igreja Católica possui os seus “mantras”, os quais, quando recitados religiosamente e dinamizados pela música sacra, acomodam a alma, reajustam energias espirituais, dispersam emoções desagradáveis e associam sentimentos sublimes nos crentes, incorporando-se aos pensamentos semelhantes e ensejando purificações emotivas e mentais.

 

PERGUNTA: – Para a nossa melhor compreensão espiritual, poderíeis dar-nos alguns exemplos dessa influência emotiva e mental do “mantra”?

RAMATÍS: – Ante a palavra “guerra”, por exemplo, que poderíamos considerar um “mantra” negativo e fatídico, o homem desata na mente uma série de imagens e lembranças mórbidas, como soldados esfrangalhados, desgraça, sangue, morte, hospitais e bombas, O tema “guerra” ainda associa outras evocações amargas ou quadros temerosos de carestia da vida, convocação de filhos ou netos, falta de gêneros alimentícios, epidemias, desempregos, cidades em ruínas! Obviamente, uma simples palavra pode desencadear no psiquismo humano quadros mórbidos de toda espécie. Aliás, conforme assegura a medicina moderna, essa disposição mental também produz na criatura as mais variadas modificações na corrente sangüínea , endocrínica, linfática e nervosa. Movem-se os músculos, refletindo no rosto a tristeza, a angústia e o medo; mobilizam-se os hormônios, líquidos, sucos e ingredientes químicos para atender às zonas corporais, cujo metabolismo orgânico perturba-se pelo desagradável estado de espírito.

Ainda há pouco tempo a humanidade terrena comprovou o efeito terrificante dos “mantras” negativos e malévolos, quando o Nazismo divulgou pela Alemanha fórmulas, distintivos, insígnias e símbolos, que, tanto pela imagem como verbalmente, visavam despertar as emoções belicosas dos alemães. A cruz suástica funcionou como um poderoso dinamizador sob a tonalidade primária, excitante e física da cor vermelha; os uniformes negros dos “SS” evocavam no subconsciente das criaturas as próprias forças trevosas, que alimentam e compõem a “egrégora” infernal do mundo diabólico! Tudo isso acicatou o temperamento belicoso e destrutivo do povo alemão, despertando mágoas, ressentimentos, prejuízos e humilhações sofridas na vida humana e ansiosos de desforra contra as demais nações. Os povos vencidos pagaram duramente o transbordamento mórbido dos nazistas, onde os crimes bárbaros e bestiais figuraram à conta de saneamento louvável, como no caso dos judeus! Adolf Hitler, mediunizado pelos mentores das Sombras, usou e abusou da força da palavra no evento nazista, praticando o “feitiço verbal” mais chocante e pernicioso na história do mundo.

Mas, em sentido oposto e positivo, a palavra “paz” é maravilhoso “mantra” que produz um estado de espírito eufórico, agradável, sedativo e jubiloso, principalmente entre as mães, porque alimenta idéias e imagens confortantes, esperançosas e otimistas, associando a segurança, tranqüilidade e alegria de viver! É palavra amiga e inofensiva, que recebe o alento e a energia criadora dos pacifistas, instrutores espirituais, discípulos do bem e amigos do Cristo!

Assim como a palavra de maldição semeia amarguras e perturba a pessoa visada, o vocábulo “guerra” é de ação enfeitiçante sobre uma coletividade, despertando medo, aflições e depressão psíquica. E a bênção, quando dinamiza energias salutares e consoladoras num indivíduo, também equivale à palavra mantrânica “Paz”, que dissipa no espírito as apreensões futuras, os temores mórbidos e reergue o ânimo para a construtividade futura!

 

PERGUNTA:Qual é o “mantra” de maior importância já consagrado pelo tempo, no seio de nossa humanidade?

RAMATÍS: – Há “mantras” universais, cujos sons e vibrações identificam a mesma idéia-mater em toda a face do orbe. É o caso do vocábulo “AUM”, que se pronuncia mais propriamente “OM”, pois é um “mantra” poderoso em qualquer latitude geográfica. No seu ritmo iniciático, é a representação universal da própria idéia de Deus, a Unidade, o Absoluto! Na sua expressão idiomática elevada do mundo, ele tem por função associar, tanto quanto possível, na sua repercussão vibratória, o “máximo” sensível do espírito do homem da essência eterna e infinita de Deus! Os monges brancos do Himalaia, criaturas condicionadas a uma vivência sublime, frugais e vegetarianos, cuja glândula pineal funciona ativamente na comunicação sadia com o mundo espiritual, quando recitam o “mantra” “AUM” alcançam tal “clímax” vibratório, que se sentem imersos no plano edênico!

Enquanto, na Ásia, a palavra Buda é um poderoso “mantra” de evocação esotérica e o nome de Crishna significa o mesmo na Índia, o vocábulo Cristo representa a mais alta expressão mantrânica para o homem ocidental despertar no seu espírito as virtudes do amor, da renúncia, bondade e pureza. Os iniciados que sabem dar curso à vibração sonora sideral do vocábulo “Cristo” também mergulham num estado de expectativa cósmica, tomados de júbilo, esperança e imunes às vicissitudes e crueldades do mundo. Os cristãos deixavam trucidar-se nos circos romanos, entoando o cântico “Ave Cristo”; muitos deles desencarnavam completamente anestesiados e em êxtase, apenas sob o efeito sonoro vibratório ou mantrânico dessa palavra sublime!

A palavra “Agnus Dei” nada tem de excepcional quando pronunciada comumente entre os homens profanos; mas é um “mantra” de imponente beleza e misteriosa magia sobre os fiéis, quando o sacerdote a recita sob o coro de vozes acompanhantes e a consagra na elevação do cálice sagrado. A Igreja seria um dos maiores viveiros de milagres, caso os seus crentes soubessem aproveitar as energias criadoras que despertam pela sonoridade dinamizadora de certos “mantras”, evocados durante as cerimônias religiosas católicas. A convergência de sentimentos e pensamentos elevados de todos os presentes compõe a “egrégora” sublime alimentada pelos “mantras” de energias poderosas. Sem dúvida, ao término de cada missa os estropiados abandonariam suas muletas e os enfermos dariam gritos de júbilo ante as curas miraculosas no seio da própria nave!

 

PERGUNTA: – Qual é a diferença da mesma palavra de sentido comum no mundo profano, mas consagrada como um “mantra” nos,ambientes religiosos, esotéricos e iniciáticos?

RAMATÍS: – Há homens que passam indiferentes diante de um majestoso roseiral esmagando as pétalas espalhadas no solo; o artista, no entanto, comove-se, enlevado diante da mais singela rosa! Há homens que falam no Cristo com a mesma displicência com que mencionam a marca do cigarro preferido. Mas, também, existem os que se alheiam do próprio mundo quando pretendem evocar a imagem do mais generoso amigo do homem!

Aliás, o vocábulo profano define uma idéia oposta ou estranha ao que é sagrado, venerável, inviolável, puro e santo, vinculado a ritos mágicos, cultos religiosos ou cerimônias iniciáticas.

Em conseqüência, a mesma palavra que só identifica uma idéia ou idéias, no mundo profano, pode despertar encanto ou euforia, quando pronunciada mantranicamente no mundo sagrado ou de intimidade espiritual do ser!

O que dá força à palavra transformada em “mantra”, além de sua significação superior ou consagração sublime, é a vontade, a ternura, a vibração pessoal e o amor de quem a recita em fusão com a vibração individual do próprio Espírito Cósmico! O recitativo mantrânico, disciplinado pelas leis de magia do mundo oculto, transborda de poder e força no campo mental, astral e etérico do homem. É poderoso vocábulo ou detonador psíquico, que liberta as energias do espírito imortal e o conduz ao arrebatamento, à suspensão dos sentidos comuns, pela fugaz contemplação do mundo divino.

 

            PERGUNTA: – Se o “mantra” é o vocábulo que arrebata nossa alma pela sua sublimidade sonora e idiomática, porventura o seu oposto não seria uma palavra de profanação?

RAMATÍS: – O “mantra” pode ser uma palavra, um verso, um aforismo ou uma fórmula, variando o seu culto conforme as diversas fraternidades iniciáticas, doutrinas espiritualistas e credos religiosos. Ele deve resultar de uma consagração idiomática vivida num campo benfeitor ou imantado de sentimentos amorosos, que irradiam ou convocam energias sublimes quando enunciado sob determinado ritmo e evocação sonora! Há criaturas que mobilizam as palavras mais comuns, dando-lhes um efeito mantrânico, porque são rogativas que beneficiam os demais companheiros, enquanto outras, vingativas e inconformadas, operam num sentido oposto produzindo o enfeitiçamento verbal na convocação de forças mesquinhas, enfermiças e destrutivas!

 

PERGUNTA: – Sentimos dificuldade em crer que um conjunto de letras agregadas numa palavra consagrada por “mantra” provoque o arrebatamento contemplativo da própria alma, ou o seu oposto possa congregar forças demolidoras contra o homem!

RAMATÍS: – A própria Natureza possui a sua linguagem específica e expressa-se em sons diversos, através de motivos e funções dos seus reinos, onde cada coisa, mineral, vegetal, animal ou humana, representa uma letra viva compondo divinas palavras! Que é a vida, senão o Verbo de Deus? A linguagem humana deriva-se de uma só base ou expressão lingüística primitiva, pois todos os idiomas trazem sinais indeléveis de que provieram de um só tronco original. As letras não são produtos de caprichos extemporâneos ou invenções a esmo; elas nasceram como símbolos necessários para representar os estados da alma através do físico, e por esse motivo estão fortemente impregnadas do próprio espírito e das idéias que as originaram.

Por isso, elas podem ser agrupadas e ajudar na sua vibração sonora o dinamismo liberador dos chacras do duplo etérico, produzindo elevadas emoções nas criaturas de bons sentimentos e a serviço da Verdade Espiritual. No entanto, reunidas e exploradas na sua vibração idiomática, também podem tornar-se agressivas, operando desfavoravelmente no processo detestável do feitiço verbal!

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Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral