Feitiço: Sobre o Feitiço

Feitiço: Sobre o Feitiço

Capítulo 1

 Considerações sobre o feitiço

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Feitico – Sobre o Feitico

PERGUNTA: – Poderíamos conhecer a vossa opinião sobre o enfeitiçamento, o qual tanto é negado como reconhecido por muita gente? Não estaremos fazendo solicitação inoportuna e inconveniente?

RAMATÍS: – Cremos que a vossa mente já deve se encontrar bastante capacitada para tratar de assunto tão importante como é o feitiço. O progresso da Ciência e da Técnica do mundo terreno, no século atual, já vos permite compreender e comprovar que a maioria das superstições, lendas, crendices, práticas de magia e de alquimia, incompreensíveis no passado, possuem algo de científico. Atualmente, a própria Parapsicologia, disciplina científica de investigação moderna, progride satisfatoriamente buscando solucionar os fenômenos habituais do psiquismo, independente de conclusões a priori, mas estudando-os pelos fatos que indiquem uma atividade ou origem científica. Mas precisa evitar, sensatamente, a tendência perniciosa de manejar a ciência a serviço de uma crença espiritual ou através de um preconceito religioso. 1 Deste modo, também poderá estudar e pesquisar o fenômeno do enfeitiçamento. com perfeita isenção de ânimo e liberdade de ação.

1 – Aliás Ramatís tem razão em endossar tal conceito, pois o estudo da Parapsicologia é evidentemente suspeito quando o parapsicólogo o faz sob algum condicionamento religioso, como acontece na França, em que a escola parapsicológica chefiada por Roberto Amadou só admite válidos os experimentos que satisfaçam as explicações católicas. Atualmente, a investigação parapsicológica mais sadia, ainda é a chefiada por J. B. Rhine, em USA.

 

PERGUNTA: – Referimo-nos à possível inconveniência de tratarmos desse assunto, porque o enfeitiçamento, além de contestado por muitos espíritas que seguem as diretrizes básicas do Espiritismo codificado, parece-nos assunto até apavorante para as mentes comuns.

RAMATÍS: – Em geral, as mentes comuns, quer pela sua ignorância ou pelo habitual descontrole mental e emotivo, são justamente as mais responsáveis pelo enfeitiçamento verbal, mental e físico, que ainda se manifesta na face da Terra. O desconhecimento ou a descrença do feitiço não vos livra dos seus resultados ignóbeis e funestos, ainda praticados por quase toda a humanidade!

Também é estranho que os espíritas, bem mais esclarecidos do que os religiosos dogmáticos e conservadores, ainda se mostrem temerosos de examinar o problema da feitiçaria e conhecer a verdade sobre o seu processo e mecanismo fundamental. Jamais poderemos solucionar os problemas espinhosos ou desagradáveis da vida humana, copiando a lenda do avestruz, que, diante do perigo, enfia a cabeça na areia! A bruxaria é assunto a ser examinado e pesquisado com toda isenção de ânimo, sem qualquer preconceito religioso, científico ou moral, decorrentes de convenções e sentimentalismos humanos. É melhor que isso seja comprovado ou desmentido, sem quaisquer temores, do que lhe ignorarem a realidade por falsa suscetibilidade, embora se trate de assunto desagradável e controvertido.

 

PERGUNTA: – Alguns espíritas alegam que é muito perigoso divulgar-se em público o mecanismo tenebroso do feitiço, ante a imprudência de contribuirmos para o aumento do mal.

RAMATÍS: – Sob a nossa opinião, a feitiçaria tão tradicional é um processo bastante ingênuo e inofensivo, comparada ao pavoroso feitiço da “bomba atômica”, que, em poucos minutos, matou mais de 120.000 pessoas no Japão! Que vos adianta guardar segredos das práticas de bruxaria feitas a “varejo” quando a fórmula da desintegração atômica ficou à disposição dos bruxos modernos da Ciência, que não hesitaram em perpetrar o mais vasto e diabólico enfeitiçamento por atacado, reconhecido pela história do mundo!

Porventura, o sigilo feito até hoje sobre o feitiço contribuiu de algum modo para eliminar ou reduzir os males advindos de sua prática malévola? Qual foi o proveito da ciência terrena ignorando propositadamente a bruxaria, por considerá-la lenda ou superstição, quando tal coisa vem sendo praticada há milênios e demonstrando resultados maléficos? Que o digam as criaturas que já foram enfeitiça das, ou, talvez, os próprios céticos de hoje venham a confirmar, no futuro, os seus efeitos daninhos, na própria pele.

Porém, a bruxaria não pode ser investigada sob as mesmas fórmulas que regem os fenômenos do mundo material, pois ela se disciplina por leis vigentes nos planos transcendentais, só conhecidas dos magos e feiticeiros.

Quanto aos espíritas, que opõem dúvidas à realidade do feitiço, só podemos lembrar-lhes o bom-senso admirável de Allan Kardec, o qual jamais fugiu de qualquer problema espiritual, mas enfrentou corajosamente o sarcasmo da ciência e a perseguição clerical, a fim de descortinar ao homem obscuro do século XIX a surpreendente realidade do mundo dos espíritos. Mas o vocábulo feitiço, como sinônimo de malefício, não define apenas a prática de bruxaria através de objetos preparados por magos-negros ou bruxos, porém refere-se, também, às operações que os feiticeiros modernos mobilizam nos laboratórios para, depois, desintegrarem milhares de crianças, mulheres e velhos indefesos!

Já é tempo de os bruxos cientistas investigarem o trabalho singelo dos seus velhos colegas, os quais, após exaustivos esforços e considerável perda de tempo, só conseguiam atrapalhar a vida de uma criatura. Quanta inveja não deveria grassar em seus corações, se pudessem apreciar o eficiente processo da feitiçaria moderna praticado pelos feiticeiros agaloados, que, ao simples toque de um botão misterioso, podem desencadear a morte de milhares de pessoas?

 

PERGUNTA: – Mas os espíritas kardecistas 2 não admitem o enfeitiçamento como um fato concreto e capaz de causar danos ao próximo através de objetos preparados. Eles aceitam a realidade do fenômeno, tão-somente pela projeção de fluidos ruins, próprios dos maus pensamentos..

RAMATÍS: – Os espíritas, nesse caso, repetem a mesma negativa habitual dos católicos e outros religiosos dogmáticos, recusando, a priori, qualquer coisa que não se coadune absolutamente com a sua formação doutrinária ou religiosa. Tratando-se de adeptos que não ignoram o domínio nefasto dos espíritos desencarnados sobre a humanidade encarnada, que admitem a sobrevivência e a comunicação do espírito, a telepatia, a reencarnação, a Lei do Carma, a pluralidade dos mundos habitados, a terapia de água fluida e dos passes mediúnicos, é sempre estranhável, que ainda oponham dúvida quanto à realidade milenária do feitiço conseqüente à catalisação de forças de objetos e seres vivos!

Os objetos materiais utilizados para firmar a feitiçaria são apenas os “núcleos” de energia condensada ou congelada, conforme conceituou Einstein, sobre a verdadeira natureza da matéria. Eis por que os feiticeiros não precisam arremessar objetos ou coisas materiais sobre as vítimas escolhidas para o enfeitiçamento. Eles dinamizam a energia ou o potencial elétrico contido na intimidade dos mesmos, produzindo as combinações fluídicas que depois se projetam funestamente através dos endereços vibratórios.

2 – Nota do Médium: – A pergunta não implica num sentido pejorativo aos espíritas kardecistas, mas apenas para distinguir os confrades que seguem estritamente as recomendações de Mestre Allan Kardec, sem admitir qualquer outra escola espiritualista

 

PERGUNTA: – Que se deve entender por “endereços vibratórios”?

RAMATÍS: – O “endereço vibratório” é o objeto ou coisa pertencente à vítima, e que o feiticeiro depois ajusta ao seu trabalho catalisador de bruxaria. Serve de orientação para a carga maléfica tal qual os polícias fazem o cão de caça cheirar um lenço ou algo do fugitivo, do qual estão no encalço.

Assim, o maior êxito do feitiço fundamenta-se sobre a mesma lei de afinidade comum dos experimentos de física e química, a qual disciplina as relações e a propriedade dos corpos entre si. Ademais, as coisas impregnam-se das emanações dos seus possuidores, e por esse motivo podem servir de “endereço vibratório” para as operações de magia à distância, conforme é de uso e necessidade na bruxaria. Quanto aos efeitos mortificantes que atuam sobre as vítimas enfeitiçadas, os feiticeiros os conseguem através da “projeção” de fluidos agressivos e enfermiços, que desdobram nos campos eletrônicos dos objetos preparados sob o ritual de abaixamento vibratório.

 

PERGUNTA: – Também temíamos escandalizar as naturezas mais delicadas, e por isso, provocar críticas desairosas em torno da pessoa do vosso médium. Não poderá acontecer isso?

RAMATÍS: – Comumente, as naturezas delicadas apenas são sensíveis àquilo que lhes pode causar prejuízos diretos, enquanto se mantêm desinteressadas dos melodramas alheios. Quanto ao médium que nos serve de intérprete, ele sabe que as nossas mensagens, transmitidas normalmente por seu intermédio, são mesmo de molde a despertar juízos opostos e provocar celeumas nos espíritos mais conservadores.

Aliás, não guardamos a presunção de contentar todos os homens, coisa que não conseguiu o próprio Jesus. Mas é preciso que sempre haja alguém disposto a enfrentar a crítica conservadora e remexer nas fórmulas envelhecidas e tradicionais do mundo. Isso ajuda a clarear a crendice improdutiva e provoca a reação da própria ciência oficial. Sabe o nosso médium, que no labor desagradável de perturbar o condicionamento habitual da mente humana, ele não deve sonhar com a glorificação extemporânea ou a compreensão prematura.

 

PERGUNTA: – Mas o que significa, realmente, o vocábulo feitiço?

RAMATÍS: – Feitiço, sortilégio, bruxaria e enfeitiçamento significam operação de “magia negra” destinada a prejudicar alguém. Antigamente, a palavra feitiço ou sortilégio expressava tão-somente a operação de encantamento, ou no sentido benéfico de “acumular forças” em objetos, aves e animais e seres humanos. Daí, o feitiço significar, outrora, a confecção de amuletos, talismãs, escapulários e orações de “corpo fechado”, cuja finalidade precípua era proteger o indivíduo.

O encantamento ou enfeitiçamento de objetos ou seres sempre implicava na presença de um mago, porque era um processo vinculado à velha magia. Mas em face de sua proverbial subversão e incitado pelo instinto animal inferior, o homem logo percebeu nessa acumulação de forças e dinamização do éter físico de objetos ou seres vivos, um ótimo ensejo para tirar o melhor proveito a seu favor. Logo surgiram os filtros mágicos e as beberagens misteriosas, para favorecer amores e casamentos, enquanto se faziam amuletos com irradiações nocivas, com finalidades vingativas. A palavra feitiço, que definia a arte de “encantar” a serviço do bem, então passou a indicar um processo destrutivo ou de magia negra!

 

            PERGUNTA: – Qual é a base positiva da operação de feitiço?

RAMATÍS: – O feitiço é o processo de convocar forças do mundo oculto para catalisar objetos, que depois irradiam energias maléficas em direção às pessoas visadas pelos feiticeiros. O fenômeno é perfeitamente lógico e positivo, porque toda a ação enfeitiçante é ativada no campo das energias livres, em correspondência com as energias integradas nas coisas, objetos e seres. O trabalho mais importante dos feiticeiros ou magos consiste em inverter Os pólos dessas forças, empregando-as num sentido agressivo e demolidor, conforme acontece com as próprias energias da natureza descobertas pelos homens.

A dinamite usada exclusivamente para romper pedras, calçar ruas, praças ou construir alicerces, é um elemento benfeitor. Mas é força maligna e destrutiva, quando a empregam para a confecção de bombas e artefatos mortíferos, que arrasam cidades indefesas e trucidam homens nos campos de batalha. O álcool também beneficia, quando aplicado na composição de medicamentos e produtos químicos, na desinfecção e limpeza doméstica; mas é nocivo e degradante, quando embriaga o homem e o instiga ao crime. Aliás, o princípio de dualidade é um fundamento comum da própria vida; há o positivo e o negativo, o branco e o preto, a luz e a sombra, o macro e o micro, o masculino e o feminino, a saúde e a doença. Conseqüentemente, há o elemento fluídico bom e terapêutico, que preserva a saúde, assim como o enfeitiçamento que produz a enfermidade.

 

PERGUNTA: – De que modo o feiticeiro prepara os objetos de enfeitiçamento?

RAMATÍS: – Isso ele faz através de processos que achamos desnecessário esmiuçar nesta obra, cuja finalidade é de advertência e não tratado técnico de feitiçaria. Mas, num sentido geral, os objetos de enfeitiçamento funcionam como “acumuladores” e “condensadores” de forças, obedientes à vontade experimentada dos feiticeiros.

Mas o êxito da bruxaria também depende da cooperação eficiente dos espíritos desencarnados e comparsas do feiticeiro, os quais se encarregam de desmaterializar os objetos em questão, transportando as “matrizes” ou duplos etéricos para serem materializados nos travesseiros, colchões ou locais onde as vítimas permanecem freqüentemente. Antigamente, os feiticeiros e experimentados médiuns das Trevas exauriam-se sob fatigante ritual, enquanto alguns ingeriam drogas hipnóticas, como extratos de papoulas, a fim de lograr o transe mediúnico e a sintonia direta com os magos-negros desencarnados. Havia práticas perigosas e cumpriam-se obrigações tenebrosas, como ainda hoje se faz nos serviços de Quimbanda e nos “candomblés”, para o apoio de entidades poderosas, mas vingativas e cruéis!

 

            PERGUNTA: – Há alguma diferença na prática do enfeitiçamento atual, comparada às mesmas atividades tenebrosas de antigamente?

RAMATÍS: – Não há propriamente diferença, mas ensejos novos! A faculdade mediúnica está-se generalizando entre os homens, o que permite interferência mais positiva dos desencarnados sobre o mundo material. Pouco a pouco enfraquece-se a fronteira entre o oculto e o visível aos sentidos físicos; o Além revela-se cada vez mais nítido na tela do mundo terreno. Isso favorece a penetração incessante dos desencarnados malévolos, na vida dos encarnados, não tardando a Crosta terráquea a transformar-se num subúrbio das metrópoles edificadas nas regiões do reino astral inferior!

Infelizmente, certa parte de médiuns de mesa e de terreiro não se ajustam aos princípios espirituais superiores, pois além de se exporem vaidosamente às aventuras criticáveis, eles ainda fazem negócios ilícitos com a faculdade mediúnica. Os malfeitores do Além trabalham ativamente no sentido de proliferar a corrupção no seio do labor espiritual benfeitor, pois sabem que o planeta Terra enfrenta uma das piores fases de sua estabilidade geológica e humana. O “fim de tempos” significa demolição de costumes e tradições, pois o terreno é lavrado para a nova semeadura! Então prolifera a erva daninha e a planta benfeitora, erguem-se os edifícios modernos, mas tombam incessantemente os prédios em ruínas!

Os mestres satânicos são exímios no conhecimento de vibração, polaridade, ritmo, transmutação e causalidade do fenômeno “energia e matéria”! E os quimbandeiros da Terra então cedem o seu cetro ao comando diabólico desencarnado, passando a trabalhar sob o regime de escravidão e cumprindo fielmente as ordens malfeitoras! Ante a covardia dos homens, que temem enfrentar os seus desafetos no campo raso da vida física, o serviço de enfeitiçamento aumenta e moderniza-se, porque os feiticeiros modernos se ajustam, cada vez mais, à terminologia científica de ondas, raios, elétrons, átomos, freqüências, oscilações magnéticas, eletricidade biológica, eletronismo e ionização. Os bruxos encarnados transformam-se em agentes representativos da verdadeira indústria de bruxaria sediada no astral inferior, a qual exerce a sua vasta atividade nas regiões limítrofes do planeta. As confrarias negras do Além ampliam a sua capacidade de ação, pois fundam novas filiais tenebrosas entre os próprios encarnados, graças ao adensamento do éter físico em torno do orbe, o qual é alimentado pela corrupção e a sangueira da própria humanidade!

Deste modo, os espíritos malfeitores podem atender à multiplicidade de “pedidos” e “contratos” dos clientes encarnados, que desejam afastar o próximo do seu caminho, ou vingar-se dos seus desafetos, concorrentes e venturosos. Aqui, o cidadão comodista convoca o feitiço para expulsar certa família do apartamento que lhe foi prometido; ali, a noiva ou o noivo que rompeu o compromisso matrimonial, há de sofrer no leito o embruxamento requerido pela outra parte frustrada; acolá, o feitiço é feito até para se vingar do vizinho, que não prende a cabra daninha! .

Sobre a própria lei evolutiva do mundo oculto, o enfeitiçamento cada vez mais se astraliza, enquanto se reduz no seu processo primitivo feito na face da Terra através de objetos materiais! Não há diferença nos seus efeitos, que ainda se tornam mais rápidos e maléficos, mas aumenta o domínio dos desencarnados sobre os vivos, por intermédio da prática de enfeitiçamento.

 

            PERGUNTA: – Em face de nossa formação espiritista, sempre julgamos que o ritualismo é coisa extravagante e supersticiosa. Que dizeis, quanto ao ritual usado no processo de enfeitiçamento?

RAMATÍS: – No Universo tudo se move, vibra e circula através do Éter transmissor da vitalidade cósmica. Conforme seja a variação da escala e do modo das vibrações, também se manifestam os diferentes estados da matéria. O espírito do homem atua num campo de forças em perpétua ação vibratória, as quais se movem em todos os sentidos e também obedecem à vontade potencializada dos que conheçam as leis de sua regência e atividade no Cosmo. Os magos antigos produziam fenômenos excêntricos, incomuns e atemorizantes, porque além de conhecerem profundamente o campo de forças manifestas pelo microcosmo e macrocosmo, eles eram senhores de uma vontade poderosa a serviço da Mente adestrada no comando do mundo oculto!

Em conseqüência, através de rituais que serviam para dinamizar essa vontade e aglutinar os campos de energias poderosas para “eletrizar” os seus trabalhos, eles transformavam objetos, aves e animais, conforme o quisessem, em fontes catalisadoras de fluidos benfeitores ou maléficos. O ritual praticado pelo feiticeiro é o mecanismo de exaltação de sua vontade malévola, enquanto os objetos enfeitiçados ou “encantados” desempenham a função de acumuladores ou condensadores de forças magnéticas, que funcionam no plano físico e etéreo-astral. Conforme seja o preparo no rito de enfeitiçamento, tais objetos podem funcionar à guisa de condensadores captando as energias em torno do ambiente da pessoa enfeitiçada, e depois baixando a freqüência vibratória até tornar-se enfermiça ou constritiva. Isso lembra o que acontece com certos aparelhos de rádio, cuja má qualidade receptiva ou péssimo funcionamento então distorcem, enrouquecem ou inferiorizam a música executada e transmitida, de modo límpido, pela estação radiofônica. .

O ritual, no enfeitiçamento, é apenas um processo dinâmico que disciplina o desdobramento da operação contra a vítima. Alicia as forças selváticas do mundo astral inferior e ativa as reações em cadeia magnética, no objeto preparado para funcionar como um detonador contínuo no mundo fluídico. Aliás, o desmancho ou processo inverso do enfeitiçamento, também exige determinado rito, para depois inverter os pólos anteriormente firmados pela concentração de fluidos coercitivos. Alguns feiticeiros costumam usar fluidos tão agrestes nos enfeitiçamentos mais tenebrosos, que o “desmancho” também exige a mobilização de energias semelhantes para a sua solução. 3 Mas o ritual, em sua noção específica, é um processo disciplinador da própria vida!

3 – Talvez por isso em certas práticas de “desmancho” na Umbanda, os pais de terreiros determinam que o trabalho seja feito à beira-mar, junto às cascatas ou no seio da mata virgem, quando o enfeitiçamento, provavelmente, teria sido feito com os fluidos originais de tais ambientes.

 

            PERGUNTA: – Como entenderíamos que o ritual, em qualquer, circunstância, é um processo disciplinador da própria vida?

RAMATÍS: – O ritual, em si, é uma operação que disciplina a sucessão de fases, atos e operações destinadas a promover o desenvolvimento gradativo e lógico dos acontecimentos da Natureza, em comunhão com a atividade do espírito encarnado. Não se trata de um acontecimento excêntrico e supersticioso, mas é um processo científico e técnico, presente em todos os acontecimentos do mundo profano, embora seja mais específico da esfera religiosa, iniciática, maçônica e esotérica. O ritual nada tem de crendice ou mistério, mas é ordem, graduação técnica e coerência desdobrativa, regendo e consagrando o ritmo, a sucessão e a manifestação das coisas.

Na sua tarefa de enfeitiçar objetos, para atingir o “clímax” proveitoso, o feiticeiro precisa seguir um ritual gradativo e progressivo no seu trabalho, obedecendo às fases e às leis já consagradas e conhecidas naquele processo. O ritual de enfeitiçamento, em sucessiva ordem processual, determina que o seu operador primeiramente faça a atração das forças a serem mobilizadas na bruxaria; depois dessa fase preliminar, então deve condensá-las nos objetos; em seguida, gradativamente, dinamizá-los ou “eletrizá-los”; e finalmente, projetar as energias em direção à vítima escolhida para a carga enfermiça. O absurdo e contrário ao ritual seria o feiticeiro dinamizar as energias antes de captá-las, ou então projetá-las antes de sua potencialização. O ritual, portanto, não é uma entidade oculta, misteriosa ou processo supersticioso inerente à magia e bruxaria, mas é uma ação coordenada do princípio ao fim objetivado, em todo o processo da natureza e atividade da vida humana.

Deus, quando criou o mundo, também seguiu um determinado ritual, pois Ele não o fez de chofre, mas disciplinado por um procedimento gradativo e sensato, em que primeiramente surgiram as coisas fundamentais e depois as secundárias. Deus, de início, fez o planeta Terra, obedecendo ao ritual da criação; depois, veio a segunda fase, quando criou os mares, os rios e as florestas; então, surgiram os pássaros, os animais e os peixes. Mas haveria inexplicável insensatez, contrária ao rito da criação, caso os peixes aparecessem antes dos mares ou os animais antes das florestas.

É devido ao ritual já consagrado na cirurgia que o médico operador primeiramente troca suas vestes empoeiradas da rua pelo uniforme branco e limpo; em seguida, lava as mãos, depois faz a assepsia do enfermo, apanha o bisturi, faz a incisão periférica, aplica os grampos hemostáticos, e só então inicia a verdadeira intervenção com os instrumentos de ação profunda. O êxito de sua intervenção não se prende unicamente à sua sabedoria, experiência ou decisão, mas, também, à obediência ao ritual rigoroso que lhe disciplina as atividades cirúrgicas e já consagradas pelo tempo e experiência. O médico violentaria o ritual cirúrgico, caso, primeiramente, lavasse as mãos e só depois desvestisse o traje empoeirado; ou então usasse a tesoura cirúrgica de incisão interna antes do bisturi do corte periférico. O ritual, portanto, é o modo de fazer as coisas certas, um desenvolvimento metódico que evita o erro e a confusão.

É o ritual que não permite ao homem tirar as meias antes de descalçar os sapatos, porque ele também coloca as meias antes dos sapatos.

 

PERGUNTA: – Como poderíamos crer de modo mais convincente no poder maléfico de objetos, aves e animais usados em bruxaria?

RAMATÍS: – Na multiplicidade de operações no campo do magnetismo terapêutico os seus entendidos também usam uma série de “coisas” e objetos que favorecem a fixação ou condensação, neles, de energias imponderáveis. A água, quando fluidificada na terapia espiritista, transforma-se em elemento intermediário ou de ligação entre o magnetismo e o doente. Há quem magnetize ou fluidifique garrafas, flores, roupas, mata-borrões, alimentos ou frutos, com finalidade terapêutica. Obviamente, o processo de enfeitiçamento também é perfeitamente realizável através de objetos, os quais são preparados para imantar e catalisar as energias daninhas. Há minerais, como o do rádio e o do chumbo, cujas partículas, em incessante irradiação, produzem danos na criatura humana, independente de ser enfeitiçado.

 

            PERGUNTA: – Poderíamos conhecer o mecanismo exato da ação desses objetos enfeitiçados no campo psíquico?

RAMATÍS: – Os acontecimentos da vida estão intimamente ligados à ação da Energia sobre a Matéria. O conceito atual de matéria, aliás aceito pela vossa ciência acadêmica, é o de energia condensada ou força coagulada. Sendo assim, a matéria, embora partícula de força condensada, age vigorosamente em todos os campos vibratórios dos planos etéreo-astral e mental onde se originou. Desde que essa matéria ou energia acumulada seja acionada com mais veemência, ela aumenta a sua ação nos correspondentes planos vibratórios do seu natural “habitat”. Essa atividade amplia-se tanto quanto seja a capacidade de se ativar ou excitar a substância material, fazendo-a repercutir em direção ao seu campo dinâmico natural. Atuando vigorosamente na matéria, atuareis concomitantemente nos planos energéticos de onde ela provém, porquanto houve uma “condensação” ou “aglomeração” para os sentidos físicos.

Conseqüentemente, essa energia presente em todos os corpos e aprisionada pelos limites da forma, extravasa continuamente, formando as “auras” dos minerais, vegetais e seres humanos. O campo magnético, à superfície dos corpos físicos, é rico de radiações, ou seja, partículas magnéticas que se desagregam continuamente de todas as expressões da vida material. Visto que as criaturas humanas são também “energias condensadas”, elas então alimentam um campo radioativo em torno de si, e que deixa um rasto ou uma pista de partículas radioativas por onde passam, pelas quais os cães se orientam utilizando-se do “faro” animal. A tradição de que o enfeitiçamento feito no rasto da vítima é absolutamente eficiente e difícil de desmancho, é porque a condensação de fluidos perniciosos é feita diretamente no campo magnético da aura de energia em libertação do enfeitiçado. O lençol de partículas radioativas da vítima, ainda em ebulição e ativo na área do enfeitiçamento, então favorece uma imantação mais compacta e profunda na penetração áurica.

Embora considerando-se o extraordinário senso de orientação que a “mente-instintiva” 4 proporciona às aves e aos animais, ajudando-os na luta pela sobrevivência, com poderes ou faculdades que espantam o próprio homem, o certo é que, durante as suas deslocações de um lugar para outro, eles também despedem partículas radioativas e deixam verdadeiras pistas magnéticas vibrando no mundo oculto. Assim, os cães e os gatos, quando são afastados a quilômetros distantes de sua moradia, eis que retomam habilmente até o ponto de partida, porque seguem o contrário da própria pista radioativa que deixaram anteriormente.

4 – Vide o trabalho de Ramatís sobre a “Mente Instintiva”, a sair proximamente, nos tópicos referentes ao trabalho que orienta as aves a fazerem os ninhos, a emigrarem para regiões mais saudáveis; as toupeiras a fecharem suas tocas antes da chegada do inverno; as aves de rapina a encontrarem o animal morto a quilômetros de distância; as aranhas a fazerem as teias: o joão-de-barro a construir sua casa protegida das tormentas; as abelhas a confeccionarem as colméias tão matematicamente precisas; a vida ordeira das formigas, inclusive a sua fuga da margem dos rios, em vésperas de inundações.

 

            PERGUNTA: – De que modo os objetos enfeitiçados podem baixar as vibrações do ambiente onde permanece a pessoa visada por esse ato de bruxaria?

RAMATÍS: – Os objetos usados e trabalhados pelos feiticeiros desempenham a função de captadores de energias inferiores e servem de condensadores, que baixam as vibrações fluídicas do ambiente em que são colocados. Embora sendo matéria, tais objetos vibram no campo etéreo-astral, porque são também energia condensada. Sob a vontade vigorosa dos feiticeiros, que agem na intimidade eletrônica da substância, ou seja, no seu “elemental”, produz-se uma excitação magnética ou superatividade, mas em sentido negativo, que depois atinge a aura da vítima a que eles estão vinculados pelo processo de bruxaria, rebaixando o campo vibratório para alimentar expressões deprimentes de vida oculta.

 

            PERGUNTA: – Qual é o sentido desse alimentar expressões deprimentes de vida oculta?

RAMATÍS: – Assim como o lodo é alimento seivoso para as coletividades microbianas patogênicas, a atmosfera magnética viscosa, 5 que resulta da presença de condensadores enfeitiçados, transforma-se em excelente campo alimentício para as larvas, embriões, bacilos e vibriões psíquicos oriundos do mundo invisível aos acanhados sentidos humanos. Multidões famélicas e colônias microscópicas de larvas e microrganismos em torturada agitação buscam vorazmente as zonas de”depressão magnética” em torno dos enfeitiçados, para o seu sustento mórbido. Baixam, paulatinamente, do campo imponderável condensando-se em formas gradativas intermediárias, até alcançarem o plano físico, onde a ciência humana, depois, os pressente na forma de “vírus” e “ultravírus” e demais probabilidades patogênicas, responsabilizando-os por inúmeras enfermidades, principalmente na patologia cancerosa. 6 A ação transformadora dos objetos enfeitiçados inverte os pólos de freqüência e o dinamismo natural da energia em liberdade, degradando-a para uma condição realmente viscosa, decomposta e deteriorada. Essa viscosidade, como lençol denso de magnetismo, torna-se o elemento intermediário, ou revelador, a fim de as coletividades vorazes e destruidoras fazerem o seu “descenso” vibratório para o campo material. Elas, então, gradativamente, ingressam pela cortina desse magnetismo pegajoso exsudado da aura do enfeitiçado, convergindo para o seu metabolismo fisiológico e criando-lhe estados enfermiços de origem imponderável e dificílimo de se identificarem pelos mais abalizados exames médicos.

 

 

5 – Nota de Ramatís: – O termo “atmosfera magnética viscosa”, aparentemente excêntrico, define, realmente, no perispírito, uma condição semelhante ao que ocorre com o corpo físico, quando é envolto pelo lodo úmido e pegajoso a se infiltrar pelos poros de modo desagradável. Os enfeitiçados sob forte carga maléfica quase sempre acusam em si a sensação mortificante de gelidez, viscosidade ou então aridez na pele.

6 – Vide a obra Fisiologia da Alma, de Ramatís, no capítulo “Considerações Sobre a Origem do Câncer”.

 

            PERGUNTA: – Essas organizações “psicomicrobianas”, de que falais, devem atingir tão-somente o enfeitiçado, não é verdade?

RAMATÍS: – A ação maléfica se exerce principalmente naquele que foi objetivado para sofrer a carga do fluido depressivo. No entanto, como as “auras viscosas” dos objetos enfeitiçados podem fortalecer-se através dos próprios desequilíbrios psíquicos das criaturas humanas, que se encontram no raio de ação do feitiço, mesmo as que não foram visadas pela bruxaria poderão sofrer seus efeitos no astral enfermo. Há casos em que o impacto enfeitiçante ao incidir sobre a pessoa de aura invulnerável ou imunizada pela própria graduação espiritual superior, então refrata, podendo atingir outro familiar menos protegido. 7

7 – Ramatís explica-nos que qualquer pessoa pode ser enfeitiçada, mesmo quando não é visada diretamente pelo feiticeiro. No entanto, a sua defesa depende exclusivamente de sua maior ou menor evangelização! O Dr. M.B., amigo do nosso grupo espiritualista, foi visado por uma carga enfeitiçante fortíssima; no entanto, dada a sua natureza excepcionalmente humilde, caritativa e evangélica, o impacto do feitiço refratou nele e atingiu espetacularmente o cão de estimação, o qual sucumbiu rapidamente, enrodilhado sob violenta prostração.

O enfeitiçamento tanto provoca a doença psíquica na alma humana, por agir nos centros de forças do comando perispiritual, como atrai nuvens de bactérias nocivas, que penetram na circulação fisiológica da criatura. Os objetos ou seres transformados em fixadores de fluidos nefastos são os agentes do enfeitiçamento, à guisa de projetores de detritos fluídicos a sujarem a aura perispiritual da vítima. Criam em torno do enfeitiçado um campo vibratório de fluidos inferiores, o qual então dificulta a receptividade intuitiva de instruções e recursos socorristas a serem transmitidos pelos guias ou conhecidos “anjos-da-guarda”, que operam em faixa mais sutil.

O esforço principal do feiticeiro é isolar a vítima desse auxílio psíquico, deixando-a desamparada na esfera da inspiração superior e entregue apenas a sugestões malévolas que lhe desorientam a atividade financeira, provocam perturbações emotivas, condições pessimistas e conflitos domésticos. Assim, os prejuízos da vítima no campo material aliam-se aos distúrbios doentios no campo psíquico, sob o comando exclusivo de almas perversas do mundo invisível. E tanto quanto mais a vítima se rebela ou se aflige, em vez de optar pela oração e vigilância às suas próprias imprudências emotivas e pensamentos adversos, ela também oferece maior campo de ação favorável para os espíritos desregrados infelicitarem a sua vida. Pouco importa se a pessoa merece ou não merece o impacto do feitiço, mas a sua segurança e defesa dependem exatamente de sua maior ou menor integração ao Evangelho do Cristo! É o estado de “cristificação” proveniente da vivência incondicional dos ensinamentos evangélicos, que realmente desintegra toda e qualquer carga maléfica projetada sobre o homem! Sem dúvida, são tão poucas as pessoas que já usufruem essa condição superior, que o processo de enfeitiçamento ainda produz efeitos maléficos em quase todas as criaturas.

 

            PERGUNTA: – Mas no caso do feitiço refratar sobre a pessoa visada e atingir outro ser familiar, isso não é um procedimento injusto?

RAMATÍS: – Como a imunidade psíquica contra qualquer das expressões de enfeitiçamento varia de conformidade com a conduta da pessoa visada, as correntes malévolas atingem e penetram com êxito nas auras perispirituais dos seres humanos, conforme a sua vulnerabilidade áurica do momento.

 

            PERGUNTA: – Por que há criaturas boníssimas, de conduta reconhecidamente evangélica, que se afirmam vítimas de enfeitiçamentos? Como se explica isso?

RAMATÍS: – Nem todo o santo de hoje foi magnânimo, virtuoso ou ordeiro no passado! Certas criaturas, que presentemente se devotam à prática do bem, ainda não podem furtar-se à lei cármica e oferecer defesas seguras contra as forças destrutivas que movimentaram em existências pretéritas. Colhem agora os frutos amargos da sementeira imprudente, enquadrados na lei de que “será dado a cada um segundo as suas obras”! Ademais, o simples fato de precisarem reencarnar-se na Terra os obriga a suportarem as contingências e as energias agressivas do plano terrestre ainda tão primário.

O enfeitiçamento ainda é ação perniciosa, produto gerado consciente e inconscientemente pela maioria dos homens, o qual atinge proporcionalmente a todos os seres, segundo as suas deficiências e defesas espirituais. E de senso comum que mesmo um campeão de natação não se livra de perigos, caso seja obrigado a nadar num rio infestado de jacarés.

 

PERGUNTA:Pode o enfeitiçamento atingir coletividades, conforme já nos afirmou um estudioso do assunto?

RAMATÍS: – Atualmente, rareiam, no vosso mundo, as terríveis fases de enfeitiçamento coletivo, naturais da época lemuriana e atlântida, em que certos povos se guerreavam através da prática ignóbil da feitiçaria, pois os seus espíritos ainda se achavam fortemente ligados a campos de forças do astral inferior. Esses povos atuavam sobre determinadas “energias elementais” da natureza, portadoras de uma atividade primária muito agressiva e exterminavam-se reciprocamente num processo de vinganças incessantes.

Inúmeras enfermidades de natureza incurável, entre as quais se destacam o câncer e a morféia nervosa, ainda são resultados cármicos de que padecem muitos espíritos participantes da bruxaria coletiva e individual do passado. Faz-se necessário o esgotamento completo desse elemental mórbido usado à larga e ainda latente em muitas almas, para que então desapareça a série de manifestações patológicas atuais, incuráveis. Graças à ação pacificadora de Jesus, criando sublime “egrégora” 8 no vosso mundo e fonte de transfusão da Luz Divina que aniquila o’ reinado da Sombra, diminuiu o êxito do enfeitiçamento coletivo. O contato vibratório mais profundo com a “aura” do Cristo-Planetário, e o alimento incessante das preces e sacrifícios dos cristãos nos circos romanos em torno da mesma idéia espiritual-libertadora, contribuiu bastante para anular a eficiência da bruxaria coletiva. No entanto, na Idade Média ainda ocorreram alguns casos de epidemia, alucinações, histerias coletivas, degradações e luxúria em massa, cujos desequilíbrios psíquicos foram realmente provocados por entidades diabólicas encarnadas, em detestável simbiose com espíritos malévolos.

8 – Egrégora: Composição astral gerada por uma coletividade, pois o pensamento, o desejo e a vontade são forças tão reais e mesmo superiores às mais potentes energias da natureza. Debaixo dessa influência, a matéria astral, tão plástica, faz-se compacta e toma forma. Então, essa egrégora torna-se um campo de influência coletiva, impelindo os que dela se interessam, para realizações positivas no mesmo gênero. Graças a Jesus, compôs-se no mundo a egrégora do Cristianismo, que afora da própria cogitação humana, continua a influir, atrair e orientar as almas sensíveis. Da mesma forma, Hitler compôs a terrível egrégora do Nazismo, a qual ainda insiste evocando adeptos e atuando vigorosa mente ante o menor descuido das autoridades internacionais do mundo.

 

PERGUNTA: – É certo que a pessoa enfeitiçada pode ser diagnosticada erradamente pelo médico, quando se sente adoentada?

RAMATÍS: – E por que não? Quem está enfeitiçado encontra-se psiquicamente impermeabilizado às fontes que lhe podem fazer bem; propenso a aceitar as piores sugestões e os conselhos mais prejudiciais do mundo oculto. O enfeitiçamento não é feito como simples passatempo, mas é de sua função precípua prejudicar o próximo. Só as pessoas realmente evangelizadas, de pensamentos otimistas e emoções controladas, podem resistir com maior eficiência aos impactos da bruxaria.

A pessoa enferma e enfeitiçada quase sempre ignora a origem de sua perturbação, assim como a sua aura conturbada também pode influir sobre o médico que a examina e levá-lo a um diagnóstico impreciso ou errado. Há casos em que os malfeitores das sombras, ligados pelo serviço de bruxaria, induzem as vítimas a consultarem certos médicos de baixa condição moral e atraso espiritual, os quais apenas identificam sintomas equívocos e prescrevem medicamentos inócuos e até nocivos.

Após deambular incessantemente por consultórios médicos, sofrendo terapias confusas e até intervenções Cirúrgicas desnecessárias, algumas criaturas só conseguem a sua cura aliando o tratamento físico à renovação espiritual, ou ajustando a sua mediunidade florescida prematuramente sob a ação estimulante do feitiço, pela freqüência aos centros espíritas ou terreiros de Umbanda. Então melhoram porque aumentam as suas defesas psíquicas fortificadas pela conduta superior, como também ficam sob a guarda de espíritos benfeitores, que os ajudam a dissipar os maus fluidos.

 

PERGUNTA: – O indivíduo lunático também pode ser uma vítima de enfeitiçamento?

RAMATÍS: – Sem dúvida, ainda existem crendices e superstições de povos primitivos, que devem ser rejeitadas devido à sua inutilidade e fundamento tolo! Mas, também, é preciso examinar tais coisas antes de qualquer julgamento injusto ou equívoco porque o homem nada cria ou compõe, mas só descobre e inventa o que já foi criado ou inventado por Deus. Assim, a mais estúpida crendice pode ter-se gerado numa base científica, malgrado a sua vestidura exterior excêntrica ou insensata. É verdade que alguns mitos e lendas, que parecem desafiar as leis naturais da Terra, são decalcados de fenômenos exclusivos do mundo astral, os quais ainda vibram na memória perispiritual do ser encarnado.

Mas no caso do lunático, ele sofre realmente a influência das fases lunares, pois excita-se na lua cheia e torna-se melancólico na lua nova. É um temperamento maníaco, excêntrico e profundamente visionário, cujas idéias fantasiosas modificam-se pelas rápidas mudanças do satélite da Terra. O fenômeno é fácil de explicar: o duplo etérico do lunático é de freqüência vibratória facilmente excitável pela emanação do éter-físico lunar. Durante a época de seu nascimento e a simultânea formação do corpo vital, a Lua encontra-se na sua fase mais ascendente possível. Por isso, ele é um “hipersensível” e carreia para o seu corpo etérico maior dosagem de emanação do éter- físico lunar, sofrendo durante o crescente e a lua nova um maior excitamento ou afluxo fluídico, algo semelhante ao que ela exerce de modo gravitacional na formação das marés.

Os antigos faziam amuletos ou “acumuladores” de forças para aliviar as crises dos lunáticos, durante a fase máxima da lua cheia, e indicavam-lhe remédios feitos de plantas lunares, leitosas, frias, antiafrodisíacas, de folhas grandes, ovaladas, redondas, como a couve, o repolho, a alface. Nos casos mais graves, socorriam-se da papoula-branca, que fornece o ópio e a heroína, do sândalo-branco, docemente hipnótico, além de outras flores lunares, como a rosa-branca, margarida, açucena e o lírio.

 

PERGUNTA: – Qual é a melhor defesa contra as projeções de fluidos maléficos gerados por todas as formas de enfeitiçamento?

RAMATÍS: – Sem dúvida, é a vigilância incessante contra toda sorte de pensamentos pecaminosos e emoções descontroladas. Aliás, a oração, como poderoso antídoto de química espiritual, também traça fronteiras protetoras em torno do ser humano e decompõe os fluidos deprimentes e ofensivos.

Os feiticeiros tudo fazem para evitar que as pessoas enfeitiçadas sejam alerta das quanto à realidade da bruxaria. Os seus comparsas desencarnados desviam do caminho das vítimas quaisquer esclarecimentos ou ensejos favoráveis, que possam associar-lhes doenças, infortúnios ou dificuldades à prática do feitiço. Daí o motivo por que se crê tão pouco na realidade da bruxaria, pois, na maioria dos casos, os próprios enfeitiçados ironizam tal acontecimento em sua vida. Em geral, a maioria das criaturas alega que nunca fez mal a ninguém; e, por isso, jamais seria enfeitiçado, por não merecer tal coisa!

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Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral