Uso do cabelo na feitiçaria

Capítulo 9

O uso do cabelo na feitiçaria

PERGUNTA:Por que motivo também é comum a presença de cabelos da própria pessoa enfeitiçada nos trabalhos de bruxaria? Isso não será apenas uma superstição?

RAMATÍS: – Embora muitas pessoas considerem tolice e superstição a presença de mechas de cabelos nos apetrechos de enfeitiçamento, trata-se de um recurso de suma importância para o feiticeiro.

Conforme asseguram os cientistas, o corpo humano é um conjunto eletromagnético dotado de “eletricidade biológica”, tal qual também acontece a certos animais, insetos e reptis, peixes e aves. Entre os peixes-elétricos, verdadeiros dínamos aquáticos, destaca-se o poraquê familiar do Amazonas e do Brasil Central, cuja descarga dura cerca de 14/100 segundos e pode acender uma lâmpada de 60 watts, equivalente a uma descarga de 300 volts, cuja corrente elétrica fulmina os peixinhos de rio e aflige até os jacarés. Entre os reptis, principalmente as cobras, rãs e sapos, o fenômeno da eletricidade magnética se mostra patente sob diversos aspectos dinâmicos e estáticos.

Na Califórnia, zona ocidental da América do Norte, em certa região existem condições eletromagnéticas tão específicas na sua atmosfera, que se acasalam facilmente à eletricidade humana. As crianças então se divertem a correr e a esfregar os pés nos tapetes, sobrecarregando-se de eletricidade ou “eletrizando-se”, a ponto de acenderem o gás dum bico aproximando dele a ponta do dedo. O sistema nervoso ali funciona mais intensamente, porque se transforma em vigorosa rede escoadora de eletricidade.

Segundo a singela lei da física de que a eletricidade foge pelas pontas, a cabeleira é a parte mais importante e intensa no metabolismo escoador de eletricidade humana, pois trata-se de uma verdadeira rede de fios eletrificados, quer pela sua conformação, como também pela própria origem orgânica.

 

PERGUNTA:Qual é a importância dessa origem orgânica dos cabelos com o seu metabolismo elétrico?

RAMATÍS: – O cabelo, na verdade, é um líquido que, devido ao contato com o ar atmosférico e com a temperatura inferior do corpo humano, consolida-se em matéria córnea, sólida. Aliás, o organismo produz diariamente 30 metros de substância córnea líquida, só para a formação dos cabelos. O líquido é bom condutor de eletricidade e predomina na formação do cabelo, motivo por que este também recebe maior carga elétrica na sua composição.

Os cabelos, na sua conformação de microscópicos canudos, são vigorosos condutores de eletricidade animal, dotados de carga positiva, isto é, pobres em elétrons. Então expelem chispas, quando, por exemplo, são esfregados com um pente de âmbar, o qual é um corpo carregado de energia negativa e conhecido em física por um “corpo dielétrico”.

 

PERGUNTA: – Qual é a função que o feiticeiro atribui aos cabelos, em face de sua maior carga elétrica?

RAMATÍS: – Em virtude de os cabelos serem verdadeiros cabos minúsculos que formam a rede de escoamento elétrico-magnético do homem, eles também fornecem o melhor “extratus magneticus” de que o feiticeiro precisa para formar o vínculo “etéreo-astralino” da vítima com os objetos a serem enfeitiçados. Então, facilitam ao feiticeiro o ajuste ou a sintonia de fluidos para impregnar os objetos preparados com a função de “acumuladores” ou “condensadores” de forças primárias e sustentadoras das operações de magia negra contra o seu próprio dono. Posteriormente, o feiticeiro, então, fará a projeção fluídica enfeitiçante; provocando o abaixamento vibratório na aura da vítima.

 

PERGUNTA:Então há fundamento em certas lendas e superstições de povos antigos sobre a força dos cabelos?

RAMATÍS: – Ainda hoje diz-se que o homem com “cabelos nas ventas” é genioso, bravo e enérgico, talvez pela intuição de que se trata de criatura com “excesso de eletricidade” a escorrer-lhe pelas pontas da cabeleira através da fronte. A força de Sansão estava nos seus cabelos e ele enfraqueceu-se quando Dalila os cortou! Os cabelos de uma pessoa normal podem agüentar 400 quilos, com facilidade, como provam os artistas e ginastas de circos. Sem dúvida, é preciso ter-se o cuidado de distribuir tal peso eqüitativamente entre todos os fios de cabelo.

Não quer isto dizer que o fato de o homem possuir mais ou menos cabelo também explique a sua maior ou menor tonalidade de força, vigor e gênio. A cabeleira, no entanto, é a região onde mais se aglomera a eletricidade e o magnetismo animal, porque nela é mais intensa a sua fuga pelas pontas.

A prova de que a maior cota de eletricidade biológica do indivíduo escorre veementemente pela sua cabeleira, a qual também é fortemente impregnada de éter-físico, verifica-se nos indivíduos que ficam de cabelos brancos, instantaneamente, sob forte comoção produzida pelo medo, ansiedade ou pavor da morte. 1 A sua descarga emocional violenta, oriunda de uma eletrização inesperada, converge, justamente, para a zona onde se acumula e se escoa o fluxo elétrico humano!

1 – Nota do médium: – Há um parente, em minha família, que ficou de cabelos brancos, ainda jovem, devido ao grito inesperado de um papagaio, quando altas horas da noite ele regressava muitíssimo impressionado de um “candomblé”. Carthouche, o bandido francês, ficou de cabelos brancos em alguns segundos, quando o levaram ao suplício para ser esquartejado.

 

PERGUNTA:Poder-se-ia supor que a maior perda de cabelos implica em maior perda de eletricidade biológica?

RAMATÍS: – A eletricidade humana é mais propriamente efeito da ação dinâmica do corpo perispiritual atuando sobre o metabolismo do duplo etérico e combinando-se à intensa atividade energética do éter-físico. As substâncias ou elementos que constituem o corpo carnal estão vivamente impregnados de eletricidade, que provém dos núcleos de constelações e elétrons de átomos, moléculas, órgãos e sistemas orgânicos vigorosos. A eletricidade que percorre o corpo humano origina-se do atrito da própria atmosfera absorvida através de inalações de oxigênio pelos poros da pele, catalisando-se na corrente sangüínea pela presença de metais e metalóides organogênicos, como o fósforo, carbono, nitrogênio, hidrogênio, ferro, cobre, magnésio, titânio, estrôncio, cádmio, e outros elementos conhecidos da ciência humana. São metais que circulam pelo sangue, chamados eletronegativos ou eletropositivos, conforme a quantidade de elétrons em suas órbitas.

Quando o homem corta violentamente a sua cabeleira, ele também provoca uma alteração súbita no seu campo “eletromagnético” biológico e produz um impacto vigoroso no seu perispírito. Assim que é reduzido o campo escoador de eletricidade biológica, este então procura restabelecer o equilíbrio eletrodinâmico pelo conhecido fenômeno de polarização. Os cabelos mais curtos escoam menos eletricidade e o homem calvo mostra aos clarividentes uma verdadeira aura eletromagnética em torno da cabeça, porque a eletricidade ali se polariza em vez de fugir. Tais pessoas vivem sobrecarregadas de eletricidade e quando são sadias irradiam muita vitalidade, justificando o velho refrão de que “vendem saúde”! Quando elas cumprimentam alguém e gesticulam com as mãos, também escoam maior carga de eletricidade do que as pessoas comuns, compensando o acúmulo ou polarização devido à redução do ornamento capilar.

 

PERGUNTA:Poderíeis dizer-nos por que os homens ficam calvos e tal fenômeno é mais raro entre as mulheres?

RAMATÍS: – Apesar dos inúmeros fatores organogênicos e hereditários enfermiços, que enfraquecem a cabeleira humana, além do uso nocivo de cremes, gomas, produtos e tinturas químicas que atacam o bulbo capilar, uma das principais causas da calvície masculina é a ignorância do homem em cortar os seus cabelos. Aliás, modernamente, observa-se que as próprias mulheres também se candidatam à calvície prematura, por adotarem o cabelo curto e o deceparem fora de época.

As leis que disciplinam os fenômenos da vida física, etérica, astralina ou mental, na verdade, derivam-se de uma só lei imutável e eterna – a Lei Divina da Criação Cósmica! Ela é a mesma lei que rege a coesão dos astros no campo sideral, a afinidade entre as substâncias químicas e o amor entre as criaturas humanas. Em conseqüência, até no corte do cabelo o homem deve obedecer à regência das leis que regulam o seu crescimento capilar, caso não deseje ficar calvo!

 

PERGUNTA: – E como será aconselhável ao homem cortar o cabelo?

RAMATÍS: – Obedecer fielmente à mesma lei que rege desde a germinação, o crescimento, descanso e a frutificarão das plantas, pois o cabelo, na verdade, é uma planta vegetal no crânio do homem. Essa lei é decorrente da extraordinária influência que a Lua exerce sobre a Terra disciplinando os principais fenômenos da vida terrena, à guisa de gigantesco “controle-remoto”.

Ela influi na postura dos ovos de aves e na desova dos peixes; na reprodução e acasalamento das espécies, formação dos ninhos, migração dos pássaros, agitação dos vermes intestinais, no desenvolvimento das sementes no seio da terra, enxerto das árvores frutíferas e arbustos florais, no período catamenial da mulher, fluxo sangüíneo e linfático, metabolismo endocrínico, nos estímulos nervosos, nas vagas e marés dos oceanos e na própria gestação da criança. Em conseqüência, influi principalmente na poda das plantas e no corte das árvores. 2

2 – Os leitores que desejarem conhecer melhor os efeitos e as influências da Lua física, astralina e etérea, sobre os reinos mineral, vegetal, animal e hominal, na Terra, queiram consultar o capítulo 3, “As Influências Astrológicas”, da obra Mensagens do Astral, Ramatís, Editora do Conhecimento.

A Lua, de conformidade com as suas fases mensais, anuais e pela sua força magnética, comanda a seiva das plantas. No crescente, a seiva sobe e desenvolve os ramos e as folhas ou flores ornamentais das plantas, hortaliças e arbustos; no minguante, a seiva desce e acumula-se nas raízes desenvolvendo os tubérculos. Por isso, as cenouras, batatas, os nabos e demais tubérculos podem nascer mirrados e sem proveito, quando são semeados “fora da Lua”, porque a seiva fica à superfície e só desenvolve os ramos e as folhas. Da mesma forma, as hortaliças, como a alface, couve-flor, mostarda, aspargos ou plantas como repolho, tomateiros e pepinos, que se desenvolvem à superfície da terra, ficarão atrofiados e com as raízes superdesenvolvidas, caso sejam semeadas na fase lunar desfavorável.

Deste modo, a poda de arbustos, árvores ou espécies florais também deve ser feita em concordância com o seu bom aspecto lunar; algumas podem ser cortadas no minguante mensal e outras só no minguante anual. A videira, por exemplo, quando é cortada fora de tempo “chora” vertendo lágrimas “vegetais” produzidas pela seiva que ainda impregna os ramos e as folhas na lua ascendente. E seus frutos também serão mirrados ou vulgares, no outono, porque ela fica reduzida na cota de seiva desperdiçada pelo tesourão do jardineiro imprudente. Assim, também se dá com os homens, que também devem cortar o cabelo segundo a fase lunar favorável, a fim de poupar a seiva criadora e evitar o enfraquecimento prematuro e a calvície.

 

PERGUNTA: – E como conviria fazê-la?

RAMATÍS: – Cortá-lo rente só no período do inverno, quando a seiva está nos bulbos capilares ou na raiz dos cabelos sob o efeito decrescente da Lua. Assim, os fios de cabelos estarão ocos e vazios, podendo ser tosados sem o desperdício vital da seiva tão necessária para o novo crescimento. Nesse caso, o barbeiro cortará apenas “canudinhos” secos e desnutridos, assim como o jardineiro, na mesma época, poda as árvores e plantas cujos ramos estão vazios da seiva descida e acumulada nas raízes. Em caso contrário, o homem decepa a sua cabeleira nutrida de seiva, e nos mais fracos a calvície acentua-se mês por mês!

 

PERGUNTA: – Mas é evidente que o homem precisa cortar o seu cabelo durante o mês, e não apenas numa só estação do ano, não é assim?

RAMATÍS: – Há que distinguir entre “tosquiar” e “aparar” o cabelo; no primeiro caso é um corte rasante e aconselhável apenas no inverno, tal qual se faz com os arvoredos e plantas, que depois repontam mais vigorosos devido à poda da galharia inútil. No segundo caso, é apenas um leve desbastamento que não chega a perturbar a força seivosa do cabelo. Mas, assim como existe a lua nova do mês, atuando durante sete dias de modo a descansar a atividade da seiva nas plantas, hortaliças e arbustos menores, há, também, a lua nova do ano, que corresponde exatamente aos quatro meses de inverno, em que a seiva repousa nas grandes árvores. Portanto, seguindo a mesma lei sensata da natureza terrícola influenciada pelas fases lunares, o homem deve cortar raso, o seu cabelo, no inverno; e só apará-lo durante o minguante e a lua nova do mês. No minguante a seiva começa a descer e o prejuízo é menor; na lua nova, ela estabiliza-se num breve repouso nas raízes.

No vosso país, os próprios sertanejos sabem que as árvores para a indústria madeireira devem ser cortadas somente no inverno, porque nessa época os carunchos que vivem na seiva descem para as raízes. Quando o pinheiro, cedro ou imbuia são derrubados fora de época, a seiva que está em ascensão seca e os carunchos perfuram a madeira e vêm para fora buscando alimento. Então os sertanejos dizem, pitorescamente, que a madeira bicha quando é cortada nos meses sem “r”, isto é, em maio, junho, julho e agosto, os quais abrangem o período do inverno, pois os demais meses, realmente, têm “r”.

 

PERGUNTA:Evidentemente, o uso do cabelo na prática de feitiçaria é um crime censurável contra esse ornamento humano, e deve pagar caro quem assim o faz, não é isto?

RAMATÍS: – Sem dúvida, é o homem que costuma inverter o sentido útil das coisas criadas por Deus com intuito benéfico. No entanto, o mesmo cabelo que pode semear prejuízos quando usado pelo feiticeiro, também serve de “testemunho” louvável para os bons radiestesistas efetuarem diagnósticos à distância e selecionarem medicamentos “psicofísicos” para os enfermos. O seu campo eletrobiológico sensibilíssimo tão nefastamente desvirtuado no processo de enfeitiçamentos malévolos, expõe no exame de radiestesia a síntese do metabolismo humano com a sua manifestação sadia ou doentia, orientando a pesquisa da medicação adequada. 3

3 – Nota do Médium: – Desde jovem percebi que era radiestesista inato, isto é, possuía a faculdade de sentir e interceptar as ondas eletromagnéticas das coisas e seres. Através do emprego de forquilhas de pessegueiros, ameixeiras ou aveleiras, eu podia identificar lençóis e veios de água para a perfuração proveitosa de cisternas e poços artesianos. Mais tarde, adestrei-me no uso do pêndulo de metal e até de madeira, conseguindo determinar os terrenos nutritivos para as plantações de legumes, hortaliças e espécies florais. Finalmente, após estudos mais rigorosos e através de mechas de cabelos de pessoas, mesmo à distância, eu podia fazer diagnósticos acertados e prescrever remédios homeopáticos ou ervas curativas com bastante êxito. A eletricidade biológica, contida naturalmente nos cabelos dos enfermos, assinalava-me o teor de vitalidade de todos os órgãos, induzindo-me a descobrir anemias, infecções, hemorragias, inflamações, atrofias, lesões, perturbações sangüíneas, linfáticas, endócrinas e nervosas, segundo as oscilações positivas, negativas ou neutras produzidas pelo pêndulo de radiestesia. Bastava-me colocar a mecha de cabelos diante dos frascos de medicamentos, e o pêndulo indicava o produto mais sintônico e terapêutico para a cobertura da vitalidade e correção orgânica do enfermo.

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Índice de Magia de Redenção

Invocação às Falanges do Bem
Duas palavras
Explicação necessária
Prefácio
Palavras de Ramatís
1. Considerações sobre o feitiço
2. Enfeitiçamento verbal
3. Enfeitiçamento mental
4. Enfeitiçamento por meio de objetos
5. Enfeitiçamento por meio do sapo
6. Enfeitiçamento por meio do boneco de cera
7. Enfeitiçamento por meio de metais organogênicos
8. Enfeitiçamento por meio da aura humana
9. O uso do cabelo na feitiçaria
10. O mau-olhado
11. O uso de amuletos e talismãs
12. Benzimentos e simpatias
13. As defumações e as ervas de efeitos psíquicos
14. A importância dos ritos, cerimónias e conjuros
15. A influência das cores na feitiçaria
16. Os males do vampirismo
17. O feitiço ante os tempos modernos
18. O feitiço e o seu duplo efeito moral